Questão nº 5

Questão de Língua Portuguesa · FCC DPE-AM 2017 (nº 5)

FCC2017Comum Nível Superior B - DPEAM 2017Língua Portuguesa
Gabarito: Ever comentário ↓

Atenção: Considere o texto abaixo para responder às perguntas de números 1 a 9.

As crianças gostam de brincadeiras que sejam imitativas e repetitivas, mas, ao mesmo tempo, inovadoras. Firmam-se no que lhes é conhecido e seguro, e exploram o que é novo e nunca foi experimentado.

O termo “arremedo” pode implicar algum grau de intenção, mas imitar, ecoar ou reproduzir são propensões psicológicas (e até fisiológicas) universais que vemos em todo ser humano e em muitos animais.

Merlin Donald, em Origens do pensamento moderno*, faz uma distinção entre arremedo, imitação e mimese: o arremedo é literal, uma tentativa de produzir uma duplicata o mais exata possível. A imitação não é tão literal quanto o arremedo. A mimese adiciona uma dimensão representativa à imitação. Em geral, incorpora o arremedo e a imitação a um fim superior, o de reencenar e representar um evento ou relação. O arremedo, segundo Donald, é visto em muitos animais; a imitação, em macacos e grandes primatas não humanos; a mimese, apenas no ser humano.*

A imitação, que tem um papel fundamental nas artes cênicas, onde a prática, a repetição e o ensaio incessantes são imprescindíveis, também é importante na pintura e na composição musical e escrita. Todos os artistas jovens buscam modelos durante os anos de aprendizado. Nesse sentido, toda arte começa como “derivada”: é fortemente influenciada pelos modelos admirados e emulados, ou até diretamente imitados ou parafraseados.

Mas por que, de cada cem jovens músicos talentosos ou de cada cem jovens cientistas brilhantes, apenas um punhado irá produzir composições musicais memoráveis ou fazer descobertas científicas fundamentais? Será que a maioria desses jovens, apesar de seus dons, carece de alguma centelha criativa adicional? Será que lhes faltam características que talvez sejam essenciais para a realização criativa, por exemplo, audácia, confiança, pensamento independente?

A criatividade envolve não só anos de preparação e treinamento conscientes, mas também de preparação inconsciente. Esse período de incubação é essencial para permitir que o subconsciente assimile e incorpore influências, que as reorganize em algo pessoal. Na abertura de Rienzi*, de Wagner, quase podemos identificar todo esse processo. Há ecos, imitações, paráfrases de Rossini, Schumann e outros* − as influências musicais de seu aprendizado. E então, de súbito, ouvimos a voz de Wagner: potente, extraordinária (ainda que horrível, na minha opinião), uma voz genial, sem precedentes.

Todos nós, em algum grau, fazemos empréstimos de terceiros, da cultura à nossa volta. As ideias estão no ar, e nos apropriamos, muitas vezes sem perceber, de frases e da linguagem da época. A própria língua é emprestada: não a inventamos. Nós a descobrimos, ainda que possamos usá-la e interpretá-la de modos muito individuais. O que está em questão não é “emprestar” ou “imitar”, ser “derivado”, ser “influenciado”, e sim o que se faz com aquilo que é tomado de empréstimo.


Será que lhes faltam características (5º parágrafo)

O segmento que exerce a mesma função sintática do sublinhado acima está também sublinhado em:

Resposta comentada

Gabarito Alternativa E

O sujeito é o termo da oração que pratica ou sofre a ação expressa pelo verbo, ou sobre o qual se declara algo. Para identificá-lo, perguntamos "quem?" ou "o que?" antes do verbo.

Análise da frase original:
"Será que lhes faltam características?"
Verbo: "faltam". O que faltam? Características. Portanto, "características" é o sujeito do verbo "faltar".

Análise das alternativas:

(A) Incorreta: "no ar" é um adjunto adverbial de lugar, indicando onde as ideias estão.
(B) Incorreta: "uma dimensão representativa" é o objeto direto do verbo "adiciona", pois responde à pergunta "o que a mimese adiciona?".
(C) Incorreta: "as" é um pronome oblíquo que funciona como objeto direto do verbo "reorganize", referindo-se a "influências" (reorganizar o quê? as influências).
(D) Incorreta: "ecos, imitações, paráfrases de Rossini" é o objeto direto do verbo "há" (verbo "haver" no sentido de existir), que é impessoal e não possui sujeito.
(E) Correta: "A criatividade" é o sujeito do verbo "envolve", pois responde à pergunta "o que envolve?".

Fonte: FCC DPE-AM 2017 Conhecimentos Comuns (Nível Superior B - DPEAM 2017) (Caderno Tipo 001). Reproduzida para fins de estudo.

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