Questão nº 25
Questão de Tecnologia da Informação · FCC TRF4 2019 (nº 25)
Tanto o app Whatsapp quanto o Telegram usam um recurso que embaralha o texto das mensagens, impedindo que elas sejam lidas durante o trajeto do emissor para o destinatário. No formato ‘de ponta a ponta’, apenas as pessoas nas ‘pontas’ da conversa têm o que pode desembaralhá-las, elas inclusive já chegam codificadas aos servidores. No Telegram, há duas opções deste recurso: cliente-cliente, isto é, entre usuários (apenas na opção ‘chat secreto’), ou cliente-servidor, entre o usuário e o servidor do app (nos chats comuns).
Como o conteúdo vazou?
Existem outras formas de interceptar conversas tanto no Telegram quanto no WhatsApp. Um dos golpes mais conhecidos é o ‘SIM Swap’. Neste golpe, os hackers clonam temporariamente o cartão de operadora (SIM) da vítima. Isso pode ser feito com algum criminoso infiltrado na empresa telefônica.
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O perigo fica ainda maior se a vítima opta por fazer backups das conversas dos apps na nuvem. No WhatsApp isso é feito via Google Drive (Android) ou iCloud (iOS). Nestes casos, seria preciso também que o invasor conseguisse descobrir como invadir as contas do Google e iCloud de alguma forma, além de usar um celular com o mesmo sistema operacional da vítima. É importante frisar que as conversas do WhatsApp salvas na nuvem já tiveram o recurso desfeito quando a mensagem foi lida. No Telegram, as conversas comuns são guardadas na nuvem da empresa dona do mensageiro; em caso de invasão do celular, o hacker também consegue livre acesso a todos os backups que foram feitos automaticamente, ou seja, pode ler todo o seu histórico de mensagens de longa data. Só os chats secretos escapam disso, pois ficam armazenados apenas na memória dos celulares dos membros da conversa.*
(Disponível em: https://noticias.uol.com.br)
Com base no texto, um Analista de Infraestrutura conclui, corretamente, que
- Ao Telegram usa criptografia assimétrica na troca de mensagens, mas estas não são criptografadas nos backups em nuvem. (alternativa correta)
- Bo Telegram garante o segredo das mensagens trocadas em chats secretos, pois estes utilizam um túnel VPN entre os usuários.
- Ctanto o Telegram quanto o Whatsapp utilizam protocolos criptográficos do tipo DES, IDEA ou 3DES.
- Do Whatsapp é mais seguro que o Telegram, pois faz backup automático em serviços de nuvem mais confiáveis por serem públicos, enquanto o Telegram utiliza nuvem própria.
- Eo Whatsapp usa criptografia simétrica na troca de mensagens, mas estas não são criptografadas nos backups em nuvem.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa A
O conceito-chave aqui é a diferença entre a criptografia de ponta a ponta (onde só emissor e receptor podem ler) e a criptografia cliente-servidor (onde o servidor pode ter acesso), e como os backups em nuvem podem comprometer a segurança, mesmo com a criptografia inicial.
- (A) Correta: O Telegram, para estabelecer a segurança na "troca de mensagens" (especialmente nos chats secretos "de ponta a ponta"), utiliza criptografia assimétrica para a troca inicial de chaves. A segunda parte da afirmação é explicitamente confirmada pelo texto: as conversas comuns do Telegram são guardadas na nuvem da empresa e, em caso de invasão, o hacker "consegue livre acesso a todos os backups", indicando que não são criptografadas de forma a impedir a leitura nos backups em nuvem.
- (B) Incorreta: O texto afirma que os chats secretos garantem o segredo porque "ficam armazenados apenas na memória dos celulares", e não menciona o uso de túnel VPN como o mecanismo de segurança para o segredo das mensagens.
- (C) Incorreta: O texto não especifica os algoritmos criptográficos utilizados (DES, IDEA, 3DES são algoritmos mais antigos e geralmente não são os únicos ou principais usados em apps modernos). Esta alternativa introduz informações não presentes no texto e potencialmente incorretas.
- (D) Incorreta: O texto aponta os backups em nuvem (incluindo Google Drive e iCloud do WhatsApp) como um "perigo" e uma vulnerabilidade, pois as mensagens "já tiveram o recurso desfeito quando a mensagem foi lida", ou seja, não estão criptografadas de ponta a ponta na nuvem. Portanto, o WhatsApp não é mais seguro por usar esses serviços; pelo contrário, eles são apresentados como um ponto fraco. A armadilha aqui é a suposição de que "nuvens públicas mais confiáveis" automaticamente tornam o backup mais seguro, quando o texto indica o oposto para a criptografia.
- (E) Incorreta: Embora o WhatsApp use criptografia simétrica para o conteúdo das mensagens (após a troca de chaves assimétrica), a afirmação de que usa apenas criptografia simétrica na "troca de mensagens" é incompleta, pois a criptografia assimétrica é fundamental para o estabelecimento da chave secreta na criptografia de ponta a ponta. A segunda parte (backups não criptografados na nuvem) está correta, mas a primeira parte é menos precisa que a alternativa A.
Fonte: FCC TRF4 2019 Analista Judiciário - Área Apoio Especializado - Especialidade Infraestrutura em Tecnologia da Informação (Caderno Tipo 001). Reproduzida para fins de estudo.