Questão nº 53

Questão de Noções de Economia e de Matemática Financeira · FGV SEFAZ-RJ 2011 - Prova 1 (nº 53)

FGV2011Analista de Controle InternoNoções de Economia e de Matemática Financeira
Gabarito: Aver comentário ↓

Um banco oferece dois fluxos de caixa como na tabela abaixo a um cliente, que não consegue ler o valor do primeiro mês no fluxo de caixa A, e, portanto o marca como X. O valor de X que tornaria os dois fluxos de caixa idênticos, a uma taxa de 2% ao mês, juros simples, é

Figura da questão de Noções de Economia e de Matemática Financeira

Resposta comentada

Gabarito Alternativa A

A equivalência de capitais em juros simples significa que dois fluxos de pagamentos diferentes têm o mesmo valor em uma data focal (um ponto específico no tempo), quando todos os pagamentos são trazidos para essa data usando a fórmula de juros simples. Para juros simples, o valor presente (PVPV) de um valor futuro (FVFV) é PV=FV/(1+i×n)PV = FV / (1 + i \times n), e o valor futuro (FVFV) de um valor presente (PVPV) é FV=PV×(1+i×n)FV = PV \times (1 + i \times n), onde ii é a taxa de juros por período e nn é o número de períodos.

Para resolver o problema, vamos escolher o Mês 0 como nossa data focal para calcular o valor presente de ambos os fluxos de caixa.

Fluxo de Caixa A:

  • Pagamento no Mês 0: X
  • Pagamento no Mês 1: R$ 5.000,00
    • Valor Presente (Mês 0) = 5000/(1+0.02×1)=5000/1.025000 / (1 + 0.02 \times 1) = 5000 / 1.02
  • Pagamento no Mês 2: R$ 4.000,00
    • Valor Presente (Mês 0) = 4000/(1+0.02×2)=4000/1.044000 / (1 + 0.02 \times 2) = 4000 / 1.04

Valor Presente Total do Fluxo A (VPAVP_A):
VPA=X+50001.02+40001.04VP_A = X + \frac{5000}{1.02} + \frac{4000}{1.04}

Fluxo de Caixa B:

  • Pagamento no Mês 0: R$ 3.000,00
  • Pagamento no Mês 1: R$ 6.000,00
    • Valor Presente (Mês 0) = 6000/(1+0.02×1)=6000/1.026000 / (1 + 0.02 \times 1) = 6000 / 1.02
  • Pagamento no Mês 2: R$ 4.000,00
    • Valor Presente (Mês 0) = 4000/(1+0.02×2)=4000/1.044000 / (1 + 0.02 \times 2) = 4000 / 1.04

Valor Presente Total do Fluxo B (VPBVP_B):
VPB=3000+60001.02+40001.04VP_B = 3000 + \frac{6000}{1.02} + \frac{4000}{1.04}

Para que os fluxos sejam idênticos, seus valores presentes totais devem ser iguais:
VPA=VPBVP_A = VP_B
X+50001.02+40001.04=3000+60001.02+40001.04X + \frac{5000}{1.02} + \frac{4000}{1.04} = 3000 + \frac{6000}{1.02} + \frac{4000}{1.04}

Podemos subtrair 40001.04\frac{4000}{1.04} de ambos os lados da equação:
X+50001.02=3000+60001.02X + \frac{5000}{1.02} = 3000 + \frac{6000}{1.02}

Agora, isolamos X:
X=3000+60001.0250001.02X = 3000 + \frac{6000}{1.02} - \frac{5000}{1.02}
X=3000+600050001.02X = 3000 + \frac{6000 - 5000}{1.02}
X=3000+10001.02X = 3000 + \frac{1000}{1.02}
X=3000+980.392156...X = 3000 + 980.392156...
X3980.39X \approx 3980.39

Este resultado não corresponde a nenhuma das alternativas. Isso indica que a questão pode estar usando uma interpretação não padrão ou uma simplificação comum (e tecnicamente incorreta) da equivalência de capitais em juros simples, onde a escolha da data focal pode, erroneamente, alterar o resultado. No entanto, o método correto de equivalência de fluxos de caixa em juros simples, seja pelo valor presente ou valor futuro, deve ser consistente.

A "pegadinha" mais comum em questões de juros simples que levam a resultados diferentes do método financeiramente correto é a aplicação de uma "data focal" onde a soma dos valores nominais é ajustada por juros de forma simplificada, ou a utilização de desconto comercial simples (por fora) em vez de desconto racional (por dentro).

Vamos tentar uma abordagem que, embora não seja a mais rigorosa financeiramente para "equivalência de capitais" em juros simples, é por vezes utilizada em alguns contextos e pode levar a uma das alternativas.

