Questão nº 37
Questão de Educação Especial · FGV SEE-MG 2023 (nº 37)
Existe uma diferença crucial entre entender a surdez como uma deficiência e entendê-la como uma diferença. Aí se pode estabelecer uma raia divisória entre a concepção clínica da surdez e a concepção sócio-antropológica.
Em relação às práticas educacionais para alunos surdos, é correto afirmar que
- Amuitos alunos surdos apresentam dificuldade de aprender a Língua de Sinais, uma vez que esta não apresenta as mesmas características que a língua oral, como versatilidade, flexibilidade, arbitrariedade e dupla articulação.
- Bé comum encontrar produções teórico-metodológicas relacionadas à pedagogia visual na área dos surdos, levando em conta estudos contemporâneos atrelados à imagem visual, semiótica imagética.
- Co mapa conceitual é das uma das estratégias pedagógicas que atende à especificidade visual do aluno surdo, uma vez que são utilizadas imagens e a forma escrita das palavras, possibilitando trabalhar LIBRAS e a Língua Portuguesa de forma concreta. (alternativa correta)
- Dno Brasil, a educação bilíngue das pessoas surdas é feita por intermédio da Língua Portuguesa, na modalidade escrita, considerada como primeira língua, enquanto a Língua de Sinais é considerada como segunda língua.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa C
O conceito-chave aqui é entender que a surdez não é apenas uma "deficiência" a ser corrigida, mas uma "diferença" que implica uma forma visual de perceber o mundo e se comunicar, principalmente através da Língua de Sinais (Libras). Uma boa prática educacional para surdos deve valorizar essa especificidade visual e a Libras como primeira língua.
(A) Incorreta: Esta afirmação é falsa. A Língua de Sinais (como a Libras) é uma língua natural completa, com todas as características das línguas orais (versatilidade, flexibilidade, arbitrariedade e dupla articulação). Alunos surdos, quando expostos desde cedo, aprendem a Língua de Sinais de forma natural e sem dificuldade, sendo esta sua língua de acesso ao mundo. A armadilha da banca é explorar o senso comum de que a língua de sinais seria "inferior" ou mais difícil de aprender para os surdos, o que é um preconceito.
(B) Incorreta: Embora seja verdade que existam muitas produções teóricas sobre pedagogia visual e semiótica imagética na área da surdez (o que é positivo e necessário), esta alternativa é muito genérica e não descreve uma prática educacional específica ou seu benefício direto para o aluno, como a alternativa correta faz. Ela apenas constata uma tendência teórica.
(C) Correta: O mapa conceitual é uma ferramenta pedagógica altamente visual que organiza informações de forma hierárquica e relacional, utilizando caixas, setas, palavras-chave e, crucialmente, imagens. Para o aluno surdo, cuja principal via de aprendizado é visual, essa estratégia é extremamente eficaz. Permite conectar conceitos em Libras (visual-espacial) com a forma escrita da Língua Portuguesa, facilitando o desenvolvimento bilíngue e a compreensão de conteúdos de forma concreta e acessível.
(D) Incorreta: No Brasil, a educação bilíngue para surdos preconiza a Libras como primeira língua (L1) e a Língua Portuguesa (na modalidade escrita) como segunda língua (L2). Inverter essa ordem, como a alternativa sugere, desconsidera a Libras como língua natural e de acesso à cognição para o surdo, o que vai contra os princípios da educação bilíngue e da concepção socioantropológica da surdez.
Fonte: FGV SEE-MG 2023 Terapeuta Ocupacional (CREI) (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.