Questão nº 5
Questão de Língua Portuguesa · FCC MPEPE 2018 (nº 5)
A família dos porquês
A lógica costuma definir três modalidades distintas no uso do termo "porque": o "porque" causal ("a jarra quebrou porque caiu"); o explicativo ("recusei o doce porque desejo emagrecer"); e o indicador de argumento ("volte logo, você sabe por quê"). Mas há outros aspectos que precisam ser considerados.
Imagine, por exemplo, que alguém inconformado com a morte de uma pessoa especialmente querida exclama: "Eu não consigo entender, isso não podia ter acontecido, por que não eu? Por que uma criatura tão jovem e cheia de vida morre assim?" Um médico solícito, se a ouvir nesse desabafo inconformado, poderá dizer-lhe: "Sinto muito pela perda, mas eu examinei o caso de sua filha e posso dizer-lhe o que houve: ela padecia de má-formação vascular e foi vítima da ruptura da artéria carótida que irriga o lobo temporal direito."
A explicação do médico é irretocável, mas seria a resposta ao "por quê" do pai inconsolável? Os porquês da ciência são por vezes rasos: mapas, registros e explicações cada vez mais precisas e minuciosas da superfície causal do que acontece. Eles excluem de antemão como ilegítimos os porquês que mais importam. O "porque" da ciência médica nem sequer arranha o "por quê" do pai desconsolado.
O verbo indicado entre parênteses deverá flexionar-se numa forma do PLURAL para integrar adequadamente a frase:
- ANão (poder) mesmo caber aos médicos tentar responder às questões metafísicas que nos afligem.
- BÀs vezes se (apresentar) para um ser humano aflito questões que ele está longe de poder responder. (alternativa correta)
- CAs iniciativas que (tomar), por sua boa vontade, um médico dedicado, nem sempre nos consolam.
- DNão se (dever) imaginar que as perguntas que são hoje irrespondíveis o sejam para sempre.
- EMesmo os médicos a quem se (dedicar) todo o respeito pela competência não são oniscientes.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa B
A concordância verbal é a regra que faz o verbo mudar de forma para combinar com o seu sujeito em número (singular ou plural) e pessoa (eu, tu, ele/ela, nós, vós, eles/elas). Para acertar, a primeira coisa é sempre encontrar quem pratica ou sofre a ação do verbo!
- (A) Incorreta: O sujeito de "caber" e "poder" é a oração "tentar responder às questões metafísicas...", que funciona como sujeito oracional e exige o verbo no singular ("pode caber").
- (B) Correta: O "se" é uma partícula apassivadora, e o sujeito paciente é "questões", que está no plural. Assim, o verbo "apresentar" deve ir para o plural ("apresentam").
- (C) Incorreta: O sujeito do verbo "tomar" é "um médico dedicado", que está no singular. Portanto, o verbo deve ser "toma".
- (D) Incorreta: O sujeito do verbo "dever" é a oração "imaginar que as perguntas... o sejam para sempre", que funciona como sujeito oracional e exige o verbo no singular ("deve"). A armadilha aqui é o "se", que pode confundir, mas mesmo que fosse índice de indeterminação do sujeito, o verbo ficaria no singular.
- (E) Incorreta: O "se" é uma partícula apassivadora, e o sujeito paciente de "dedicar" é "todo o respeito", que está no singular. Assim, o verbo deve ser "dedica".
Fonte: FCC MPEPE 2018 Técnico Ministerial - Área Administrativa (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.