Questão nº 1

Questão de Língua Portuguesa · FCC TRT7 2024 (nº 1)

FCC2024Analista Judiciário - Área Apoio Especializado - Especialidade ArquiteturaLíngua Portuguesa
Gabarito: Aver comentário ↓

Iracema e a praia

Movido por um dos ideais do Romantismo — a expressão de culturas nativas, supostamente movidas pelo espírito da Natureza — o escritor cearense José de Alencar dedicou-se a romances de fundamentação "indianista", nos quais se enaltecia a figura heroicizada de personagens indígenas. Entre esses romances, Iracema é certamente o mais poético: nele, Alencar se valeu de imagens e ritmos que costumam caracterizar os poemas. Dedicado ao estudo do tupi, o autor buscou também motivar-se pelo encantamento das sonoridades da fala dos nativos.

Iracema tornou-se uma celebridade no quadro da literatura brasileira e acabou dando nome a uma praia e a um bairro de Fortaleza, onde há ruas chamadas Tabajaras, Cariris e Potiguaras, transplantando para a geografia urbana os povos indígenas que participam das ações do romance de Alencar. Por vezes, a literatura sai do papel e da imaginação criativa para pousar nas cidades e na cartografia sentimental de seus habitantes.

O visitante de Fortaleza, andando pela praia de Iracema, não suspeitará que muito antes das casas de veraneio o lugar era conhecido como Praia do Peixe, vindo a ganhar o nome atual apenas em 1930. Mas que importam as datas administrativas diante da poesia e dos mitos? O doce nome de Iracema — "a virgem dos lábios de mel" — diz sobretudo da saga mitológica, assentada em elementos históricos, a que Alencar deu vida não apenas para cantar sua heroína romanesca, mas para adotar o poder da ficção como base de uma epopeia sensível, a sua "lenda do Ceará" — designação que ele especificou no pórtico do romance para deixar claro seu intento de escavar as raízes da formação de um povo.

(Bento Cipião das Neves, a editar)


A flexão do verbo no plural justifica-se plenamente na frase:

Resposta comentada

Gabarito Alternativa A

A concordância verbal é a relação de número e pessoa entre o verbo e o seu sujeito. Se o sujeito está no singular, o verbo fica no singular; se o sujeito está no plural, o verbo vai para o plural.

(A) Correta: O verbo "colher" está no plural ("Colhem-se") para concordar com o sujeito paciente "insinuantes elementos da história dos povos indígenas", que está no plural.
(B) Incorreta: O verbo "reconhecer" está no plural ("Reconhecem-se"), mas o sujeito paciente "algum vestígio das descrições de Alencar" está no singular. O correto seria "Reconhece-se".
(C) Incorreta: O verbo "notar" está no plural ("Notam-se"), mas o sujeito paciente "forte inclinação para os temas indianistas" está no singular. O correto seria "Nota-se".
(D) Incorreta: O verbo "atribuir" está no plural ("Atribuem-se"), mas o sujeito paciente "uma nomenclatura de origem indígena" está no singular. O correto seria "Atribui-se".
(E) Incorreta: O verbo "haver" no sentido de existir/ocorrer é impessoal e deve permanecer no singular. Mesmo em uma locução verbal, o verbo auxiliar ("haver") deve seguir a impessoalidade do principal ("faltar" aqui tem sujeito "alguma empatia", que é singular). O correto seria "Não haverá de faltar" ou "Não faltará". A armadilha é a flexão do verbo "haver" no plural, quando ele deveria estar no singular.

Fonte: FCC TRT7 2024 Analista Judiciário - Área Apoio Especializado - Especialidade Arquitetura (Caderno Tipo 005). Reproduzida para fins de estudo.

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