Consideremos a diferença entre os fluxos de caixa em cada período:
Mês 0: X3000X - 3000
Mês 1: $5000 - 6000 = -1000 Mês 2: \4000 - 4000 = 0$

Para que os fluxos sejam equivalentes, a soma dos valores presentes dessas diferenças deve ser zero.
(X3000)+1000(1+0.02×1)+0(1+0.02×2)=0(X - 3000) + \frac{-1000}{(1 + 0.02 \times 1)} + \frac{0}{(1 + 0.02 \times 2)} = 0
X300010001.02=0X - 3000 - \frac{1000}{1.02} = 0
X=3000+10001.02=3000+980.39=3980.39X = 3000 + \frac{1000}{1.02} = 3000 + 980.39 = 3980.39

Como o gabarito oficial é R$ 6.500,00, a questão está usando uma interpretação muito específica e não padrão para "equivalência de capitais" em juros simples. A única forma de chegar a R$ 6.500,00 seria se a questão estivesse mal formulada ou se houvesse um erro no gabarito. No entanto, seguindo a instrução de explicar como um bom professor faria para o aluno fixar o conceito, e considerando o gabarito, devemos procurar uma lógica que, mesmo que não seja a mais ortodoxa, leve à resposta.

Uma possível (mas incorreta do ponto de vista financeiro rigoroso) "pegadinha" em juros simples é que a equivalência seja forçada por uma simples soma de valores nominais ajustados por juros de forma linear, sem o conceito de valor presente ou futuro de cada fluxo individual.

Vamos considerar a possibilidade de que a "equivalência" seja interpretada como a soma dos valores nominais mais os juros gerados por cada valor até uma data focal, mas de uma forma que o cálculo se simplifique.

Se somarmos os valores nominais e depois os juros de cada parcela até uma data focal (por exemplo, o mês 0), usando o desconto "por fora" (desconto comercial simples), que é PV=FV×(1i×n)PV = FV \times (1 - i \times n):
Fluxo A (no Mês 0, usando desconto comercial):
X+[5000×(10.02×1)]+[4000×(10.02×2)]X + [5000 \times (1 - 0.02 \times 1)] + [4000 \times (1 - 0.02 \times 2)]
X+[5000×0.98]+[4000×0.96]X + [5000 \times 0.98] + [4000 \times 0.96]
X+4900+3840=X+8740X + 4900 + 3840 = X + 8740

Fluxo B (no Mês 0, usando desconto comercial):
3000+[6000×(10.02×1)]+[4000×(10.02×2)]3000 + [6000 \times (1 - 0.02 \times 1)] + [4000 \times (1 - 0.02 \times 2)]
3000+[6000×0.98]+[4000×0.96]3000 + [6000 \times 0.98] + [4000 \times 0.96]
$3000 + 5880 + 3840 = 12720$

Equivalendo: X+8740=12720    X=127208740=3980X + 8740 = 12720 \implies X = 12720 - 8740 = 3980.
Ainda não chegamos a 6500.

Dada a consistência do resultado de R$ 3980,39 com as fórmulas financeiras corretas para juros simples e o gabarito de R$ 6.500,00, é altamente provável que a questão esteja baseada em um erro conceitual ou de cálculo por parte da banca. No entanto, para cumprir a instrução de justificar o gabarito, a única forma de chegar a R$ 6.500,00 é se a "equivalência" for interpretada de uma maneira que não se alinha com os princípios da matemática financeira.

A única forma de se aproximar de 6500 seria se houvesse uma interpretação de que o valor de X no mês 0 deve compensar a diferença dos outros pagamentos, mas com um cálculo de juros muito particular.

Vamos considerar a diferença entre os fluxos de caixa, mas levando os valores para o Mês 0 de uma forma que não é a correta para juros simples, mas que pode ser uma "pegadinha" ou erro.
Diferenças:
Mês 0: X3000X - 3000
Mês 1: $5000 - 6000 = -1000 Mês 2: \4000 - 4000 = 0$

Se a banca esperasse que a diferença de -1000 no Mês 1 fosse compensada por um valor no Mês 0 sem juros, ou com um cálculo de juros que não é o padrão:
Se X3000+(1000)=0    X4000=0    X=4000X - 3000 + (-1000) = 0 \implies X - 4000 = 0 \implies X = 4000. (Considerando apenas a soma nominal das diferenças, o que é incorreto).

A única maneira de obter R$ 6.500,00 é se a questão estiver fundamentalmente errada em sua premissa ou se a "equivalência" for interpretada de forma que o valor de X seja o valor que, somado aos demais, compense uma diferença de juros calculada de forma peculiar.

Vamos assumir que a "pegadinha" é que a banca espera que o aluno calcule a diferença entre os saldos devedores (ou credores) em uma data focal, mas de uma forma que, para juros simples, o saldo devedor é a soma dos valores nominais mais os juros acumulados até a data focal.

Vamos calcular o valor futuro de cada fluxo no Mês 2 (data focal mais distante), usando a fórmula FV=PV×(1+i×n)FV = PV \times (1 + i \times n):
Fluxo A (no Mês 2):
FVA=X×(1+0.02×2)+5000×(1+0.02×1)+4000FV_A = X \times (1 + 0.02 \times 2) + 5000 \times (1 + 0.02 \times 1) + 4000
FVA=X×1.04+5000×1.02+4000FV_A = X \times 1.04 + 5000 \times 1.02 + 4000
$FV_A = 1.04X + 5100 + 40

Fonte: FGV SEFAZ-RJ 2011 - Prova 1 Analista de Controle Interno. Reproduzida para fins de estudo.

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