Questão nº 8
Questão de Língua Portuguesa · FGV SEFAZ-RJ 2011 - Prova 1 (nº 8)
Cidadania e Responsabilidade Social do Contador como agente da conscientização tributária das empresas e da sociedade
Entende-se que a arrecadação incidente sobre os diversos setores produtivos é necessária para a manutenção da máquina governamental, para a sustentação do Estado em suas atribuições sociais e para aplicação na melhoria da qualidade de vida da população. É imprescindível que a tributação seja suportável e mais bem distribuída e que contribuam com justiça e se beneficiem dessa contribuição.
A conjuntura atual exige maior qualificação em todas as áreas do conhecimento; assim, a profissão contábil deve despertar para a conscientização tributária. Conceitos como parceria e corresponsabilidade no sistema tributário somente podem ser efetivados se a sociedade como um todo estiver mais esclarecida e comprometida. Apresentar alguns fatores como a falta de conscientização tributária e participação cidadã pode representar um alerta, mas não é o suficiente.
Ao analisar o progresso da humanidade, percebe-se que o desenvolvimento social e econômico foi possível porque o homem sistematizou formas de organização entre os povos. A necessidade de organização fez com que o Estado se tornasse o elemento direcionador desse processo. E, como forma de se autofinanciar, criou o tributo a fim de possibilitar as condições mínimas de sobrevivência para a sociedade civil. E, como partícipe e ponto referencial de controle, exatidão e confiança, surgiu o profissional contábil.
O contador – aqui citado na forma masculina sem querer suscitar questões de gênero – não pode mais ser visto como o profissional dos números, e sim um profissional que agrega valor, espírito investigativo, consciência crítica e sensibilidade ética. Se a atual conjuntura exige maior qualificação profissional, o conhecimento contábil deve transcender o processo específico e visualizar questões globais pertinentes ao novo mundo do trabalho, que exige criatividade, perfil de empreender e habilidade de aprender, principalmente nas relações sociais.
Sendo assim, alguns conceitos tornam-se essenciais para estabelecer a relação entre Estado, sociedade, empresa e o contador. O Estado tem por missão suprir as necessidades básicas da população; assim, sua eficiência e transparência tornam-se mister do processo.
Entre a sociedade, a empresa e o Estado, está o profissional contábil, que, por sua vez, é o elo entre Fisco e contribuinte. É de fundamental importância que esse profissional aprimore seu entendimento tributário, percebendo sua necessidade. Ratifica-se, assim, o conceito de que a conscientização tributária pode representar um ponto de partida para a formação cidadã como uma das formas eficazes de atender às demandas sociais, com maior controle sobre a coisa pública.
É dever do Estado manter as necessidades básicas da população; e, para isso, são impostas obrigações. Os contribuintes, porém, não possuem apenas deveres, mas também plenos direitos.
Se o Fisco – aqui referenciando-se o estadual – é por demais significativo para o funcionamento da máquina administrativa, sua eficiência e transparência tornam-se mister do processo. Nesse sentido, se a evasão tributária é uma doença social, seu combate ou tratamento não pode ficar restrito aos seus agentes; é necessário o envolvimento de toda a sociedade. Entretanto, interesses diversos sempre deixaram a sociedade à margem do processo, como se ela não precisasse participar de forma efetiva das decisões econômicas e, em contrapartida, contribuir de forma direta e irrestrita para a própria sustentação.
(...)
Assinale a alternativa em que a oração desempenhe função sintática DISTINTA da de que o desenvolvimento social e econômico foi possível (L.19-20).
