Questão nº 75

Questão de Engenharia Civil · FGV TCE-ES 2022 (nº 75)

FGV2022Auditor de Controle Externo - Engenharia CivilEngenharia Civil
Gabarito: Cver comentário ↓

A norma DNIT 104/2009 – ES (Terraplenagem – Serviços preliminares) menciona que, na fase de execução de estudos técnicos e de serviços topográficos, é necessário segmentar o Diagrama de Brückner, montar o “Quadro do cálculo de ordenadas do Diagrama” e o “Quadro de localização e distribuição dos materiais para terraplenagem”.

Sabe-se que, em determinado projeto de terraplenagem, pretende-se compactar aterros com massa específica aparente seca de 2,4 t/m³, e que as áreas das seções transversais de corte e de aterro são as seguintes:

  • Estaca 100: 1,5 m² (corte) e 0,5 m² (aterro);
  • Estaca 101: 0,5 m² (corte) e 1,5 m² (aterro).

Se a massa específica aparente seca do material no corte é de 2,0 t/m³, é correto afirmar, de acordo com as padronizações do DNIT, que a compensação lateral a ser realizada na estaca 101 é igual a:

Resposta comentada

Gabarito Alternativa C

O Diagrama de Brückner é uma ferramenta gráfica essencial na engenharia civil para planejar a movimentação de terra em obras de terraplenagem, mostrando o acúmulo de volumes de corte e aterro ao longo do projeto. A compensação lateral é a prática de utilizar o material escavado de um trecho de corte para preencher um aterro próximo, idealmente dentro do mesmo segmento ou estaca, visando reduzir a distância de transporte. Para isso, é fundamental converter os volumes de corte (material no estado natural) para volumes de aterro (material compactado), levando em conta as massas específicas aparentes secas de cada material.

Para resolver a questão, seguimos os passos:

  1. Determinar o segmento de cálculo: A questão pede a compensação na "Estaca 101" e fornece dados para as Estacas 100 e 101. Em projetos de terraplenagem, os volumes são geralmente calculados para os segmentos entre as estacas, utilizando a média das áreas das seções transversais. Assume-se uma distância padrão de 20 metros entre estacas.
  2. Calcular as áreas médias de corte e aterro para o segmento entre Estaca 100 e Estaca 101:
    • Área média de corte (Ac,mA_{c,m}) = (1.5 m2 (Est. 100)+0.5 m2 (Est. 101))/2=1.0 m2(1.5 \text{ m}^2 \text{ (Est. 100)} + 0.5 \text{ m}^2 \text{ (Est. 101)}) / 2 = 1.0 \text{ m}^2.
    • Área média de aterro (Aa,mA_{a,m}) = (0.5 m2 (Est. 100)+1.5 m2 (Est. 101))/2=1.0 m2(0.5 \text{ m}^2 \text{ (Est. 100)} + 1.5 \text{ m}^2 \text{ (Est. 101)}) / 2 = 1.0 \text{ m}^2.
  3. Calcular os volumes de corte e aterro para o segmento (considerando L=20 mL = 20 \text{ m}):
    • Volume de corte (material in situ) (Vc,isV_{c,is}) = Ac,m×L=1.0 m2×20 m=20 m3A_{c,m} \times L = 1.0 \text{ m}^2 \times 20 \text{ m} = 20 \text{ m}^3.
    • Volume de aterro (material compactado) (Va,compV_{a,comp}) = Aa,m×L=1.0 m2×20 m=20 m3A_{a,m} \times L = 1.0 \text{ m}^2 \times 20 \text{ m} = 20 \text{ m}^3.
  4. Converter volumes considerando as massas específicas:
    • Massa específica do material no corte (ρc\rho_c) = 2.0 t/m32.0 \text{ t/m}^3.
    • Massa específica do aterro compactado (ρa\rho_a) = 2.4 t/m32.4 \text{ t/m}^3.
    • A compensação lateral é o volume de material de corte (in situ) que pode ser utilizado para formar o aterro. Para isso, comparamos o volume de corte disponível com o volume de corte necessário para produzir o aterro compactado.
    • Volume de corte (in situ) disponível no segmento: Vc,is=20 m3V_{c,is} = 20 \text{ m}^3.
    • Volume de corte (in situ) necessário para produzir os 20 m320 \text{ m}^3 de aterro compactado:
      Vc,is_necessario=Va,comp×(ρa/ρc)=20 m3×(2.4 t/m3/2.0 t/m3)=20 m3×1.2=24 m3V_{c,is\_necessario} = V_{a,comp} \times (\rho_a / \rho_c) = 20 \text{ m}^3 \times (2.4 \text{ t/m}^3 / 2.0 \text{ t/m}^3) = 20 \text{ m}^3 \times 1.2 = 24 \text{ m}^3.
  5. Determinar a compensação lateral: A compensação lateral é o menor valor entre o volume de corte (in situ) disponível e o volume de corte (in situ) necessário para o aterro.
    • Compensação Lateral = min(Vc,is,Vc,is_necessario)\min(V_{c,is}, V_{c,is\_necessario})
    • Compensação Lateral = min(20 m3,24 m3)=20 m3\min(20 \text{ m}^3, 24 \text{ m}^3) = 20 \text{ m}^3.
  • (A) Incorreta: 40 m³ seria a soma dos volumes de corte e aterro do segmento (20 m3+20 m320 \text{ m}^3 + 20 \text{ m}^3), o que não representa a compensação lateral.
  • (B) Incorreta: 24 m³ seria o volume de corte (in situ) necessário para produzir os 20 m³ de aterro compactado. No entanto, o volume de corte disponível no segmento é de apenas 20 m³. A armadilha da banca aqui é confundir o volume de corte necessário com o volume de corte disponível para a compensação; a compensação é sempre limitada pelo menor desses dois valores.
  • (C) Correta: A compensação lateral é de 20 m³, que é o volume de corte (in situ) disponível no segmento, sendo este menor do que o volume de corte (in situ) necessário para preencher o aterro.
  • (D) Incorreta: 10 m³ seria o volume de corte (in situ) se considerássemos apenas a área de corte da Estaca 101 (0.5 m20.5 \text{ m}^2) multiplicada pela distância entre estacas (20 m), ou se a interpretação fosse de que a compensação se refere a apenas metade do segmento. No entanto, a prática usual é calcular para o segmento entre estacas usando a média das áreas.
  • (E) Incorreta: A compensação não é zero, pois há material de corte disponível que pode ser utilizado para o aterro no mesmo segmento.

Fonte: FGV TCE-ES 2022 Auditor de Controle Externo - Engenharia Civil (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.

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