Questão nº 4

Questão de Língua Portuguesa · FCC TRE-SP 2017 (nº 4)

FCC2017Analista Judiciário - Área Administrativa - Especialidade ContabilidadeLíngua Portuguesa
Gabarito: Dver comentário ↓

Discussão – o que é isso?

A palavra discussão tem sentido bastante controverso: tanto pode indicar a hostilidade de um confronto insanável (“a discussão entre vizinhos acabou na delegacia”) como a operação necessária para se esclarecer um assunto ou chegar a um acordo (“discutiram, discutiram e acabaram concordando”). Mas o que toda discussão supõe, sempre, é a presença de um outro diante de nós, para quem somos o outro. A dificuldade geral está nesse reconhecimento a um tempo simples e difícil: o outro existe, e pode estar certo, sua posição pode ser mais justa do que a minha.

Entre dois antagonistas há as palavras e, com elas, os argumentos. Uma discussão proveitosa deverá ocorrer entre os argumentos, não entre as pessoas dos contendores. Se eu trago para uma discussão meu juízo já estabelecido sobre o caráter, a índole, a personalidade do meu interlocutor, a discussão apenas servirá para a exposição desses valores já incorporados em mim: quero destruir a pessoa, não quero avaliar seu pensamento. Nesses casos, a discussão é inútil, porque já desistiu de qualquer racionalização.

As formas de discussão têm muito a ver, não há dúvida, com a cultura de um povo. Numa sociedade em que as emoções mais fortes têm livre curso, a discussão pode adotar com naturalidade uma veemência que em sociedades mais “frias” não teria lugar. Estão na cultura de cada povo os ingredientes básicos que temperam uma discussão. Seja como for, sem o compromisso com o exame atento das razões do outro, já não haverá o que discutir: estaremos simplesmente fincando pé na necessidade de proclamar a verdade absoluta, que seria a nossa. Em casos assim, falar ao outro é o mesmo que falar sozinho, diante de um espelho complacente, que refletirá sempre a arrogância da nossa vaidade.

(COSTA, Teobaldo, inédito)


Está clara e correta a redação deste livre comentário sobre o texto:

Resposta comentada

Gabarito Alternativa D

A clareza e correção na redação de frases em português dependem da aplicação rigorosa das regras de gramática normativa (concordância, regência, ortografia, pontuação) e da coerência textual, garantindo que a mensagem seja compreendida sem ambiguidades.

  • (A) Incorreta: A concordância verbal está errada em "Não fosse certas desavenças pessoais" (o correto seria "Não fossem"). Além disso, a palavra "prevalescimento" não existe na norma culta; o correto é prevalência.
  • (B) Incorreta: O uso de "por que" está incorreto; deveria ser porque (conjunção explicativa ou causal). A expressão "pessoa íntegra do outro" também soa um pouco forçada no contexto.
  • (C) Incorreta: A expressão "mal caráter" está errada; o correto é mau caráter (adjetivo "mau" para o substantivo masculino "caráter"). A construção "sem se pesar suas reações" é gramaticalmente deselegante e ambígua; seria melhor "sem que suas reações fossem pesadas" ou "sem pesar suas reações".
  • (D) Correta: A frase está gramaticalmente impecável, sem erros de concordância, regência, ortografia ou pontuação. A construção "obscurecidos que foram" é uma forma válida de realce e a frase como um todo é clara e coesa, alinhando-se ao tema do texto sobre a paixão obscurecendo os argumentos.
  • (E) Incorreta: Há uma vírgula indevida após "discussão", separando o sujeito da oração subordinada do verbo principal. O pronome relativo "por cujo" está mal empregado; o correto seria pelo qual ou por meio do qual. A expressão "acordo final" é redundante, pois "chegar a bom termo" já implica uma resolução.

Fonte: FCC TRE-SP 2017 Analista Judiciário - Área Administrativa - Especialidade Contabilidade (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.

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