Questão nº 2
Questão de Língua Portuguesa · FGV TCE-AM 2021 (nº 2)
Texto 1 – O tribunal do júri
“São pagos todos os que compõem o tribunal do júri. O presidente, o procurador da justiça, os advogados, os porteiros, possivelmente as testemunhas; a que título só os jurados, que deixam seus negócios, hão de trabalhar de graça?” (Machado de Assis)
Nesse pensamento de Machado de Assis (texto 1), há um segmento de claro valor irônico, que é:
- A“São pagos todos os que compõem o tribunal do júri”;
- B“O presidente, o procurador da justiça, os advogados, os porteiros”;
- C“...possivelmente as testemunhas”; (alternativa correta)
- D“...só os jurados, que deixam seus negócios”;
- E“...hão de trabalhar de graça?”
Resposta comentada
Gabarito Alternativa C
A ironia é uma figura de linguagem em que se diz algo com o objetivo de expressar o contrário do sentido literal, ou para realçar um absurdo, uma contradição, geralmente com um tom crítico, humorístico ou sarcástico.
- (A) Incorreta: Esta frase é uma afirmação factual que estabelece a premissa do argumento do autor, não contendo um sentido oculto ou contraditório.
- (B) Incorreta: Esta lista apresenta exemplos diretos de profissionais que são pagos no tribunal, sem qualquer intenção de expressar o oposto do que é dito.
- (C) Correta: A inclusão de "possivelmente as testemunhas" é irônica. Após listar profissionais que definitivamente são pagos (presidente, procurador, advogados, porteiros), o autor sugere que até mesmo as testemunhas (cuja remuneração é geralmente apenas o reembolso de despesas e não um "pagamento" como o dos profissionais, e ainda assim é apresentada como uma "possibilidade") poderiam ser pagas. Essa sugestão, com a incerteza do "possivelmente", serve para exagerar a extensão dos pagos e, assim, realçar o absurdo de os jurados serem os únicos a trabalhar de graça. É uma forma sutil de sarcasmo para enfatizar a injustiça.
- (D) Incorreta: Esta parte da frase descreve a situação dos jurados e o motivo pelo qual o autor argumenta que eles deveriam ser pagos. É uma constatação, não uma ironia.
- (E) Incorreta: Esta é uma pergunta retórica que expressa a indignação direta do autor sobre a situação dos jurados. Ela não esconde um sentido oposto, mas sim reforça a crítica de forma explícita. A armadilha aqui é confundir a indignação direta com a ironia, que é mais sutil e indireta.
Fonte: FGV TCE-AM 2021 Auditor Técnico de Controle Externo - Área do Ministério Público de Contas (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.