Questão nº 9
Questão de Língua Portuguesa · FCC TRF4 2019 (nº 9)
Atenção: Para responder às questões de números 5 a 10, considere o texto abaixo.
A mensagem desejada
Brigaram muitas vezes e muitas vezes se reconciliaram, mas depois de uma discussão particularmente azeda, ele decidiu: o rompimento agora seria definitivo. Um anúncio que a deixou desesperada: vamos tentar mais uma vez, só uma vez, implorou, em prantos. Ele, porém, se mostrou irredutível: entre eles estava tudo acabado.
Se pensava que tal declaração encerrava o assunto, estava enganado. Ela voltou à carga. E o fez, naturalmente, através do e-mail. Naturalmente, porque através do e-mail se tinham conhecido, através do e-mail tinham namorado. Ela agora confiava no poder do correio eletrônico para demovê-lo de seus propósitos. Assim, quando ele viu, estava com a caixa de entrada entupida de ardentes mensagens de amor.
O que o deixou furioso. Consultando um amigo, contudo, descobriu que era possível bloquear as mensagens de remetentes incômodos. Com uns poucos cliques resolveu o assunto.
Naquela mesma noite o telefone tocou e era ela. Nem se dignou a ouvi-la: desligou imediatamente. Ela ainda repetiu a manobra umas três ou quatro vezes.
Esgotada a fase eletrônica, começaram as cartas. Três ou quatro por dia, em grossos envelopes. Que ele nem abria. Esperava juntar vinte, trinta, colocava todas em um envelope e mandava de volta para ela.
Mas se pensou que ela tinha desistido, estava enganado. Uma manhã acordou com batidinhas na janela do apartamento. Era um pombo-correio, trazendo numa das patas uma mensagem.
Não teve dúvidas: agarrou-o, aparou-lhe as asas. Pombo, sim. Correio, não mais.
E pronto, não havia mais opções para a coitada. Aparentemente chegara o momento de gozar seu triunfo; mas então, e para seu espanto, notou que sentia falta dela. Mandou-lhe um e-mail, e depois outro, e outro: ela não respondeu. E não atendia ao telefone. E devolveu as cartas dele.
Agora ele passa os dias na janela, contemplando a distância o bairro onde ela mora. Espera que dali venha algum tipo de mensagem. Sinais de fumaça, talvez.
(Adaptado de: SCLIAR, Moacyr. O imaginário cotidiano. São Paulo: Global, 2013, p. 71-72)
O segmento Mas se pensou que ela tinha desistido, estava enganado (6º parágrafo) está corretamente reescrito, com a correlação entre as formas verbais preservada, em:
Mas se
Este texto de apoio vale também pra questão nº 5, questão nº 6, questão nº 7, questão nº 8, questão nº 10.
- Apensou que ela tinha desistido, tinha estado enganado.
- Bpensasse que ela tinha desistido, estaria enganado. (alternativa correta)
- Cpensaria que ela tinha desistido, está enganado.
- Dpense que ela tinha desistido, estivesse enganado.
- Epensará que ela tinha desistido, teria estado enganado.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa B
A correlação verbal é a relação lógica e gramatical entre os tempos e modos dos verbos em uma frase, garantindo que a sequência de ações ou estados seja coerente. Quando um verbo é alterado, outros podem precisar ser ajustados para manter essa harmonia.
- (A) Incorreta: A mudança de "estava enganado" para "tinha estado enganado" altera a relação temporal. "Tinha estado enganado" (pretérito mais-que-perfeito composto) indica uma ação anterior ao "pensou", enquanto "estava enganado" (pretérito imperfeito) indica uma ação simultânea ou duradoura no passado, que é a ideia original.
- (B) Correta: Esta alternativa apresenta uma correlação verbal clássica para uma condição hipotética: "se + pretérito imperfeito do subjuntivo" (pensasse) para a condição, e "futuro do pretérito do indicativo" (estaria) para a consequência. A forma "tinha desistido" permanece correta, pois indica uma ação anterior ao "pensasse".
- (C) Incorreta: A combinação "se pensaria" está incorreta para uma oração condicional. O futuro do pretérito ("pensaria") não é usado na oração subordinada condicional introduzida por "se". Além disso, "está enganado" (presente do indicativo) não se correlaciona corretamente com "pensaria" em um contexto condicional.
- (D) Incorreta: A correlação entre "pense" (presente do subjuntivo) e "estivesse enganado" (pretérito imperfeito do subjuntivo) está incorreta. Se a condição é no presente/futuro hipotético ("se pense"), a consequência deveria ser no futuro do presente ou presente do indicativo, ou futuro do subjuntivo, mas não no pretérito imperfeito do subjuntivo como consequência direta.
- (E) Incorreta: A forma "se pensará" não é uma construção condicional padrão em português. O futuro do presente ("pensará") não é usado na oração subordinada condicional introduzida por "se". Além disso, "teria estado enganado" (futuro do pretérito composto) exige uma condição no pretérito mais-que-perfeito do subjuntivo (ex: "se tivesse pensado").
Fonte: FCC TRF4 2019 Técnico Judiciário - Área Apoio Especializado - Especialidade Tecnologia da Informação (Caderno Tipo 001). Reproduzida para fins de estudo.