Questão nº 18
Questão de Língua Portuguesa · FCC TCE-GO 2022 (nº 18)
Atenção: Para responder às questões de números 15 a 20, baseie-se no texto abaixo.
Escravo da razão
O grande pensador Montaigne (1533-1592) foi um conservador, mas nada teve de rígido ou estreito, muito menos de dogmático. Por temperamento e razão foi bem o contrário de um revolucionário; certamente faltaram-lhe a fé e a energia de um homem de ação, o idealismo e a vontade. Seu conservadorismo pode ser visto, sob certos aspectos, como o que no século XIX viria a ser chamado de liberalismo. Em sua concepção política o indivíduo é deixado livre dentro do quadro das leis e procura tornar tão leve quanto possível a autoridade do Estado.
Para Montaigne, o melhor governo seria o que menos se faz sentir e assegura a ordem pública sem pôr em perigo a vida privada, e sem pretender orientar os espíritos. Um tal tipo de governo é o que convém a homens esclarecidos, conscientes de seus direitos e deveres, obedientes às leis, homens que agem não por temor, mas por vontade própria.
Escravo da razão, Montaigne transmitiu essa servidão à filosofia que lhe sucedeu e marcou uma linha de desenvolvimento do pensamento ocidental. Com ela, destruiu verdades dogmáticas e mostrou que todas se contradizem, mas deixou aberta a possibilidade de se concluir que a própria contradição possa encerrar uma verdade.
(Extraído do encarte sem indicação autoral do volume MONTAIGNE, da coleção Os Pensadores. Porto Alegre: Globo, 1972, p. 223)
Os tempos verbais estão adequadamente articulados na frase:
Este texto de apoio vale também pra questão nº 15, questão nº 16, questão nº 17, questão nº 19, questão nº 20.
- AAo tempo de Montaigne, ninguém poderia supor que ele exerça influência sobre os liberais do século XIX.
- BNo caso de que ache vicioso o pensamento de alguém, Montaigne logo identificaria as contradições nele presentes.
- CUm verdadeiro filósofo, se lhe convier servir aos ditames da razão, não terá hesitado em enfrentar contradições do pensamento.
- DAs verdades dogmáticas que Montaigne teria a enfrentar certamente provocarão sua reação dialética em face das contradições.
- EAo filósofo nunca lhe faltará coragem para testar a força da dialética diante das contradições que se ofereçam ao seu pensamento. (alternativa correta)
Resposta comentada
Gabarito Alternativa E
A correlação verbo-temporal é a harmonia lógica entre os tempos e modos verbais em uma frase ou período, garantindo que as ações expressas pelos verbos se encaixem cronologicamente e em termos de certeza ou hipótese.
(A) Incorreta: A combinação de "poderia supor" (futuro do pretérito, indicando uma possibilidade no passado) com "exerça" (presente do subjuntivo, indicando uma possibilidade presente ou futura) é inadequada. O correto seria "exerceria" (futuro do pretérito) para manter a correlação de uma ação futura em relação ao passado da suposição.
(B) Incorreta: A correlação entre "ache" (presente do subjuntivo, para uma condição presente ou futura) e "identificaria" (futuro do pretérito, para uma consequência hipotética) está incorreta. Para uma condição hipotética no presente/futuro, a consequência deveria ser "identificará" (futuro do presente simples) ou, se a condição fosse no passado, "se achasse... identificaria".
(C) Incorreta: A condição expressa por "se lhe convier" (futuro do subjuntivo) aponta para uma possibilidade futura. A consequência "não terá hesitado" (futuro do presente composto) indica uma ação que estará concluída no futuro, o que não se alinha naturalmente com a condição. O mais adequado seria "não hesitará" (futuro do presente simples).
(D) Incorreta: "Teria a enfrentar" (futuro do pretérito, indicando uma ação hipotética ou futura no passado) não se correlaciona logicamente com "provocarão" (futuro do presente, indicando uma ação futura certa). Se a primeira parte é hipotética ou passada, a consequência também deveria ser, como "provocariam" (futuro do pretérito).
(E) Correta: A frase apresenta uma correlação adequada. "Faltará" (futuro do presente) expressa uma certeza no futuro. "Ofereçam" (presente do subjuntivo) é corretamente usado para indicar uma possibilidade ou condição no presente ou futuro, dependendo do "que", harmonizando-se com a ação principal futura.
Fonte: FCC TCE-GO 2022 Conhecimentos Comuns (Analista de Controle Externo) (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.