Questão nº 16
Questão de Língua Portuguesa · FCC TST 2017 (nº 16)
Atenção: As questões de números 13 a 16 referem-se ao texto abaixo.
Do autor para o leitor
Quando falo de pessoa a pessoa, quer dizer, da pessoa-autor que sou à pessoa-leitor que o leitor é, tudo o que faço é depositar nele a inquietação para definir as mudanças que ele imagine necessárias. Porque não estou nada seguro de que estejamos, leitor e autor, de acordo. Escrevo para compreender, e desejaria que o leitor fizesse o mesmo, que lesse para compreender. Compreender o quê? Não para compreender algo na linha em que estou pensando. Ele tem os seus próprios motivos e razões para compreender algo, mas esse algo é ele que determina. Quando alguém está em uma leitura e levanta o olhar como se estivesse a aprender, mostra que está envolvido com o que alguém escreveu: “Isto é meu, isto tem a ver comigo.”
Considere as seguintes orações:
I. Saramago aborda a relação entre autor e escritor.
II. A relação entre autor e escritor pode ser problemática.
III. Autor e escritor podem ter opiniões bastante distintas.
As afirmações acima articulam-se com clareza, coerência e correção no período:
Este texto de apoio vale também pra questão nº 13, questão nº 14, questão nº 15.
- AAinda quando seja problemática para Saramago, a relação entre autor e escritor haveriam de expressar opiniões bem distintas.
- BAo abordar a relação entre autor e escritor, cujos podem emitir opiniões diversas, Saramago considera que a mesma pode ser problemática.
- CPara Saramago, a relação entre autor e escritor, cujas opiniões podem ser bastante distintas, é possivelmente problemática. (alternativa correta)
- DAssim como podem haver opiniões distintas, a relação entre autor e escritor será problemática na medida que Saramago a aborda.
- EAs opiniões distintas entre autor e escritor, tal como Saramago as aborda, não deixa de ser igualmente uma relação problemática.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa C
Conceito-chave: Coesão e coerência dependem de conectar ideias com pronomes relativos (que, cujas, o qual) e conectivos (mas, portanto, embora) de forma lógica e gramaticalmente correta. O pronome "cujas" indica posse (as opiniões pertencem a eles) e concorda em gênero e número com o substantivo seguinte.
- (A) Incorreta: "haveriam de expressar" está no plural, mas o sujeito é "a relação" (singular); além disso, "autor e escritor" são tratados como se fossem a mesma coisa, o que foge ao sentido do texto (que distingue autor de leitor).
- (B) Incorreta: "cujos podem emitir" é erro grave: "cujos" exige um substantivo depois (ex.: "cujos pontos de vista"), não pode ser seguido de verbo; além disso, "a mesma" é redundante e quebra a fluidez.
- (C) Correta: O período usa "cujas opiniões podem ser bastante distintas" com correção (posse + concordância), e "é possivelmente problemática" expressa a ideia de incerteza do autor, mantendo coesão e coerência com o texto.
- (D) Incorreta: "Assim como podem haver" deveria ser "pode haver" (verbo haver impessoal); "na medida que" é inadequado — o correto seria "na medida em que"; além disso, a relação de causa e efeito não é a do texto.
- (E) Incorreta: "As opiniões distintas... não deixa de ser" tem erro de concordância (o sujeito é plural "opiniões", então seria "não deixam"); além disso, a inversão da frase torna o sentido confuso e pouco claro.
Armadilha da banca (distrator mais tentador, B): A banca atrai o aluno com "cujos" (que parece sofisticado), mas o pronome relativo "cujo" nunca vem sozinho — ele sempre exige um substantivo logo depois (ex.: "cujos autores"). Quem não domina essa regra acha que "cujos podem emitir" está certo, mas é um erro clássico de regência e coesão.
Fonte: FCC TST 2017 Conhecimentos Comuns (Analista Apoio Especializado TST) (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.