Questão nº 6
Questão de Língua Portuguesa · FCC TRF3 2024 (nº 6)
Leis dos homens e leis da Natureza
Enquanto as leis dos homens buscam ordenar o comportamento dos indivíduos e da sociedade como um todo, de modo a tornar a vida comunal mais segura, as leis da Natureza são deduzidas de observações de toda uma variedade de fenômenos. Da mesma forma, enquanto as leis dos homens são baseadas em valores morais que variam de cultura para cultura e conforme o decorrer do tempo, as leis da Natureza buscam uma universalidade, tentando descrever comportamentos concretos - e verificáveis - que ocorrem no espaço e no tempo.
Com isso, se para um grupo certos rituais são aceitáveis, enquanto para outro os mesmos rituais são considerados bárbaros, estrelas em todo o cosmos vêm fundindo hidrogênio em hélio seguindo as mesmas regras desde o seu aparecimento, por volta de 200 milhões de anos após o Big Bang. Se em alguns países a pena de morte é um ato imoral, enquanto em outros é instituída com um zelo quase que fanático, moléculas em trilhões de planetas e luas nesta e em outras galáxias combinam-se e recombinam-se em reações químicas que seguem as mesmas leis de conservação, de atração e repulsão entre os reagentes.
As variações nas leis dos homens mostram que pouco sabemos sobre nós mesmos, e tampouco conseguimos concordar sobre quais são os valores morais universais, ou mesmo se esses existem. Por outro lado, a precisão das leis da Natureza, sua universalidade, vem inspirando muitos pensadores a usá-las como base para todas as leis, incluindo as leis dos homens. Basta lembrar-se da busca de leis sociais, fundamentadas rigidamente na racionalidade que caracterizou o Iluminismo. Essa busca não começou aí, existindo já bem antes do século XVIII. Consideremos, por exemplo, Platão e suas Formas Ideais: há no pensamento desse filósofo da Antiguidade, um senso de veneração com o poder da matemática, e ainda mais com o poder da mente humana, por ter concebido o que pareciam ser verdades eternas a partir da observação do comportamento da Natureza.
As normas de concordância verbal estão plenamente respeitadas na frase:
- AÀs variações das leis dos homens não se submetem a rígida regularidade das leis naturais.
- BSempre haverá filósofos que busquem nas leis naturais o que os inspire no âmbito das leis humanas. (alternativa correta)
- CNão cabem às leis dos homens buscar corrigir ou disciplinar as leis da natureza.
- DRegem-se pelos princípios da natureza toda manifestação de fenômenos que independem da ação humana.
- EImpõem-se aos que defendem a pena de morte que se amparem em justificativas cabíveis.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa B
Concordância verbal é a regra que diz que o verbo (a ação) deve sempre combinar (concordar) em número (singular/plural) e pessoa (eu, tu, ele, nós, vós, eles) com o seu sujeito (quem pratica ou sofre a ação).
- (A) Incorreta: O sujeito do verbo "submetem" é "a rígida regularidade das leis naturais" (singular), portanto o verbo deveria estar no singular: "não se submete". A armadilha é a proximidade de "Às variações das leis dos homens" (plural), que não é o sujeito.
- (B) Correta: O verbo "haver" no sentido de "existir" é impessoal e fica na 3ª pessoa do singular ("haverá"). O verbo "busquem" concorda com "filósofos" (plural), representado pelo "que". O verbo "inspire" concorda com "o que" (aquilo, singular). Todas as concordâncias estão corretas.
- (C) Incorreta: O sujeito do verbo "cabem" é a oração "buscar corrigir ou disciplinar as leis da natureza" (sujeito oracional, singular), portanto o verbo deveria estar no singular: "Não cabe". A armadilha é "às leis dos homens" (plural), que é um complemento, não o sujeito.
- (D) Incorreta: O sujeito do verbo "regem-se" é "toda manifestação de fenômenos que independem da ação humana". O núcleo do sujeito é "manifestação" (singular), portanto o verbo deveria estar no singular: "rege-se". A armadilha é a inversão do sujeito e a presença de "fenômenos" (plural).
- (E) Incorreta: O sujeito do verbo "impõem-se" é a oração "que se amparem em justificativas cabíveis" (sujeito oracional, singular), portanto o verbo deveria estar no singular: "impõe-se". A armadilha é "aos que defendem a pena de morte" (plural), que é um complemento, não o sujeito.
Fonte: FCC TRF3 2024 Analista Judiciário - Área Judiciária (Caderno Tipo 004). Reproduzida para fins de estudo.