Questão de Contabilidade Aplicada ao Setor Público — FGV CGE-SP 2025 (nº 118)
Em 01/07/2024, uma entidade do setor público adquiriu um título de renda dos Estados Unidos cujo valor nominal era de US$ 20,000, com validade de 9 meses. Na data, o dólar estava cotado a R$ 5,60.
Em 31/12/2024, a cotação do dólar era R$ 6,20.
No segundo semestre de 2024, a inflação norte-americana foi de 2%, enquanto a brasileira foi de 5%.
No Balanço Patrimonial de 31/12/2024, a entidade reconheceu o título por
- AR$ 108.640.
- BR$ 112.000.
- CR$ 120.280.
- DR$ 124.000.
- ER$ 127.720.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa D
No setor público, ativos e passivos em moeda estrangeira são inicialmente registrados pelo valor em moeda nacional na data da transação. Posteriormente, em cada data de encerramento do período de demonstração, esses itens devem ser remesurados (ajustados) à taxa de câmbio vigente.
- (A) Incorreta: Este valor resulta de um cálculo que não considera a remensuração correta do principal pelo câmbio da data de encerramento, misturando o valor nominal com a inflação.
- (B) Incorreta: Este valor é o principal em dólares convertido pela taxa de câmbio da data de aquisição (US 20.000 \* R\ 5,60), sem considerar a remensuração cambial ao final do período.
- (C) Incorreta: Este valor tenta incorporar a inflação, mas o cálculo da remensuração cambial não foi aplicado corretamente sobre o principal.
- (D) Correta: O título é remensurado ao valor em reais pela taxa de câmbio da data de encerramento (31/12/2024). O valor nominal em dólares (US$ 20.000) é multiplicado pela cotação do dólar em 31/12/2024 (R$ 6,20), resultando em R$ 124.000 (US 20.000 \* R\ 6,20). A inflação e o prazo restante não afetam o valor contábil do principal para fins de remensuração cambial neste contexto.
- (E) Incorreta: Este valor é um resultado de um cálculo que tenta incluir a inflação de forma incorreta na remensuração cambial.
O conceito-chave aqui é a remensuração cambial. Ativos e passivos em moeda estrangeira devem ser ajustados para o valor em moeda nacional usando a taxa de câmbio da data de encerramento. A inflação, embora relevante para a economia, não é o fator direto para o ajuste contábil do principal de um ativo financeiro em moeda estrangeira na data de balanço, a menos que haja outros instrumentos ou tratamentos específicos não mencionados. A pegadinha da banca reside em tentar induzir o candidato a incluir a inflação no cálculo do valor contábil do principal, quando o que prevalece para a remensuração é a taxa de câmbio da data de encerramento.
Fonte: FGV CGE-SP 2025 Auditor Estadual de Controle - Auditoria (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.
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