Questão nº 6

Questão de Língua Portuguesa · FCC MP-PB 2023 (nº 6)

FCC2023Técnico Ministerial - Sem EspecialidadeLíngua Portuguesa
Gabarito: Bver comentário ↓

Atenção: Leia o texto “Liberdade e necessidade ao revés”, de Eduardo Giannetti, para responder às questões de números 6 a 12.

“Por meios honestos se você conseguir, mas por quaisquer meios faça dinheiro”, preconiza — prenhe de sarcasmo — o verso de Horácio. Desespero, precisão ou cobiça, dentro ou fora da lei: o dinheiro nos incita a fazer o que de outro modo não faríamos. Suponha, entretanto, um súbito e imprevisto bafejo da fortuna — um prêmio lotérico, uma indenização milionária, uma inesperada herança. Quem continuaria a fazer o que faz para ganhar a vida caso não fosse mais necessário fazê-lo? Estamos acostumados a considerar o trabalho como algo a que nos sujeitamos, mais ou menos a contragosto, para obter uma renda — como um sacrifício ou necessidade imposta de fora; ao passo que o consumo é tomado como a esfera por excelência da livre escolha: o território sagrado para o exercício da nossa liberdade individual. A possibilidade de satisfazer, ainda que parcialmente, nossos desejos e fantasias de consumo se afigura como a merecida recompensa — ou suborno, diriam outros — capaz de atenuar a frustração e aliviar o aborrecimento de ocupações que de outro modo não teríamos e não nos dizem respeito.

Daí que, na feliz expressão do jovem Marx, “o trabalhador só se sente ele mesmo quando não está trabalhando; quando ele está trabalhando, ele não se sente ele mesmo”. Mas, se o mundo do trabalho está vedado às minhas escolhas e modo de ser; onde poderei expressar a minha individualidade? Impedido de ser quem sou no trabalho — escritório, chão de fábrica, call center, guichê, balcão —, extravaso a minha identidade no consumo — shopping, butique, salão, restaurante, showroom. Fonte de elã vital, o ritual da compra energiza e a posse ilumina a alma do consumidor. A compra de bens externos molda a identidade e acena com a promessa de distinção: ser notado, ser ouvido, ser tratado com simpatia, respeito e admiração pelos demais. Não o que faço, mas o que possuo — e, sobretudo, o que sonho algum dia ter — diz ao mundo quem sou. Servo impessoal no ganho, livre e soberano no gasto.

(Adaptado de: GIANNETTI, Eduardo. Trópicos utópicos. São Paulo: Companhia das Letras, 2016)


O termo que qualifica o substantivo na expressão necessidade imposta (1º parágrafo) tem sentido oposto àquele que qualifica o substantivo em:

Este texto de apoio vale também pra questão nº 7, questão nº 8, questão nº 9, questão nº 10, questão nº 11, questão nº 12.

Resposta comentada

Gabarito Alternativa B

Antônimos são palavras com significados opostos. A questão pede um termo que qualifique um substantivo e tenha sentido contrário ao adjetivo "imposta" na expressão "necessidade imposta".

  • A) Incorreta: O adjetivo "sagrado" (que é venerado, respeitado) não tem sentido oposto a "imposta" (que é forçada, obrigatória).
  • B) Correta: O adjetivo "livre" (que não está sujeito a restrições, que é voluntário) é o oposto de "imposta" (que é forçada, obrigatória, não voluntária). Uma necessidade imposta contrasta com uma livre escolha.
  • C) Incorreta: O adjetivo "impessoal" (que não se refere a uma pessoa específica, objetivo) não tem sentido oposto a "imposta".
  • D) Incorreta: O adjetivo "inesperada" (que não se esperava, surpreendente) não tem sentido oposto a "imposta".
  • E) Incorreta: O adjetivo "merecida" (que é digna de recompensa, justa) não tem sentido oposto a "imposta".

Fonte: FCC MP-PB 2023 Técnico Ministerial - Sem Especialidade (Caderno Tipo 5). Reproduzida para fins de estudo.

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