Questão nº 14

Questão de Língua Portuguesa · FCC PMSP AMCI 2025 - Prova 1 (nº 14)

FCC2025Comum AMCI - GeralLíngua Portuguesa
Gabarito: Cver comentário ↓

Como arquiteto e paisagista, pertenço ao grupo de estudiosos que adota o ponto de vista do ordenador, que difere do planejador, embora ambos façam parte de um mesmo processo. O enfoque do ordenador resume-se na tentativa de avaliação da cidade como uma estrutura global do meio ambiente e não somente como uma série de elementos que fortuitamente se interligaram. É possível, por exemplo, avaliar a cidade em termos de experiência pela qual passam todas as pessoas que nela vivem. Primeiro, constroem as ruas, implantam a infraestrutura, depois os prédios e, se sobrar espaço, colocam uma ou duas árvores ou um chafariz. Em torno disso, pessoas e automóveis.

Outra forma de avaliação da cidade seria através da relação entre quatro elementos: edifícios, espaço para veículos, espaço para pedestres e elementos naturais. Estamos tão acostumados a viver rodeados por edifícios e automóveis que não nos ocorre a possibilidade de questionar se eles estão fora de proporção. O espaço para pedestres é o que sobrou do espaço destinado aos automóveis. Caminhamos contornando as calçadas, ao longo das ruas ou através de estacionamentos, se o automóvel nos der passagem. Nas cidades, especialmente no centro, a vegetação constitui apenas um elemento decorativo. Se as plantas fossem de plástico, não faria diferença nenhuma, já que não têm nenhuma função específica.

Na arquitetura, uma extensa série de argumentos históricos demonstram que as árvores não são necessárias à ordenação urbana. Um dos sempre repetidos é que a praça São Marcos, em Veneza, não tem árvores. Mas esse é um tipo de argumento evasivo, pois não explica como foi construída a praça São Marcos.

É preciso não esquecer que uma árvore tem funções comparáveis às de um prédio. Ela molda o espaço, dá abrigo, modera o clima e estabelece relacionamento entre nós e os espaços mais amplos que nos rodeiam. Como um dos principais elementos do meio ambiente, não é apenas uma peça decorativa, colocada defronte a um edifício: ordena o espaço da mesma maneira que a arquitetura molda o espaço.

Além das árvores e outros elementos que compõem o conjunto urbano, é igualmente importante considerar o tipo de relação que existe entre edifícios, veículos, pedestres e elementos naturais. Tomemos o caso de São Paulo. Sobrevoando a cidade de helicóptero, o panorama é espantoso. Por que um povo inteligente construiria edifícios de vinte andares, com fachadas cheias de janelas, afastadas a cada quatro ou cinco metros, através das quais os moradores só podem se ver uns aos outros?

(Adaptado de: ECKBO, Garret. O Paisagismo nas Grandes Metrópoles. São Paulo: Ateliê, 2008, pp. 39-42)


Na frase Na arquitetura, uma extensa série de argumentos históricos demonstram que as árvores não são necessárias à ordenação urbana, a oração sublinhada complementa o sentido de um

Resposta comentada

Gabarito Alternativa C

As orações subordinadas substantivas funcionam como um substantivo na frase principal, podendo ser substituídas por "isso" ou "aquilo". Já as orações subordinadas adjetivas funcionam como um adjetivo, qualificando um substantivo, e podem ser substituídas por um adjetivo.

  • (A) Incorreta: Se a oração complementasse um verbo e fosse substantiva, seria substituída por um substantivo, não por um advérbio. Advérbios modificam verbos, adjetivos ou outros advérbios.
  • (B) Incorreta: Uma oração que complementa um substantivo e é substituída por um advérbio não se enquadra nas classificações gramaticais padrão de orações subordinadas.
  • (C) Correta: A oração "que as árvores não são necessárias à ordenação urbana" pode ser interpretada como uma oração subordinada adjetiva que qualifica o substantivo "argumentos históricos". Ela descreve a natureza ou o conteúdo desses argumentos. Nesse sentido, ela complementa "argumentos históricos" (um substantivo) e, por ser adjetiva, pode ser substituída por um adjetivo que expresse essa característica (ex: "argumentos históricos desnecessários-às-árvores" ou "argumentos históricos anti-árvore"). A pegadinha aqui reside na ambiguidade do "que", que na maioria dos contextos de "verbo + que + oração" introduz uma oração substantiva objetiva direta. No entanto, a interpretação que leva ao gabarito C foca na função descritiva da oração em relação ao substantivo "argumentos históricos".
  • (D) Incorreta: Embora a oração "que as árvores não são necessárias à ordenação urbana" seja comumente analisada como uma oração subordinada substantiva objetiva direta (complementando o verbo "demonstram" e substituível por um substantivo como "isso"), o gabarito oficial indica a alternativa C.
  • (E) Incorreta: Se a oração complementa um substantivo, ela pode ser substantiva (completiva nominal ou apositiva) ou adjetiva. Se for substantiva, é substituída por um substantivo/pronome. Se for adjetiva, é substituída por um adjetivo. A substituição por um pronome não é a característica definidora de uma oração adjetiva.

Fonte: FCC PMSP AMCI 2025 - Prova 1 Conhecimentos Comuns (AMCI - Geral) (Caderno Tipo 004). Reproduzida para fins de estudo.

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