Questão nº 17
Questão de Língua Portuguesa · FGV TJSC 2018 (nº 17)
Texto 3 - O discurso da separação amorosa
Flávio Gikovate em 16/03/2015Um dos sentimentos mais comuns depois de uma separação amorosa é a enorme curiosidade em relação ao destino do outro. Mesmo o parceiro que tomou a iniciativa fará de tudo para saber como o abandonado está passando. Esse interesse raras vezes resulta de uma genuína solidariedade. Decorre, na maioria dos casos, de uma situação ambivalente que lembra o mecanismo da gangorra. Por um lado, ver o sofrimento de uma pessoa tão íntima nos deixa tristes; por outro, satisfaz a vaidade. Num certo sentido, é gratificante saber que o ex-companheiro vive mal longe de nós e teve prejuízos com a separação. Esse aspecto menos nobre da personalidade humana, infelizmente, costuma predominar.
O texto 3 deve ser visto como argumentativo; os argumentos apresentados pelo autor se fundamentam nos(na):
- Aopinião pessoal do autor; (alternativa correta)
- Btestemunhos de autoridade;
- Cexperiência profissional de psicólogos;
- Dobservação científica da natureza humana;
- Edepoimentos pessoais de pessoas separadas.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa A
Conceito-chave: Texto argumentativo é aquele em que o autor defende um ponto de vista. A força dos argumentos depende da natureza da evidência usada: se ele usa apenas a própria visão de mundo, sem citar dados, pesquisas ou especialistas, o fundamento é a opinião pessoal — subjetiva, não verificável.
- (A) Correta: O autor (Flávio Gikovate) afirma que "esse aspecto menos nobre... costuma predominar" e que o interesse "raras vezes resulta de genuína solidariedade" — são juízos de valor baseados na percepção individual dele, sem citar estudos, estatísticas ou fontes externas.
- (B) Incorreta: Não há citação de especialistas, pesquisadores ou obras de referência; o texto não invoca nenhuma autoridade externa para sustentar as afirmações.
- (C) Incorreta: Embora o autor seja psicólogo, ele não menciona sua prática clínica, casos atendidos ou dados de consultório; a experiência profissional não é explicitamente usada como prova.
- (D) Incorreta: Não há descrição de método científico, experimentos ou observação sistemática; a "observação" aqui é informal e subjetiva, não científica.
- (E) Incorreta: O texto não traz relatos de terceiros, entrevistas ou exemplos de pessoas específicas; é uma reflexão genérica, sem depoimentos.
Armadilha da banca (distrator mais tentador): A letra D parece atraente porque o texto fala de "natureza humana" e de mecanismos psicológicos ("gangorra"), o que sugere cientificidade. A pegadinha é que o autor não apresenta evidência empírica — ele apenas opina sobre como as pessoas se comportam. A banca testa se você confunde "tema psicológico" com "fundamento científico".
Fonte: FGV TJSC 2018 Técnico Judiciário Auxiliar (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.