Questão nº 5
Questão de Língua Portuguesa · FCC TRT5 2022 (nº 5)
Atenção: Para responder às questões de números 1 a 5, baseie-se no texto abaixo.
Musa natalina
O ano, propriamente, se compõe de onze meses. Dezembro não conta: é só para desejar que os restantes sejam propícios. Parece que o sistema está longe da perfeição; chegaríamos a ela num calendário que abrangesse onze meses de bons augúrios e um de execução deles. Como está, os trinta e um dias não chegam para imaginarmos tudo de ótimo em benefício de todo mundo. Fica sempre uma fração larga de mundo a que não atingem os nossos desejos fraternos. China, Costa do Ouro, Oceania...
Mas não é preciso ir tão longe. Mesmo perto de nós, mesmo dentro de nós, as lembranças costumam esquivar-se à apresentação espontânea, e até à convocação formal. Julgamos ter no coração um canteiro de afetos; contudo, uma grande área nele permanece inculta e cheia de ervas, não direi daninhas, mas ervas. O que admira não é a quantidade de pessoas a quem dedicamos um pensamento amigo, mas a multidão, o número realmente infinito, de outras em cuja existência nem sequer reparamos.
Foi para suavizar as lacunas da memória sentimental que se inventaram mensagens de boas-festas. Contudo, seria desejável que as saudações de Natal oferecessem maior variedade, ou pelo menos exprimissem anseios mais concretos, definindo a situação particular de cada classe ou componente dela, e não apenas um vago ideal de felicidade. Penso que cada homem tem direito de pedir bem determinada coisa a seu semelhante.
(Adaptado de: ANDRADE, Carlos Drummond. Fala, amendoeira. São Paulo: Companhia das Letras, 2012, p. 86-87)
A frase Há uma grande quantidade de pessoas em cuja existência sequer reparamos continuará gramaticalmente correta caso se substitua o elemento sublinhado por:
Este texto de apoio vale também pra questão nº 1, questão nº 2, questão nº 3, questão nº 4.
- Apara cujos méritos não atentamos. (alternativa correta)
- Bde cujo valor jamais damos crédito.
- Cà quem não dedicamos atenção.
- Dpor cuja importância não nos damos conta.
- Eonde não discriminamos virtudes próprias.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa A
Os pronomes relativos conectam orações e retomam um termo anterior (antecedente). A preposição que acompanha o pronome relativo é determinada pela regência (exigência) do verbo ou do nome na oração subordinada.
- (A) Correta: A frase "para cujos méritos não atentamos" está gramaticalmente correta. O verbo "atentar" rege a preposição "para" (atentar para algo/alguém), e o pronome relativo "cujos" (que indica posse, "méritos das pessoas") está corretamente precedido por ela.
- (B) Incorreta: O verbo "dar crédito" exige a preposição "a" (dar crédito a algo/alguém). A construção correta seria "a cujo valor", e não "de cujo valor".
- (C) Incorreta: Armadilha da banca: O verbo "dedicar atenção" exige a preposição "a" (dedicar atenção a alguém/algo). No entanto, a crase (o acento grave em "à") antes do pronome "quem" é geralmente incorreta. O correto seria apenas a preposição "a", formando "a quem".
- (D) Incorreta: A locução verbal "dar-se conta" exige a preposição "de" (dar-se conta de algo). A construção correta seria "de cuja importância", e não "por cuja importância".
- (E) Incorreta: O pronome relativo "onde" é utilizado para indicar lugar físico. O antecedente "pessoas" não é um lugar, tornando o uso de "onde" inadequado neste contexto.
Fonte: FCC TRT5 2022 Conhecimentos Comuns (Área Judiciária TRT5 2022) (Caderno Tipo 002). Reproduzida para fins de estudo.