- Aque a arrecadação incidente sobre os diversos setores produtivos é necessária para a manutenção da máquina governamental, para a sustentação do Estado em suas atribuições sociais e para aplicação na melhoria da qualidade de vida da população (L.1-5)
- Bque a tributação seja suportável (L.6)
- Cmanter as necessidades básicas da população (L.54-55)
- Dque esse profissional aprimore seu entendimento tributário (L.47-48)
- Eparticipar de forma efetiva das decisões econômicas (L.67-68) (alternativa correta)
Resposta comentada
Gabarito Alternativa E
As orações subordinadas substantivas são aquelas que exercem funções sintáticas próprias de um substantivo em relação à oração principal, como sujeito, objeto direto, objeto indireto, complemento nominal, predicativo ou aposto. Elas podem ser introduzidas por conjunções (geralmente "que" ou "se") ou ser reduzidas (com o verbo no infinitivo, gerúndio ou particípio).
A oração-alvo é: "que o desenvolvimento social e econômico foi possível" (L.19-20).
No contexto "percebe-se que o desenvolvimento social e econômico foi possível", a construção "verbo + se + que" indica que a oração iniciada por "que" funciona como sujeito da oração principal. Podemos testar substituindo a oração por "Isso": "Isso é percebido". Portanto, a oração-alvo é uma Oração Subordinada Substantiva Subjetiva.
A) Incorreta: "que a arrecadação incidente sobre os diversos setores produtivos é necessária para a manutenção da máquina governamental, para a sustentação do Estado em suas atribuições sociais e para aplicação na melhoria da qualidade de vida da população" (L.1-5). No contexto "Entende-se que a arrecadação...", a oração funciona como sujeito da oração principal (Isso é entendido). É uma Oração Subordinada Substantiva Subjetiva, mesma função da oração-alvo.
B) Incorreta: "que a tributação seja suportável" (L.6). No contexto "É imprescindível que a tributação seja suportável...", a oração funciona como sujeito do verbo "é" (Isso é imprescindível). É uma Oração Subordinada Substantiva Subjetiva, mesma função da oração-alvo.
C) Incorreta: "manter as necessidades básicas da população" (L.54-55). No contexto "É dever do Estado manter as necessidades básicas da população...", a oração reduzida de infinitivo funciona como sujeito do verbo "é" (Isso é dever do Estado). É uma Oração Subordinada Substantiva Subjetiva Reduzida de Infinitivo, mesma função da oração-alvo.
D) Incorreta: "que esse profissional aprimore seu entendimento tributário" (L.47-48). No contexto "É de fundamental importância que esse profissional aprimore seu entendimento tributário...", a oração funciona como sujeito da locução verbal "É de fundamental importância" (Isso é de fundamental importância). É uma Oração Subordinada Substantiva Subjetiva, mesma função da oração-alvo.
(E) Correta: "participar de forma efetiva das decisões econômicas" (L.67-68). No contexto "...como se ela não precisasse participar de forma efetiva das decisões econômicas...", o verbo "precisar", quando seguido de um infinitivo, rege um objeto direto. A oração reduzida de infinitivo "participar de forma efetiva das decisões econômicas" funciona como objeto direto do verbo "precisasse" (Ela não precisasse disso). É uma Oração Subordinada Substantiva Objetiva Direta Reduzida de Infinitivo, exercendo função DISTINTA da oração-alvo (que é Subjetiva).
Armadilha da banca: A principal "pegadinha" seria interpretar o "se" em "percebe-se" (da oração-alvo) como um índice de indeterminação do sujeito, o que faria a oração "que..." ser um objeto direto. No entanto, em construções "verbo transitivo direto + se + que", o "se" atua como partícula apassivadora, e a oração "que" exerce a função de sujeito paciente. Mesmo que se caísse nessa armadilha e considerasse a oração-alvo como Objetiva Direta, as alternativas A, B, C e D continuariam sendo Subjetivas, e E seria Objetiva Direta, o que ainda tornaria E a única com a mesma função, ou seja, as outras seriam as "distintas". Para evitar essa contradição e seguir a regra gramatical, a oração-alvo é Subjetiva, e E é a única com função distinta (Objetiva Direta).
Fonte: FGV SEFAZ-RJ 2011 - Prova 1 Analista de Controle Interno. Reproduzida para fins de estudo.