Questão nº 56
Questão de Arquitetura · FCC TRT7 2024 (nº 56)
Em "Transparência: literal e fenomenal", escrito em 1955-56, em colaboração com Robert Slutzky, Colin Rowe explica que a transparência pode ser uma qualidade inerente à substância – como ocorre em uma tela metálica ou em uma parede de vidro –, ou pode ser uma qualidade inerente à organização. E assim evidencia que é importante a distinção entre transparência literal ou real e transparência fenomenal ou aparente.
Observe a seguir desenhos e imagens da Bauhaus, Dessau (Walter Gropius, 1925-26) e do Palácio da Liga das Nações, Genebra (Le Corbusier, 1927), utilizados por Rowe em seu texto e considere:

I. Na Bauhaus, esquinas e ângulos, índices da dimensão espacial, são contundentes e definitivos. No Palácio da Liga das Nações, estão desmaterializados.
II. Na Bauhaus o vidro fornece uma superfície tão definida e esticada quanto a "pele de um tambor"; no Palácio da Liga das Nações as paredes de vidro fundem-se, misturam-se, envolvem o edifício e, noutro sentido, contribuem para aquele processo de dissolução no campo arquitetônico.
III. Le Corbusier presta especial atenção às qualidades planas do vidro e Gropius aos seus atributos translúcidos.
IV. A Bauhaus estrutura-se pela ideia de estabelecer um pedestal sobre o qual dispor uma sucessão de planos horizontais, e importa que esses planos sejam visíveis através de uma cortina de vidro. No Palácio da Liga das Nações, embora se possa ver através de suas janelas, não é nelas que se encontra a transparência do edifício.
Está correto o que se afirma em
- AIII e IV, apenas. (alternativa correta)
- BI, II, e IV, apenas.
- CII e III, apenas.
- DI, II, III e IV.
- EI e III, apenas.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa A
A transparência literal é a capacidade física de um material (como o vidro) de permitir a passagem da luz e da visão, revelando o que está por trás. Já a transparência fenomenal é uma qualidade perceptiva da organização espacial, onde volumes e planos se sobrepõem e interpenetram, criando uma leitura ambígua e complexa do espaço, independentemente da transparência física do material.
- I. Incorreta: Embora a Bauhaus apresente esquinas definidas, a afirmação de que as esquinas do Palácio da Liga das Nações estão "desmaterializadas" é uma generalização que não capta a essência da transparência fenomenal de Rowe, que se concentra na ambiguidade espacial e interpenetração de planos, e não necessariamente na dematerialização física das esquinas de forma absoluta.
- II. Incorreta: A descrição da Bauhaus como uma "pele de tambor" é precisa para a transparência literal. No entanto, a afirmação de que as paredes de vidro do Palácio da Liga das Nações "fundem-se, misturam-se, envolvem o edifício" não se alinha com a abordagem de Le Corbusier, que utiliza o vidro em camadas e recuos para criar profundidade e ambiguidade, e não uma fusão contínua.
- III. Correta: Gropius, na Bauhaus, explora a transparência direta do vidro (seus "atributos translúcidos" ou transparentes) para revelar a estrutura interna. Le Corbusier, por sua vez, usa o vidro como um "plano" dentro de uma composição complexa, onde sua transparência contribui para a percepção de camadas e interpenetração espacial, caracterizando a transparência fenomenal.
- IV. Correta: A Bauhaus exemplifica a transparência literal ao expor seus planos horizontais através da cortina de vidro. Para o Palácio da Liga das Nações, a transparência não reside apenas na capacidade de ver através das janelas (transparência literal), mas na organização espacial que cria uma percepção de profundidade e ambiguidade, característica da transparência fenomenal de Rowe.
Fonte: FCC TRT7 2024 Analista Judiciário - Área Apoio Especializado - Especialidade Arquitetura (Caderno Tipo 005). Reproduzida para fins de estudo.