Questão nº 5
Questão de Língua Portuguesa · FCC MP-PB 2023 (nº 5)
Atenção: Leia o conto “Casos de baleias”, de Carlos Drummond de Andrade, para responder às questões de números 1 a 5.
A baleia telegrafou ao superintendente da Pesca, queixando-se de que estava sendo caçada demais, e a continuar assim sua espécie desapareceria com prejuízo geral do meio ambiente e dos usuários.
O superintendente, em ofício, respondeu à baleia que não podia fazer nada senão recomendar que de duas baleias uma fosse poupada, e esta ganhasse número de registro para identificar-se.
Em face dessa resolução, todas as baleias providenciaram registro, e o obtiveram pela maneira como se obtêm essas coisas, à margem dos regulamentos. O mar ficou coalhado de números, que rabeavam alegremente, e o esguicho dos cetáceos, formando verdadeiros festivais no alto oceano, dava ideia de imenso jardim explodindo em repuxos, dourados de sol, ou prateados de lua.
Um inspetor da Superintendência, intrigado com o fato de que ninguém mais conseguia caçar baleia, pôs-se a examinar os livros e verificou que havia infinidade de números repetidos. Cancelou-se o registro, e os funcionários responsáveis pela fraude, jogados ao mar, foram devorados pelas baleias, que passaram a ser caçadas indiscriminadamente. A recomendação internacional para suspender a caça por tempo indeterminado só alcançará duas baleias vivas, escondidas e fantasiadas de rochedo, no litoral do Espírito Santo.
(ANDRADE, Carlos Drummond de. Contos plausíveis. São Paulo: Companhia das Letras, 2012)
O superintendente, em ofício, respondeu à baleia que não podia fazer nada (2º parágrafo)
Ao se transpor o trecho acima para o discurso direto, o verbo sublinhado assume a seguinte forma:
Este texto de apoio vale também pra questão nº 1, questão nº 2, questão nº 3, questão nº 4.
- Apudesse
- Bpossa
- Cpoderia
- Dpude
- Eposso (alternativa correta)
Resposta comentada
Gabarito Alternativa E
Quando se transforma o discurso indireto (quando alguém conta o que outra pessoa disse) em discurso direto (quando se reproduz a fala original da pessoa), os tempos verbais geralmente voltam à sua forma original, mais imediata. O verbo no pretérito imperfeito do indicativo no discurso indireto ("podia") frequentemente corresponde ao presente do indicativo no discurso direto, pois a fala original expressava uma situação ou capacidade no momento em que foi dita.
- (A) Incorreta: "Pudesse" é pretérito imperfeito do subjuntivo, usado para expressar desejo, condição ou hipótese, e não uma afirmação direta de incapacidade.
- (B) Incorreta: "Possa" é presente do subjuntivo, que também expressa desejo, dúvida ou possibilidade, e não uma declaração de fato sobre a capacidade atual.
- (C) Incorreta: "Poderia" é futuro do pretérito do indicativo (condicional). Embora possa expressar uma possibilidade ou uma cortesia, aqui a fala original era uma constatação de incapacidade no momento da resposta, que se traduz melhor pelo presente. Esta é uma armadilha comum, pois "poderia" é uma forma verbal que se relaciona com "podia", mas não é a mais direta para a situação.
- (D) Incorreta: "Pude" é pretérito perfeito do indicativo e indica uma ação pontual e concluída no passado. O "podia" no discurso indireto sugere uma incapacidade contínua ou no momento da fala, não uma ação passada concluída.
- (E) Correta: "Posso" é presente do indicativo. A frase original do superintendente seria: "Eu não posso fazer nada", expressando uma incapacidade no momento da sua resposta. O pretérito imperfeito "podia" no discurso indireto é a forma adequada para reportar essa fala no passado.
Fonte: FCC MP-PB 2023 Técnico Ministerial - Sem Especialidade (Caderno Tipo 5). Reproduzida para fins de estudo.