Questão nº 56
Questão de Conhecimentos Específicos · FGV TJ-MS 2022 (nº 56)
FGV2022Analista Judiciário - Área FimConhecimentos Específicos
Gabarito: Bver comentário ↓
Em relação à teoria da prova e a licitude do acesso a aplicativos de mensagens do investigado ou réu, é correto afirmar que:
- Aalém da ordem judicial, a autorização do proprietário do celular torna lícita a colheita de provas do aparelho celular, desde que seja gravada ou documentada;
- Ba colheita de provas do aparelho celular, recolhido em razão de mandado de busca e apreensão, não precisa ser precedida de autorização para acesso aos dados; (alternativa correta)
- Cdecisão judicial posterior ao acesso ao conteúdo do aparelho celular não tem o condão de tornar lícita as provas colhidas;
- Do primeiro acesso desautorizado ao conteúdo do aparelho celular torna inviável a sua renovação por ordem judicial devidamente provocada e fundamentada;
- Eatender ligação e demandar que o capturado atenda ligação dirigida ao terminal telefônico não gera ilicitude na dinâmica processual.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa B
A inviolabilidade da intimidade e da vida privada, garantida pela Constituição, estende-se aos dados armazenados em celulares, exigindo, em regra, autorização judicial para seu acesso. Contudo, há nuances na interpretação judicial sobre o alcance dessa proteção.
- (A) Incorreta: Embora o consentimento do proprietário possa tornar lícita a colheita de provas, a exigência de que seja "gravada ou documentada" não é uma condição absoluta para a validade do consentimento, que deve ser livre e inequívoco, podendo ser provado por outros meios.
- (B) Correta: A jurisprudência dos tribunais superiores (STJ e, em parte, STF) entende que o mandado de busca e apreensão do aparelho celular, emitido para fins de investigação, já autoriza o acesso e a perícia dos dados armazenados no dispositivo (como fotos, vídeos, contatos), sem a necessidade de uma nova ordem judicial específica para o acesso a esses dados. Isso se distingue do acesso a comunicações telemáticas (mensagens de aplicativos), que geralmente exige autorização específica.
- (C) Incorreta: Esta afirmação é, em princípio, correta sob a ótica da teoria da prova ilícita (ilicitude originária não se convalida). A armadilha da banca aqui é que, ao considerar B como a única correta, C é tida como incorreta. Provavelmente, a banca busca testar a especificidade da jurisprudência sobre o alcance do mandado de busca e apreensão (alternativa B), e não um princípio geral, ou considera que, no contexto de B, não há uma ilicitude inicial a ser convalidada, pois o acesso já seria lícito pelo mandado.
- (D) Incorreta: Um acesso inicial desautorizado (ilícito) não impede que, posteriormente, uma ordem judicial válida e fundamentada autorize um novo acesso lícito aos mesmos dados, aplicando-se, se for o caso, a teoria da fonte independente ou da descoberta inevitável.
- (E) Incorreta: Atender ligações ou forçar o investigado a atendê-las, sem autorização judicial ou consentimento, viola o sigilo das comunicações telefônicas (Art. 5º, XII, CF) e gera ilicitude da prova.
Fonte: FGV TJ-MS 2022 Analista Judiciário - Área Fim (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.