Questão nº 33
Questão de Segurança e Transporte · FCC TRF5 2017 (nº 33)
Na sede do Tribunal, um funcionário, alegando questões amorosas, posiciona-se no parapeito da janela do 5º andar e ameaça jogar-se e cometer suicídio. João, Técnico de Segurança escalado no dia, toma conhecimento e reconhecendo tal situação como uma crise, com o apoio dos demais técnicos de segurança presentes, passa a adotar todas as providências quanto ao gerenciamento de crise. Após o isolamento do local e o estabelecimento de perímetros táticos, inicia a negociação com o funcionário, a fim de demovê-lo da ideia de cometer suicídio, e solicita que acionem a polícia para adotar as providências no prosseguimento da ação. Num determinado momento, um repórter solicita autorização para acompanhar a negociação de perto, registrando os fatos em vídeo. João autoriza a aproximação do repórter, com intuito de que a imprensa auxiliaria no registro da legalidade das ações que ali se sucedem, caso resultasse em desfecho negativo. Considerando o cenário descrito, João
- Anão deveria ter considerado tal situação como uma crise, por não ser um acontecimento de grandes proporções, para o emprego de todas as ações descritas. Acertou ao solicitar a presença da imprensa, que possui condições de validar as ações ali adotadas.
- Bnão deveria ter considerado tal situação como uma crise, pois não havia ameaça de outras vidas, além do possível suicida. Ao adotar todas as providências descritas criou um ambiente desfavorável à resolução do caso e uma repercussão desnecessária. Errou também ao autorizar a aproximação da imprensa, que poderia utilizar o fato como sensacionalismo, prejudicando a imagem do Tribunal.
- Cagiu corretamente ao tratar tal situação como uma crise, adotando todas as providências correlatas ao gerenciamento de crise. Errou ao autorizar a aproximação da imprensa, que deveria ficar afastada, uma vez que foram estabelecidos perímetros táticos. (alternativa correta)
- Dagiu corretamente ao considerar a tal situação como uma crise. Apenas falhou na negociação, que deveria iniciar com a presença de profissional especializado. Agiu corretamente quando autorizou a aproximação da imprensa, para o fiel registro dos fatos, a fim de salvaguardar sua imagem e a do Tribunal.
- Eacertou ao considerar tal situação como uma crise. Todas as providências que adotou foram corretas, inclusive se valendo da presença do repórter para o registro da ação.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa C
Gerenciamento de crises é o processo de lidar com um evento inesperado e potencialmente prejudicial, que exige respostas rápidas e coordenadas para minimizar danos e restaurar a normalidade. Envolve planejamento, isolamento da área, estabelecimento de perímetros, comunicação e coordenação com equipes especializadas.
- (A) Incorreta: A situação de uma ameaça de suicídio é, sim, uma crise grave que exige todas as ações de gerenciamento. Autorizar a imprensa a se aproximar em um perímetro tático é uma falha, não um acerto.
- (B) Incorreta: A ameaça de suicídio de um funcionário é uma crise, independentemente de outras vidas estarem em risco. As providências de isolamento e perímetros são corretas e necessárias, não criam um ambiente desfavorável.
- (C) Correta: João agiu corretamente ao identificar a situação como uma crise e ao adotar as medidas iniciais de gerenciamento (isolamento, perímetros, negociação e acionamento da polícia). No entanto, errou gravemente ao permitir a aproximação da imprensa dentro de um perímetro tático. Perímetros táticos são estabelecidos para segurança e controle da cena, e a presença de pessoas não autorizadas, como repórteres, pode comprometer a operação, interferir na negociação, colocar a si mesmos e a outros em risco, e até mesmo agravar a situação do indivíduo em crise.
- (D) Incorreta: Embora a presença de um negociador especializado seja ideal, iniciar a negociação e acionar a polícia para trazer especialistas é uma ação correta e imediata. O erro crucial está em autorizar a aproximação da imprensa. A justificativa de "fiel registro dos fatos" ou "salvaguardar a imagem" não justifica o risco e a interferência que a mídia pode causar em uma situação de crise ativa e delicada, especialmente dentro de perímetros táticos. A gestão da imprensa deve ser feita de forma controlada e a distância segura, sem comprometer a operação. (Armadilha da banca): Esta alternativa tenta enganar ao sugerir que a imprensa serviria como um "garantidor" da legalidade ou da imagem, o que é uma visão equivocada da gestão de mídia em uma crise ativa. A prioridade é a resolução segura da crise, não o registro imediato pela imprensa.
- (E) Incorreta: Nem todas as providências foram corretas. A autorização para a aproximação do repórter em um perímetro tático é uma falha grave em gerenciamento de crises.
Fonte: FCC TRF5 2017 Técnico Judiciário – Área Administrativa – Especialidade Segurança e Transporte (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.