Questão nº 6
Questão de Língua Portuguesa · FCC TRF4 2019 (nº 6)
O poeta, quanto mais individual, mais universal, pois o homem, qualquer que seja o meio e a época, só vem a compreender e amar o que é essencialmente humano. Embora, eu que o diga, seja tão difícil ser assim autêntico. Às vezes assalta-me o terror de que todos os meus poemas sejam apócrifos.
Se estas linhas estão te aborrecendo é porque és poeta mesmo. Modéstia à parte, as digressões sobre poesia sempre me causaram tédio e perplexidade. A culpa é tua, que me pediste conselho e me colocas na insustentável situação em que me vejo quando alunos dos colégios vêm (por inocência ou maldade dos professores) fazer pesquisas com perguntas assim: “O que é poesia? Por que se tornou poeta?”. A poesia é destas coisas que a gente faz mas não diz.
Não sei como vem um poema. Às vezes uma palavra, uma frase ouvida, uma repentina imagem que me ocorre nas ocasiões mais insólitas. A esta imagem respondem outras (em vez de associações de ideias, associações de imagens; creio ter sido esta a verdadeira conquista da poesia moderna). Não lhes oponho trancas nem barreiras. Vai tudo para o papel. Guardo o papel, até que um dia o releio, já esquecido de tudo. Vem logo o trabalho de corte, pois noto o que estava demais. Coisas que pareciam bonitinhas, mas que eram puro enfeite, coisas que eram puro desenvolvimento lógico (um poema não é um teorema), tudo isso eu deito abaixo, até ficar o essencial, isto é, o poema.
Um poema tanto mais belo é quanto mais parecido for com um cavalo. Por não ter nada de mais nem nada de menos é que o cavalo é o mais belo ser da criação. Como vês, para isso é preciso uma luta constante. A minha está durando a vida inteira. O desfecho é sempre incerto. Sinto-me capaz de fazer um poema tão bom ou tão ruinzinho como aos dezessete anos.
(Adaptado de: QUINTANA, Mario. “Carta”. Melhores poemas. São Paulo: Global Editora, 2005, edição digital)
Às vezes assalta-me o terror de que todos os meus poemas sejam apócrifos. (1o parágrafo)
A frase acima está corretamente transposta para o discurso indireto do seguinte modo:
Disse que, às vezes,
- Aassaltou-lhe o terror de que todos os seus poemas me eram apócrifos.
- Bassaltava-lhe o terror de que todos os seus poemas fossem apócrifos. (alternativa correta)
- Cteria sido assaltado pelo terror de que todos os meus poemas foram apócrifos.
- Dfui assaltado pelo terror de que todos os meus poemas serão apócrifos.
- Eserá assaltado pelo terror de que todos os seus poemas lhe eram apócrifos.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa B
Para transformar o discurso direto em indireto, reportamos o que foi dito, ajustando os pronomes (quem fala) e os tempos verbais (quando foi falado) para a perspectiva do narrador. Se o verbo que introduz o discurso indireto (como "Disse que") está no passado, os verbos da frase original geralmente também se movem para o passado.
(A) Incorreta: O verbo "assaltou" está no pretérito perfeito, quando o correto seria o pretérito imperfeito ("assaltava") para expressar continuidade no passado. Além disso, "me eram apócrifos" mantém o pronome "me", que deveria mudar para a terceira pessoa ("seus" ou "dele/dela"), e o tempo verbal "eram" (indicativo) está incorreto para "sejam" (subjuntivo), que deveria ser "fossem".
(B) Correta: O verbo "assalta" (presente do indicativo) foi corretamente transformado em "assaltava" (pretérito imperfeito do indicativo), e o pronome "me" em "lhe". O pronome possessivo "meus" foi corretamente alterado para "seus". O verbo "sejam" (presente do subjuntivo) foi corretamente transformado em "fossem" (pretérito imperfeito do subjuntivo), mantendo a concordância e a correta transposição temporal.
(C) Incorreta: A construção "teria sido assaltado" muda completamente o tempo verbal e a voz da frase, além de manter o pronome possessivo "meus" na primeira pessoa, quando deveria ser na terceira. O verbo "foram" (pretérito perfeito do indicativo) também está incorreto para a transposição de "sejam" (presente do subjuntivo).
(D) Incorreta: A frase "fui assaltado" está na primeira pessoa e na voz passiva, o que não corresponde à transposição. O pronome possessivo "meus" permanece na primeira pessoa. O verbo "serão" (futuro do presente) está incorreto para a transposição de "sejam" (presente do subjuntivo).
(E) Incorreta: A construção "será assaltado" está no futuro do presente e na voz passiva, o que não se alinha com a transposição. O uso de "lhe eram apócrifos" está incorreto, pois "lhe" não se refere ao possuidor dos poemas e "eram" (indicativo) deveria ser "fossem" (subjuntivo).
Fonte: FCC TRF4 2019 Analista Judiciário - Área Apoio Especializado - Especialidade Infraestrutura em Tecnologia da Informação (Caderno Tipo 001). Reproduzida para fins de estudo.