Questão nº 6

Questão de Língua Portuguesa · FCC TRT7 2024 (nº 6)

FCC2024Analista Judiciário - Área Apoio Especializado - Especialidade ArquiteturaLíngua Portuguesa
Gabarito: Ever comentário ↓

[Laços de sangue na literatura]

Laços de sangue não garantem parentesco espiritual, é sabido; irmãos podem ser e frequentemente são tão diferentes entre si quanto são de completos estranhos, ainda que a ascendência comum e a convivência na infância e juventude determinem relações de grande afeto.

Por outro lado, é fascinante que se possa conhecer na literatura criaturas tão parecidas com a gente mesma. Minha primeira experiência desse tipo deu-se quando conheci Paulo Honório, o coronel assassino, protagonista e narrador do romance São Bernardo, de Graciliano Ramos. Identifiquei-me de pronto com essa criatura e desenvolvi por ela o que por mim mesma era uma mistura de repulsa e forte autocomiseração. Mais tarde, quando li Infância e Memórias do Cárcere, textos autobiográficos do mesmo autor, concluí que eu e Paulo Honório tínhamos um terceiro irmão bastante afinado: o criador mesmo, Graciliano.

Mas das minhas experiências de conhecer irmãos pela literatura, nada se comparou até agora à que tive quando li, muito recentemente, As pequenas virtudes da escritora italiana Natália Ginzburg (1916-1991). Deu-me vontade de sair mostrando às pessoas na rua: "olha só, podia ser minha avó, viveu e morreu do outro lado do mundo, mas é minha irmã, verdadeiramente minha irmã, e de algum ponto do universo segue falando comigo".

(Adaptado de: LOPES, Ayde Veiga. Disponível em: https://ninhodealveloas.blogspot.com/search/label/cidadela)


Transpondo-se adequadamente para o discurso indireto a frase "Deu-me vontade de dizer a todos: — Escutem, essa escritora podia ser minha avó, mas a sinto como se fosse minha irmã", ela ficará:

Deu à autora vontade de dizer a todos

Resposta comentada

Gabarito Alternativa E

O discurso indireto narra a fala de alguém, sem reproduzir as palavras exatas, ajustando pronomes, tempos verbais e advérbios à perspectiva do narrador e geralmente usando conjunções como "que" ou "se".

A) Incorreta: O tempo verbal "escutem" (presente do subjuntivo) não está adequado ao verbo principal no passado ("Deu-me vontade"); o correto seria "escutassem". A construção "podendo ser" e a voz passiva "era sentida" alteram a forma e o sentido originais.
B) Incorreta: A expressão "para que venham a escutá-la" é prolixa e não é a transposição mais natural do imperativo "Escutem". Faltam pronomes possessivos e a construção "sentia a esta" é inadequada.
C) Incorreta: O uso de "se" introduz uma condição, e não um pedido ou ordem como o imperativo "Escutem". Faltam pronomes demonstrativos e possessivos, e a construção "sentida tanto quanto fosse" altera o sentido.
D) Incorreta: O pronome "lhe" está incorreto, pois "Escutem" se refere a "todos" (eles), não a "ela". A construção "a escritora dela" é redundante e "sentida no entanto como irmã" muda a voz verbal e omite o possessivo.
E) Correta: A transposição "que a escutassem" (pretérito imperfeito do subjuntivo) está correta para o imperativo "Escutem", concordando com o verbo principal "Deu-me vontade". "Aquela escritora" substitui adequadamente "essa escritora", e "sua avó" e "sua irmã" ajustam os pronomes possessivos. O tempo verbal "sentia" (pretérito imperfeito) está correto para o presente "sinto", seguindo a concordância temporal.

Fonte: FCC TRT7 2024 Analista Judiciário - Área Apoio Especializado - Especialidade Arquitetura (Caderno Tipo 005). Reproduzida para fins de estudo.

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