Questão nº 12
Questão de Língua Portuguesa · FGV TCE-PI 2021 (nº 12)
Texto 4 – O transporte público
*“*O responsável primário pelo transporte público urbano é o poder público municipal. É isso que prevê o inciso V do artigo 30 da Constituição Federal:
‘[Cabe ao município] organizar e prestar, diretamente ou sob regime de concessão ou permissão, os serviços públicos de interesse local, incluído o de transporte coletivo, que tem caráter essencial’.
Entretanto, como você pode observar, esse dispositivo da Constituição dá liberdade aos municípios quanto a como ofertar esse serviço. Primeiro, o município pode escolher cuidar do transporte coletivo por conta própria. A prefeitura se responsabiliza diretamente pela gestão do sistema e desembolsa 100% dos recursos para mantê-lo.
É claro que o modelo direto é pouco adotado, já que o orçamento municipal costuma ser apertado e há outras áreas que as prefeituras devem suprir (saúde e educação, por exemplo). Nesse caso, quais opções restam?
A saída mais comum é contratar empresas para desempenhar essa função. Para fazer isso, é preciso realizar uma licitação, procedimento padrão para que uma empresa desempenhe um serviço público. As empresas vencedoras da licitação atuam sob regime de concessão ou permissão. A diferença entre os dois é sutil e pouco relevante; o que importa saber é que a empresa firma um contrato com a prefeitura por certo período de tempo, para administrar a maior parte do sistema de transporte coletivo municipal.” (Politize!, 30/05/2021)
“O responsável primário pelo transporte público urbano é o poder público municipal. É isso que prevê o inciso V do artigo 30 da Constituição Federal:”
Temos, nesse caso (texto 4), o emprego de dois números: inciso V e artigo 30; a frase independente abaixo em que a grafia do algarismo arábico é INADEQUADA é:
- AO caminhão trouxe 1.356 caixas;
- BO Grêmio ganhou de 2 X 1;
- CO ônibus viajou por 2.150 quilômetros;
- D328 passageiros chegaram de avião; (alternativa correta)
- EO ônibus 747 passou atrasado.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa D
O conceito-chave é que a grafia de números em português envolve tanto o uso correto de separadores de milhar (ponto) quanto a escolha entre escrever o número por extenso (em palavras) ou usar algarismos arábicos, dependendo do contexto e do valor do número. Geralmente, números pequenos (até dez ou vinzo) são escritos por extenso, enquanto números grandes (a partir de mil) são sempre em algarismos com ponto de milhar. Números intermediários (entre 20 e 999) podem ser escritos em algarismos, mas algumas normas de estilo preferem o uso por extenso em textos não técnicos, a menos que sejam identificadores ou dados estatísticos.
- (A) Incorreta: A grafia
1.356está adequada. Para números iguais ou superiores a 1.000, o ponto é usado como separador de milhar em português. Além disso, números grandes como este são sempre escritos em algarismos. - (B) Incorreta: A grafia
2 X 1está adequada. Em placares esportivos, é comum e aceitável o uso de algarismos, independentemente de serem números pequenos. Não há necessidade de separador de milhar. - (C) Incorreta: A grafia
2.150está adequada. Assim como na alternativa A, para números iguais ou superiores a 1.000, o ponto é usado como separador de milhar, e o uso de algarismos é o padrão. - (D) Correta: A grafia
328é considerada inadequada neste contexto. Embora o algarismo328esteja corretamente formatado (sem ponto de milhar, pois é menor que 1.000), a "inadequação" reside na escolha de usar o algarismo em vez de escrever o número por extenso ("trezentos e vinte e oito"). Em textos gerais, muitas normas de estilo recomendam escrever por extenso números que não são muito grandes (por exemplo, abaixo de 100 ou 1.000), a menos que sejam dados estatísticos, técnicos ou identificadores. Como "328 passageiros" é uma quantidade em uma frase descritiva, alguns guias de estilo prefeririam a forma por extenso. Armadilha da banca: A pegadinha é que a questão não se refere apenas à formatação interna do algarismo (uso do ponto), mas também à conveniência de se usar o algarismo em vez da forma por extenso em determinado contexto. - (E) Incorreta: A grafia
747está adequada. Embora seja um número de três dígitos, "ônibus 747" é um identificador (número de linha ou modelo). Para identificadores, números de documentos, artigos de lei (como "artigo 30" no texto-base), etc., o uso de algarismos é o padrão, independentemente do seu valor. Não há necessidade de separador de milhar.
Fonte: FGV TCE-PI 2021 Auditor de Controle Externo (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.