Questão nº 7
Questão de Língua Portuguesa · FCC TRT2 2025 (nº 7)
A longa caminhada do nosso cérebro
Ao longo de milhões de anos de caminhada aleatória, a evolução natural no planeta Terra costurou uma rede tridimensional, composta de feixes, folhas e bobinas de substância branca neural. Conduzindo e acelerando cargas eletrobiológicas diminutas, geradas por dezenas de bilhões de neurônios, esse arcabouço orgânico pariu um tipo de interação eletromagnética única, a qual dotou o cérebro de primatas de um precioso presente: o seu próprio ponto de vista.
De dentro da sinfonia recursiva e imprevisível produzida por esse computador orgânico analógico-digital, o cérebro nosso emergiu e dominou com requintes de virtuosidade o mecanismo biológico essencial da vida, que consiste em dissipar energias inúteis para embutir informações ricas em significado na própria carne.
A partir dessa receita de sobrevivência, nosso cérebro fez muito mais que simplesmente viver: ele construiu o universo humano usando a sopa de informação potencial generosamente oferecida pelo cosmos. Esse trabalho hercúleo só foi possível devido ao acúmulo cada vez maior de informação útil, de modo a que nosso cérebro desse acesso a formas de conhecimento, tecnologias, linguagens, interações sociais e construção da nossa realidade.
O que o futuro reserva para tanto trabalho cerebral? Autoaniquilação, uma nova espécie humana feita de zumbis biológicos digitais, ou o ansiado triunfo perene da condição humana? Seja qual for o destino reservado para essa trabalhosa jornada, certamente não haverá máquina capaz de superar as mais íntimas e doidivanas alegorias criadas por nosso cérebro. Muito menos de substituir o espantoso universo que ele criou.
Ao contrário do modo como operam as máquinas, nosso cérebro resguarda em si mesmo uma dimensão subjetiva, tal como expressamente entende o autor quando se refere à
- Apossibilidade de constituirmos uma agremiação de zumbis biológicos.
- Bcriação de figurações imaginosas e simbólicas. (alternativa correta)
- Caceleração das cargas eletrobiológicas diminutas.
- Dvirtuosidade com que é defendido o mecanismo biológico da vida.
- Edisposição de informações a serem recolhidas do cosmos.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa B
A dimensão subjetiva do nosso cérebro refere-se à sua capacidade única de ter um "ponto de vista" próprio, de criar significados, experiências internas e produções que vão além da mera lógica ou processamento de dados, algo que as máquinas, por mais avançadas que sejam, não conseguem replicar.
(A) Incorreta: A possibilidade de zumbis biológicos é uma especulação sobre o futuro levantada pelo autor como uma pergunta, não uma característica expressa da dimensão subjetiva do cérebro em seu funcionamento atual.
(B) Correta: O autor expressamente menciona que "não haverá máquina capaz de superar as mais íntimas e doidivanas alegorias criadas por nosso cérebro". "Doidivanas alegorias" são precisamente "figurações imaginosas e simbólicas", que representam a capacidade subjetiva e criativa do cérebro, seu "ponto de vista" único.
(C) Incorreta: A aceleração das cargas eletrobiológicas é uma descrição do funcionamento físico do cérebro, um mecanismo biológico, e não de sua dimensão subjetiva ou de sua capacidade de criar significados e experiências.
(D) Incorreta: A "virtuosidade" mencionada refere-se à habilidade do cérebro em "dominar o mecanismo biológico essencial da vida", ou seja, sua eficiência em processar informações para a sobrevivência. Embora seja uma capacidade impressionante, não se trata diretamente da dimensão subjetiva de criação de "ponto de vista" ou "alegorias". É uma armadilha, pois "virtuosidade" parece algo único, mas o contexto a limita à eficiência biológica.
(E) Incorreta: A "disposição de informações a serem recolhidas do cosmos" descreve a matéria-prima ou o input que o cérebro utiliza ("sopa de informação potencial"), e não a sua capacidade subjetiva de processar, interpretar e criar a partir dessas informações.
Fonte: FCC TRT2 2025 Conhecimentos Comuns (Área Judiciária TRT2 2025) (Caderno Tipo 005). Reproduzida para fins de estudo.