Questão nº 2

Questão de Língua Portuguesa · FGV SEFAZ-RJ 2011 - Prova 1 (nº 2)

FGV2011Analista de Controle InternoLíngua Portuguesa
Gabarito: Ever comentário ↓

Cidadania e Responsabilidade Social do Contador como agente da conscientização tributária das empresas e da sociedade

Entende-se que a arrecadação incidente sobre os diversos setores produtivos é necessária para a manutenção da máquina governamental, para a sustentação do Estado em suas atribuições sociais e para aplicação na melhoria da qualidade de vida da população. É imprescindível que a tributação seja suportável e mais bem distribuída e que contribuam com justiça e se beneficiem dessa contribuição.

A conjuntura atual exige maior qualificação em todas as áreas do conhecimento; assim, a profissão contábil deve despertar para a conscientização tributária. Conceitos como parceria e corresponsabilidade no sistema tributário somente podem ser efetivados se a sociedade como um todo estiver mais esclarecida e comprometida. Apresentar alguns fatores como a falta de conscientização tributária e participação cidadã pode representar um alerta, mas não é o suficiente.

Ao analisar o progresso da humanidade, percebe-se que o desenvolvimento social e econômico foi possível porque o homem sistematizou formas de organização entre os povos. A necessidade de organização fez com que o Estado se tornasse o elemento direcionador desse processo. E, como forma de se autofinanciar, criou o tributo a fim de possibilitar as condições mínimas de sobrevivência para a sociedade civil. E, como partícipe e ponto referencial de controle, exatidão e confiança, surgiu o profissional contábil.

O contador – aqui citado na forma masculina sem querer suscitar questões de gênero – não pode mais ser visto como o profissional dos números, e sim um profissional que agrega valor, espírito investigativo, consciência crítica e sensibilidade ética. Se a atual conjuntura exige maior qualificação profissional, o conhecimento contábil deve transcender o processo específico e visualizar questões globais pertinentes ao novo mundo do trabalho, que exige criatividade, perfil de empreender e habilidade de aprender, principalmente nas relações sociais.

Sendo assim, alguns conceitos tornam-se essenciais para estabelecer a relação entre Estado, sociedade, empresa e o contador. O Estado tem por missão suprir as necessidades básicas da população; assim, sua eficiência e transparência tornam-se mister do processo.

Entre a sociedade, a empresa e o Estado, está o profissional contábil, que, por sua vez, é o elo entre Fisco e contribuinte. É de fundamental importância que esse profissional aprimore seu entendimento tributário, percebendo sua necessidade. Ratifica-se, assim, o conceito de que a conscientização tributária pode representar um ponto de partida para a formação cidadã como uma das formas eficazes de atender às demandas sociais, com maior controle sobre a coisa pública.

É dever do Estado manter as necessidades básicas da população; e, para isso, são impostas obrigações. Os contribuintes, porém, não possuem apenas deveres, mas também plenos direitos.

Se o Fisco – aqui referenciando-se o estadual – é por demais significativo para o funcionamento da máquina administrativa, sua eficiência e transparência tornam-se mister do processo. Nesse sentido, se a evasão tributária é uma doença social, seu combate ou tratamento não pode ficar restrito aos seus agentes; é necessário o envolvimento de toda a sociedade. Entretanto, interesses diversos sempre deixaram a sociedade à margem do processo, como se ela não precisasse participar de forma efetiva das decisões econômicas e, em contrapartida, contribuir de forma direta e irrestrita para a própria sustentação.

(...)


O contador – aqui citado na forma masculina sem querer suscitar questões de gênero – não pode mais ser visto como o profissional dos números, e sim um profissional que agrega valor, espírito investigativo, consciência crítica e sensibilidade ética. (L.28-32)
A respeito do período acima, analise as afirmativas a seguir:
I. O par de travessões poderia ser substituído por um par de parênteses.
II. As duas ocorrências da conjunção E têm valor aditivo.
III. A primeira oração do período está na voz passiva.
Assinale

Resposta comentada

Gabarito Alternativa E

Travessões e parênteses são sinais de pontuação usados para isolar informações adicionais ou explicativas em uma frase. A voz passiva ocorre quando o sujeito da frase sofre a ação do verbo, geralmente com um verbo auxiliar (ser, estar) e o particípio do verbo principal. A conjunção "e" geralmente indica adição, mas pode ter outros valores dependendo do contexto.

  • (A) Incorreta: A afirmativa II está incorreta, pois a primeira ocorrência da conjunção "e" (em "e sim") não tem valor aditivo, mas sim adversativo/retificativo.
  • (B) Incorreta: A afirmativa II está incorreta, pois a primeira ocorrência da conjunção "e" (em "e sim") não tem valor aditivo, mas sim adversativo/retificativo.
  • (C) Incorreta: A afirmativa II está incorreta, pois a primeira ocorrência da conjunção "e" (em "e sim") não tem valor aditivo, mas sim adversativo/retificativo.
  • (D) Incorreta: As afirmativas I e III estão corretas.
  • (E) Correta:
    • I. O par de travessões poderia ser substituído por um par de parênteses. Correto. Tanto travessões quanto parênteses podem ser usados para isolar um comentário ou uma explicação adicional na frase, como é o caso de "aqui citado na forma masculina sem querer suscitar questões de gênero".
    • II. As duas ocorrências da conjunção E têm valor aditivo. Incorreto. A primeira ocorrência, em "e sim", não tem valor aditivo, mas sim adversativo ou retificativo (equivalente a "mas sim"). A segunda ocorrência, em "espírito investigativo, consciência crítica e sensibilidade ética", tem valor aditivo, ligando elementos de uma enumeração. Como a afirmação diz "as duas ocorrências", ela se torna falsa.
    • III. A primeira oração do período está na voz passiva. Correto. A oração "O contador... não pode mais ser visto como o profissional dos números" está na voz passiva analítica, formada pelo verbo auxiliar "ser" e o particípio "visto". O sujeito "O contador" sofre a ação de "ser visto".

Fonte: FGV SEFAZ-RJ 2011 - Prova 1 Analista de Controle Interno. Reproduzida para fins de estudo.

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