Questão nº 113
Questão de Direito Tributário · FCC SEFAZ-GO 2018 (nº 113)
A Constituição Federal contempla várias regras que têm por finalidade limitar o poder de tributar das pessoas jurídicas de direito público interno. De acordo com essas regras, é vedado aos Estados
- Ainstituir tratamento desigual entre contribuintes que se encontrem em situação equivalente, facultada, para fins de desoneração tributária total ou parcial, a distinção em razão de origem étnica, de nível de escolaridade, de ocupação profissional e de função por eles exercida.
- Bcobrar tributos em relação a fatos geradores ocorridos antes do início da regulamentação da lei que os houver instituído, aumentado ou reduzido.
- Ccobrar tributos antes de decorridos noventa dias da data em que haja sido regulamentada a lei que os instituiu ou aumentou, podendo o referido prazo ser reduzido, nos casos em que seu término ocorrer no exercício subsequente, hipótese em que o tributo poderá ser cobrado desde o primeiro dia do novo exercício.
- Destabelecer limitações ao tráfego de pessoas ou bens, por meio de tributos interestaduais ou intermunicipais, ressalvada a cobrança de pedágio pela utilização de vias conservadas pelo Poder Público. (alternativa correta)
- Einstituir impostos sobre videofonogramas musicais produzidos no Mercosul, contendo obras musicais ou literomusicais de autores brasileiros, e obras em geral, interpretadas por artistas brasileiros ou por artistas cidadãos de países integrantes do Mercosul, bem como sobre os suportes materiais ou arquivos digitais que os contenham, inclusive na etapa de replicação industrial de mídias ópticas de leitura a laser.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa D
O poder de tributar dos entes federativos não é ilimitado: a Constituição impõe limitações (imunidades, princípios e vedações) que protegem o contribuinte. A regra central aqui é que nenhum ente pode usar tributo como barreira para impedir a livre circulação de pessoas ou mercadorias dentro do país, pois isso quebraria a unidade nacional.
- (A) Incorreta: A Constituição veda tratamento desigual entre contribuintes em situação equivalente, mas proíbe expressamente a distinção por origem étnica, escolaridade, ocupação ou função (a "desoneração" só pode se basear em capacidade contributiva ou outros critérios objetivos, nunca discriminatórios).
- (B) Incorreta: A vedação é a anterioridade (irretroatividade), mas a regra correta é que não se pode cobrar tributo sobre fatos geradores ocorridos antes da lei que os instituiu ou aumentou — a alternativa diz "antes do início da regulamentação", o que é um erro técnico (a lei, não o regulamento, é o marco).
- (C) Incorreta: A anterioridade nonagesimal (90 dias) é regra geral, mas a exceção citada está invertida: o prazo de 90 dias não pode ser reduzido para cobrança no exercício seguinte; a redução só é permitida em casos específicos (ex.: IR, empréstimos compulsórios de guerra), e nunca para "cobrar desde o primeiro dia do novo exercício" de forma genérica.
- (D) Correta: Esta é a vedação constitucional expressa (art. 150, V, CF): é proibido aos Estados, DF e Municípios estabelecer limitações ao tráfego de pessoas ou bens por meio de tributos interestaduais ou intermunicipais. A única exceção é o pedágio, que não é tributo, mas preço público (tarifa) cobrado pela utilização de vias conservadas pelo Poder Público.
- (E) Incorreta: Esta alternativa descreve uma imunidade (art. 150, VI, "e", CF) que veda a União, Estados, DF e Municípios de instituir impostos sobre fonogramas e videofonogramas musicais produzidos no Brasil ou no Mercosul. Logo, não é uma vedação exclusiva dos Estados, e sim de todos os entes.
Armadilha da banca na (C): O distrator mais tentador é a letra C, porque mistura anterioridade anual (exercício seguinte) com anterioridade nonagesimal (90 dias). O aluno confunde os dois prazos e acha que a redução do prazo de 90 dias é permitida quando o término ocorre no exercício seguinte — mas isso é falso: a redução só existe em casos taxativos (ex.: IR, guerra), e a regra dos 90 dias é cumulativa com a anual, não substitutiva. A banca testa se você sabe que a exceção da "redução" é raríssima e nunca se aplica a uma situação genérica de "exercício subsequente".
Fonte: FCC SEFAZ-GO 2018 Auditor-Fiscal da Receita Estadual - Classe A - Padrão 1 (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.