Questão nº 12
Questão de Língua Portuguesa · FGV TJSC 2018 (nº 12)
Texto 2:
Inteligência e sabedoria não são a mesma coisa. Entretanto, na linguagem cotidiana, usamos os dois termos indistintamente. Vivemos em uma sociedade onde a eficiência e os resultados são valorizados. Aparentemente, apenas os mais inteligentes estão destinados a obter sucesso. No entanto, apenas os sábios conseguem uma felicidade autêntica. Eles são guiados por valores e preocupados em fazer uso da bondade, aplicando uma visão mais otimista à vida.
Se procurarmos agora no dicionário o termo sabedoria, será encontrada uma definição simples: a faculdade das pessoas de agir de maneira sensata, prudente ou correta. Sendo assim, a primeira pergunta que vem à mente é: a inteligência não nos dá a capacidade de nos movimentarmos no nosso dia a dia da mesma maneira? Um QI médio ou alto não nos garante a capacidade de tomar decisões acertadas?
É claro que sim. Também é claro que quando falamos de inteligência surgem diferentes nuances. Por isso, o tipo de personalidade e a maturidade emocional são fatores que influenciam mais concretamente as realizações das pessoas. Isso também é verdadeiro em relação à capacidade de investir mais ou menos em seu próprio bem-estar e no dos outros.
Em vista disso, inteligência e sabedoria são dois conceitos interessantes. Assim, poderemos ter uma ideia mais precisa e útil do que realmente são. Afinal, se queremos algo, além de ter um alto QI, é necessário desenvolver uma sabedoria excepcional e moldar uma personalidade virtuosa. Isso vai um passo além do cognitivo e do emocional.
“A verdadeira sabedoria está em reconhecer a própria ignorância.” Sócrates.Disponível em https:amentemaravilhosa.com.br/inteligencia-e-sabedoria/
A frase do texto 2 que NÃO exemplifica a voz passiva é:
- A“Vivemos em uma sociedade onde a eficiência e os resultados são valorizados”;
- B“Aparentemente, apenas os mais inteligentes estão destinados a obter sucesso”; (alternativa correta)
- C“Eles devem ser observados, analisados e desconstruídos”;
- D“Eles são guiados por valores e preocupados em fazer uso da bondade”;
- E“Se procurarmos agora no dicionário o termo sabedoria, será encontrada uma definição simples”.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa B
Voz passiva é quando o sujeito sofre a ação, e não a pratica. Para identificá-la, procure a estrutura verbo “ser”/“estar” + particípio (ex.: “é feito”, “foram vistos”) ou o pronome “se” (ex.: “vendem-se casas”). Na letra B, “estão destinados” parece passiva, mas “destinados” aqui é adjetivo (estado permanente), não uma ação sofrida — por isso ela é a exceção.
- (A) Incorreta: “são valorizados” = verbo “ser” + particípio “valorizados”, com agente implícito (pela sociedade) → voz passiva analítica.
- (B) Correta: “estão destinados” indica estado (adjetivo), não uma ação verbal; não há agente da passiva nem verbo de ação → predicativo do sujeito, não voz passiva.
- (C) Incorreta: “devem ser observados, analisados e desconstruídos” = locução “ser + particípio” com agente indeterminado → voz passiva analítica (mesmo com verbo auxiliar “dever”).
- (D) Incorreta: “são guiados por valores” = verbo “ser” + particípio “guiados” + agente explícito (“por valores”) → voz passiva analítica clássica.
- (E) Incorreta: “será encontrada” = verbo “ser” no futuro + particípio “encontrada” → voz passiva analítica (com sujeito “uma definição simples”).
Armadilha da banca: a letra B é o distrator mais tentador porque “estão destinados” tem a mesma cara de “são guiados” (verbo + particípio). A pegadinha é que “destinados” funciona como adjetivo (qualidade do sujeito), e não como verbo — não há ação sendo sofrida, apenas um estado. Para não cair de novo, pergunte: “há um agente praticando a ação?” Se não houver, é predicativo, não passiva.
Fonte: FGV TJSC 2018 Conhecimentos Comuns (Superior (Raciocínio Lógico)) (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.