Questão nº 8
Questão de Língua Portuguesa · FGV TJSC 2018 (nº 8)
Texto 2:
Inteligência e sabedoria não são a mesma coisa. Entretanto, na linguagem cotidiana, usamos os dois termos indistintamente. Vivemos em uma sociedade onde a eficiência e os resultados são valorizados. Aparentemente, apenas os mais inteligentes estão destinados a obter sucesso. No entanto, apenas os sábios conseguem uma felicidade autêntica. Eles são guiados por valores e preocupados em fazer uso da bondade, aplicando uma visão mais otimista à vida.
Se procurarmos agora no dicionário o termo sabedoria, será encontrada uma definição simples: a faculdade das pessoas de agir de maneira sensata, prudente ou correta. Sendo assim, a primeira pergunta que vem à mente é: a inteligência não nos dá a capacidade de nos movimentarmos no nosso dia a dia da mesma maneira? Um QI médio ou alto não nos garante a capacidade de tomar decisões acertadas?
É claro que sim. Também é claro que quando falamos de inteligência surgem diferentes nuances. Por isso, o tipo de personalidade e a maturidade emocional são fatores que influenciam mais concretamente as realizações das pessoas. Isso também é verdadeiro em relação à capacidade de investir mais ou menos em seu próprio bem-estar e no dos outros.
Em vista disso, inteligência e sabedoria são dois conceitos interessantes. Assim, poderemos ter uma ideia mais precisa e útil do que realmente são. Afinal, se queremos algo, além de ter um alto QI, é necessário desenvolver uma sabedoria excepcional e moldar uma personalidade virtuosa. Isso vai um passo além do cognitivo e do emocional.
“A verdadeira sabedoria está em reconhecer a própria ignorância.” Sócrates.Disponível em https:amentemaravilhosa.com.br/inteligencia-e-sabedoria/
“Inteligência e sabedoria não são a mesma coisa. Entretanto, na linguagem cotidiana, usamos os dois termos indistintamente”.
Esse segmento do texto 2 mostra que nossa linguagem cotidiana:
- Afalha em determinar especificidades da realidade; (alternativa correta)
- Bé empregada de diferentes formas em função da situação comunicativa em que se insere;
- Cnão possui todos os vocábulos necessários à perfeita comunicação humana;
- Dengloba todo o conhecimento humano, mas não é usada de forma coerente por todos;
- Enão é capaz de mostrar a diferença entre realidades próximas.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa A
Conceito-chave: A questão testa se você percebe que a linguagem cotidiana é imprecisa e genérica: ela usa um termo no lugar de outro porque não se preocupa em distinguir nuances da realidade. O texto diz que usamos "inteligência" e "sabedoria" como sinônimos, mas eles não são – logo, a fala do dia a dia falha em captar essa diferença específica.
- (A) Correta: É exatamente isso: ao tratar "inteligência" e "sabedoria" como iguais, a linguagem cotidiana não consegue distinguir duas realidades que são diferentes – ela falha em apontar a especificidade de cada uma.
- (B) Incorreta: A questão não fala de "situação comunicativa" (formal, informal, etc.), mas sim de confusão de significados entre dois termos – não é uma variação de uso, é um erro de precisão.
- (C) Incorreta: O problema não é falta de vocabulário (existem palavras para os dois conceitos), é que as pessoas escolhem não diferenciá-las no uso comum.
- (D) Incorreta: "Englobar todo o conhecimento humano" é um exagero e foge do ponto: a questão é sobre imprecisão semântica, não sobre abrangência ou coerência de uso.
- (E) Incorreta: Cuidado, essa é a pegadinha mais tentadora. Ela parece certa, mas a banca quer o termo "falha" (da letra A), que indica um defeito da linguagem. A letra E diz que ela "não é capaz" – isso soa como limitação natural, mas o texto mostra que é um descuido cotidiano, não uma incapacidade absoluta. A diferença é sutil: "falha" = erro cometido; "não é capaz" = impossibilidade. A banca quer a ideia de erro, não de incapacidade.
Fonte: FGV TJSC 2018 Conhecimentos Comuns (Superior (Raciocínio Lógico)) (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.