Questão nº 26
Questão de Questão · FGV MPMS 2012 (nº 26)
Política externa brasileira
O Brasil tem, nas últimas décadas, reivindicado um assento permanente no Conselho de Segurança na Organização das Nações Unidas – ONU. A esse respeito, assinale a afirmativa correta.
- AA impotência da ONU, diante da invasão militar do Iraque pelos EUA, levou países como a Índia e a Alemanha a pleitear uma vaga permanente no Conselho de Segurança.
- BApesar da falta de apoio dos EUA, a reivindicação brasileira para participar como membro permanente no Conselho de Segurança contou com o aval regional do México e da Argentina, que reconhecem a hegemonia brasileira na América Latina.
- CA participação do Brasil na Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (MINUSTAH), com a invasão militar da ilha, contribuiu para sustentar o projeto brasileiro de reforma do Conselho de Segurança.
- DEm 2011, o Brasil insistiu na candidatura a um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU, mas, se isso não se concretizasse, o Brasil deveria passar a ocupar um assento rotativo.
- EO Brasil sustenta sua candidatura a um assento permanente no Conselho de Segurança tanto nas dimensões de sua economia e de sua participação nos processos decisórios multilaterais, quanto na sua experiência e estabilidade no cenário político internacional. (alternativa correta)
Resposta comentada
Gabarito Alternativa E
O conceito-chave é que a candidatura brasileira a um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU se baseia em argumentos de legitimidade e capacidade (peso econômico, estabilidade democrática, tradição diplomática e atuação em missões de paz), e não em meras negociações bilaterais ou em crises específicas da ONU. A banca testa se você conhece os fundamentos estruturais da política externa brasileira, e não fatos isolados ou boatos.
- (A) Incorreta: A invasão do Iraque em 2003 (sem aval do Conselho) gerou críticas à ONU, mas a Índia e a Alemanha (com o Brasil e o Japão, formando o G4) já pleiteavam a vaga antes desse episódio, como parte de uma agenda de reforma do Conselho, e não como reação direta a ele.
- (B) Incorreta: A reivindicação brasileira não contou com aval automático do México e da Argentina; pelo contrário, esses países (especialmente o México) são contrários à ampliação de assentos permanentes, pois temem a hegemonia regional brasileira. O apoio explícito dos EUA ao Brasil só veio em momentos pontuais (como em 2023), mas não é um consenso regional.
- (C) Incorreta: A MINUSTAH (2004-2017) foi uma missão de estabilização (com uso de força autorizado pela ONU), não uma "invasão militar" da ilha. A participação brasileira no Haiti fortaleceu a credibilidade do Brasil como peacekeeper, mas a afirmação sobre "invasão" é factualmente errada e distorce o caráter da missão.
- (D) Incorreta: Em 2011, o Brasil (sob Dilma Rousseff) reafirmou a candidatura a um assento permanente, mas não condicionou isso a "ocupar um assento rotativo" como alternativa. O Brasil sempre defendeu a reforma do Conselho como um todo, e a alternativa de assento rotativo é uma medida paliativa que não substitui a reivindicação principal.
- (E) Correta: Esta é a síntese oficial da posição brasileira: o país sustenta sua candidatura com base no peso econômico (uma das maiores economias do mundo), na participação ativa em fóruns multilaterais (como o G20, BRICS e a própria ONU) e na estabilidade política e experiência diplomática (sem conflitos bélicos regionais e com tradição de solução pacífica de controvérsias). É exatamente esse tripé que o Itamaraty usa como argumento.
Fonte: FGV MPMS 2012 Conhecimentos Comuns (Analista). Reproduzida para fins de estudo.