Questão nº 10

Questão de Língua Portuguesa · FCC TRT5 2022 (nº 10)

FCC2022Comum Área Judiciária TRT5 2022Língua Portuguesa
Gabarito: Bver comentário ↓

Atenção: Para responder às questões de números 6 a 10, baseie-se no texto abaixo.

A “paz da descrença”

Em antiga entrevista, Millôr Fernandes – um supremo humorista do nosso país – contou uma passagem decisiva de sua história.

“Meu pai morreu quando eu tinha 1 ano. Minha mãe quando eu tinha 9 anos. Eu fui ao enterro, não me lembra mais a sensação. Foi aquele momento que você nem percebe muito bem o que está acontecendo. Mas aí eu voltei pra uma casa em que eu estava morando [...], de um tio pobre, funcionário público, e eu me meti então embaixo da cama [...] e aí eu chorei feito um desesperado, não tinha pai, não tinha mais ninguém, eu vivia emprestado numa casa, entende? De repente me veio uma tranquilidade depois de eu chorar não sei quanto tempo, ninguém viu isso, e veio um sentimento que mais tarde eu defini como “a paz da descrença”. A descrença me trouxe uma paz absoluta. O sentimento meu a partir daí, e depois definitivamente concretizado, é que “sou eu e o destino, não tem nenhum intermediário”, “não há interface”.

Assumindo-se como sujeito efetivo de sua história, Millôr salvou-se do afogamento mortal puxando-se pelos próprios cabelos. A partir daí, se afirmou como escritor, tradutor e como um dos analistas e intérpretes mais críticos deste país. A ‘paz da descrença’, paradoxalmente, aguçou sua lucidez inconformada e aquele seu humor implacável que põe a nu as encenações políticas e nossas hipocrisias pessoais. Lucidez, crítica e humor constituem, como se sabe, uma combinação fulminante.

(Vicente Rui Caldeira, a publicar)


Está absolutamente correta a redação da seguinte frase:

Este texto de apoio vale também pra questão nº 6, questão nº 7, questão nº 8, questão nº 9.

Resposta comentada

Gabarito Alternativa B

O conceito-chave aqui é a norma culta da Língua Portuguesa, que exige a correta regência verbal e nominal (uso adequado de preposições com verbos e nomes), a concordância (correspondência entre as palavras) e a conjugação verbal (formas corretas dos verbos), além do uso apropriado dos pronomes relativos.

(A) Incorreta: A regência do verbo "aproveitar-se" exige a preposição "de" (aproveitar-se de algo). O pronome relativo "cuja" indica posse e não pode ser usado isoladamente para reger o verbo; a construção correta seria "de cuja descrença o menino se aproveitou".
(B) Correta: A frase está gramaticalmente perfeita. A regência do verbo "acentuar" (transitivo direto) e a construção nominal "caráter de sua plena solidão" estão corretas, e a pontuação é adequada.
(C) Incorreta: A construção "de cuja o" é gramaticalmente incorreta. O pronome relativo "cuja" já indica posse e não se combina com artigo "o" dessa forma. Além disso, o verbo "assumir" no sentido de "adotar" ou "aceitar" é transitivo direto, então o pronome relativo correto seria "que": "a convicção que o menino Millôr assume".
(D) Incorreta: Há dois erros: 1) A regência do verbo "deparar-se" exige a preposição "com" (deparar-se com algo), e a vírgula após "deparar" está mal colocada. 2) A conjugação do verbo "intervir" no pretérito perfeito do indicativo é "interveio" (como "veio" de "vir"), e não "interviu".
(E) Incorreta: O pronome relativo "onde" é usado para indicar lugar físico. "Ingredientes" não é um lugar, portanto, o pronome relativo correto seria "nos quais" ou "em que" ("ingredientes nos quais raramente conseguem conciliar-se").

Fonte: FCC TRT5 2022 Conhecimentos Comuns (Área Judiciária TRT5 2022) (Caderno Tipo 002). Reproduzida para fins de estudo.

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