Questão nº 15

Questão de Língua Portuguesa · FCC PMSP AMCI 2025 - Prova 1 (nº 15)

FCC2025Comum AMCI - GeralLíngua Portuguesa
Gabarito: Ever comentário ↓

Como arquiteto e paisagista, pertenço ao grupo de estudiosos que adota o ponto de vista do ordenador, que difere do planejador, embora ambos façam parte de um mesmo processo. O enfoque do ordenador resume-se na tentativa de avaliação da cidade como uma estrutura global do meio ambiente e não somente como uma série de elementos que fortuitamente se interligaram. É possível, por exemplo, avaliar a cidade em termos de experiência pela qual passam todas as pessoas que nela vivem. Primeiro, constroem as ruas, implantam a infraestrutura, depois os prédios e, se sobrar espaço, colocam uma ou duas árvores ou um chafariz. Em torno disso, pessoas e automóveis.

Outra forma de avaliação da cidade seria através da relação entre quatro elementos: edifícios, espaço para veículos, espaço para pedestres e elementos naturais. Estamos tão acostumados a viver rodeados por edifícios e automóveis que não nos ocorre a possibilidade de questionar se eles estão fora de proporção. O espaço para pedestres é o que sobrou do espaço destinado aos automóveis. Caminhamos contornando as calçadas, ao longo das ruas ou através de estacionamentos, se o automóvel nos der passagem. Nas cidades, especialmente no centro, a vegetação constitui apenas um elemento decorativo. Se as plantas fossem de plástico, não faria diferença nenhuma, já que não têm nenhuma função específica.

Na arquitetura, uma extensa série de argumentos históricos demonstram que as árvores não são necessárias à ordenação urbana. Um dos sempre repetidos é que a praça São Marcos, em Veneza, não tem árvores. Mas esse é um tipo de argumento evasivo, pois não explica como foi construída a praça São Marcos.

É preciso não esquecer que uma árvore tem funções comparáveis às de um prédio. Ela molda o espaço, dá abrigo, modera o clima e estabelece relacionamento entre nós e os espaços mais amplos que nos rodeiam. Como um dos principais elementos do meio ambiente, não é apenas uma peça decorativa, colocada defronte a um edifício: ordena o espaço da mesma maneira que a arquitetura molda o espaço.

Além das árvores e outros elementos que compõem o conjunto urbano, é igualmente importante considerar o tipo de relação que existe entre edifícios, veículos, pedestres e elementos naturais. Tomemos o caso de São Paulo. Sobrevoando a cidade de helicóptero, o panorama é espantoso. Por que um povo inteligente construiria edifícios de vinte andares, com fachadas cheias de janelas, afastadas a cada quatro ou cinco metros, através das quais os moradores só podem se ver uns aos outros?

(Adaptado de: ECKBO, Garret. O Paisagismo nas Grandes Metrópoles. São Paulo: Ateliê, 2008, pp. 39-42)


O elemento sublinhado está empregado corretamente em:

Resposta comentada

Gabarito Alternativa E

A regência é a relação de dependência entre um termo (regente) e outro (regido), que pode exigir uma preposição específica. Quando usamos um pronome relativo (como que, quem, cujo, onde), ele retoma um termo anterior e, ao mesmo tempo, cumpre uma função sintática na oração que introduz. A preposição que acompanha o pronome relativo é determinada pela regência do verbo ou nome da oração subordinada.

(A) Incorreta: O verbo "restar" (no sentido de sobrar) é intransitivo ou transitivo direto, não exigindo a preposição "em". O correto seria "espaços livres que ainda restam".
(B) Incorreta: Esta alternativa é o distrator mais tentador. A construção "por cuja" está empregada corretamente, pois o verbo "lutar" rege a preposição "por" (lutar por um objetivo), e "cuja" estabelece a relação de posse ("reordenação do espaço"). Assim, "por cuja reordenação se tem lutado" significa "tem-se lutado pela reordenação do espaço", o que é gramaticalmente aceitável. No entanto, de acordo com o gabarito oficial, esta opção é considerada incorreta. A possível armadilha pode residir em uma interpretação extremamente restritiva da regência ou da construção com "cuja" que não se aplica aqui, ou simplesmente um erro no gabarito.
(C) Incorreta: O verbo "referir-se" exige a preposição "a". O correto seria "argumentos contrários, a que se costuma referir" ou "aos quais".
(D) Incorreta: O verbo "basear-se" exige a preposição "em". O correto seria "elementos estruturais em que se baseiam" ou "nos quais".
(E) Correta: A expressão "com que" (equivalente a "com o qual") é empregada para indicar o meio ou a circunstância relacionada ao ato de proporcionar (ou à falta dele). Embora a construção possa parecer menos comum, o pronome relativo "que" retoma "o contato com a natureza", e a preposição "com" é utilizada para expressar o instrumento ou a condição pela qual algo não é proporcionado à população. A frase sugere que é com ou por meio desse contato com a natureza que (ou por cuja ausência) a população não tem algo proporcionado.

Fonte: FCC PMSP AMCI 2025 - Prova 1 Conhecimentos Comuns (AMCI - Geral) (Caderno Tipo 004). Reproduzida para fins de estudo.

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