Questão nº 7
Questão de Língua Portuguesa · FCC TRF3 2024 (nº 7)
Valor social da memória
Não há evocação, não há memória sem uma inteligência do presente, um homem não sabe o que ele é se não for capaz de sair das determinações atuais. Aturada reflexão pode preceder e acompanhar a evocação. Uma lembrança é um diamante bruto que precisa ser lapidado pelo espírito: sem o trabalho da reflexão e da localização, seria uma imagem fugidia. O sentimento também precisa acompanhá-la, para que ela não seja uma repetição do estado antigo, mas uma reaparição.
Se existe uma memória voltada para a ação, com sua prática de hábitos assimilados, e uma outra memória que simplesmente revive o passado, parece ser esta a dos velhos, já libertos das atividades profissionais e familiares. Mas o ancião não sonha quando rememora: desempenha uma função para a qual está maduro, a alta função de unir o começo ao fim, de divisar os limites de uma história inteira. Um mundo social que possui uma riqueza e uma diversidade que não conhecemos pode chegar-nos pela memória dos velhos. Momentos desse mundo perdido podem ser compreendidos por quem não os viveu. A conversa evocativa de um velho é sempre uma experiência profunda: para quem sabe ouvi-la, cria um nexo entre o passado e o presente, é instigante e inspiradora.
Momentos desse mundo perdido podem ser compreendidos por quem não os viveu.
A frase acima ganha nova, coerente e correta redação em:
- APara viver os momentos de um mundo perdido implica em compreendê-los.
- BÉ possível compreender um mundo perdido por quem não o pôde ainda assim viver.
- CMesmo quem não os tenha vivido poderá compreender momentos desse mundo perdido. (alternativa correta)
- DConquanto os tenha vivido, quem não compreendeu aqueles momentos perdidos pode agora fazê-lo.
- EO mundo perdido tem momentos onde sua compreensão se dá para quem não os viveu.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa C
Reescrever uma frase significa expressar a mesma ideia com palavras diferentes, mantendo o sentido original e a correção gramatical. Muitas vezes, isso envolve mudar a forma como as orações são conectadas (coordenação e subordinação) ou o tipo de expressão utilizada.
A) Incorreta: Altera o sentido original. A frase original diz que mesmo quem não viveu pode compreender. Esta alternativa sugere que viver implica em compreender, o que é uma ideia diferente.
B) Incorreta: Apresenta uma construção sintática confusa e pouco natural ("por quem não o pôde ainda assim viver"). Além disso, troca "momentos desse mundo perdido" por "um mundo perdido", alterando ligeiramente o escopo.
C) Correta: Mantém integralmente o sentido e a correção gramatical. A expressão "Mesmo quem não os tenha vivido" funciona como uma oração subordinada adverbial concessiva implícita, equivalente a "ainda que não os tenha vivido", transmitindo a mesma ideia de que a ausência da vivência não impede a compreensão, assim como o "por quem não os viveu" da frase original.
D) Incorreta: Inverte completamente o sentido. "Conquanto os tenha vivido" significa "embora os tenha vivido", o que contradiz a premissa da frase original ("quem não os viveu").
E) Incorreta: Apresenta erro de regência e uso inadequado do pronome relativo. "Onde" refere-se a lugar físico, e não a "momentos" (deveria ser "em que" ou "nos quais"). A construção "sua compreensão se dá para quem não os viveu" é menos precisa e mais prolixa que a original.
Fonte: FCC TRF3 2024 Analista Judiciário - Área Judiciária (Caderno Tipo 004). Reproduzida para fins de estudo.