Questão nº 17

Questão de Língua Portuguesa · FCC TCE-GO 2022 (nº 17)

FCC2022Comum Analista de Controle ExternoLíngua Portuguesa
Gabarito: Bver comentário ↓

Atenção: Para responder às questões de números 15 a 20, baseie-se no texto abaixo.

Escravo da razão

O grande pensador Montaigne (1533-1592) foi um conservador, mas nada teve de rígido ou estreito, muito menos de dogmático. Por temperamento e razão foi bem o contrário de um revolucionário; certamente faltaram-lhe a fé e a energia de um homem de ação, o idealismo e a vontade. Seu conservadorismo pode ser visto, sob certos aspectos, como o que no século XIX viria a ser chamado de liberalismo. Em sua concepção política o indivíduo é deixado livre dentro do quadro das leis e procura tornar tão leve quanto possível a autoridade do Estado.

Para Montaigne, o melhor governo seria o que menos se faz sentir e assegura a ordem pública sem pôr em perigo a vida privada, e sem pretender orientar os espíritos. Um tal tipo de governo é o que convém a homens esclarecidos, conscientes de seus direitos e deveres, obedientes às leis, homens que agem não por temor, mas por vontade própria.

Escravo da razão, Montaigne transmitiu essa servidão à filosofia que lhe sucedeu e marcou uma linha de desenvolvimento do pensamento ocidental. Com ela, destruiu verdades dogmáticas e mostrou que todas se contradizem, mas deixou aberta a possibilidade de se concluir que a própria contradição possa encerrar uma verdade.

(Extraído do encarte sem indicação autoral do volume MONTAIGNE, da coleção Os Pensadores. Porto Alegre: Globo, 1972, p. 223)


No contexto do 3º parágrafo, a frase Com ela, destruiu verdades dogmáticas e mostrou que todas se contradizem

Este texto de apoio vale também pra questão nº 15, questão nº 16, questão nº 18, questão nº 19, questão nº 20.

Resposta comentada

Gabarito Alternativa B

O conceito-chave aqui é a ideia de que Montaigne era um "escravo da razão", o que significa que ele se guiava e confiava profundamente na razão como principal ferramenta para entender e questionar o mundo, vendo nela uma grande força.

(A) Incorreta: A frase indica que Montaigne mostrou que as verdades dogmáticas se contradizem, não que seu próprio pensamento fosse contraditório de forma negativa. Ele usava a razão para expor contradições alheias.
(B) Correta: A expressão "escravo da razão" e a ação de "destruir verdades dogmáticas" e "mostrar que todas se contradizem" através dessa "servidão" à filosofia (guiada pela razão) demonstram o grande valor que Montaigne atribuía à capacidade e ao poder da razão para desmascarar dogmas e inconsistências.
(C) Incorreta: O texto o descreve como "escravo da razão", o que é o oposto de irracionalidade. Sua abordagem era baseada no pensamento lógico e crítico.
(D) Incorreta: Embora ele detectasse contradições, a palavra "diluir" é mais suave que "destruiu verdades dogmáticas". A frase enfatiza a capacidade destrutiva da razão contra dogmas, o que aponta para sua potência, mais do que apenas para o papel de "detectar e diluir".
(E) Incorreta: O texto afirma que ele era "escravo da razão" e "transmitiu essa servidão à filosofia", indicando que ele abraçou e valorizou essa adesão à razão, e não que a combateu.

Fonte: FCC TCE-GO 2022 Conhecimentos Comuns (Analista de Controle Externo) (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.

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