Questão nº 27
Questão de Psicologia · FCC DPE-AM 2017 (nº 27)
O Psicodiagnóstico é um processo que tem como objetivo identificar forças e fraquezas no funcionamento psíquico, com um foco na existência ou não de psicopatologia. Desse modo,
- Aantes de iniciar o processo diagnóstico, o psicólogo precisa entender as razões do encaminhamento para que possa responder às especificidades da solicitação e demanda. (alternativa correta)
- Bo aspecto preventivo é colocado em questão, já que a solicitação de um psicodiagnóstico tem como objetivo a nomeação da disfunção já existente.
- Cnem sempre será necessário traçar um plano de avaliação, uma vez que as hipóteses iniciais podem estar obscuras.
- Dno diagnóstico interventivo a entrevista devolutiva tem o intuito de informar o paciente sobre os resultados obtidos com a avaliação, como acontece nos trabalhos de psicodiagnósticos tradicionais.
- Ehá uma limitação temporal dos resultados, pois as técnicas e métodos se renovam e invalidam as conclusões anteriores.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa A
O psicodiagnóstico não é um exame pontual, mas um processo de investigação científica que começa antes de qualquer teste: ele parte da escuta da demanda (o que o encaminhador e o paciente esperam) para definir hipóteses, escolher instrumentos e planejar a devolutiva. Sem entender o motivo do encaminhamento, o psicólogo corre o risco de avaliar o que não foi perguntado, como um médico que prescreve sem ouvir os sintomas.
- (A) Correta: antes de iniciar o processo diagnóstico, o psicólogo precisa entender as razões do encaminhamento para que possa responder às especificidades da solicitação e demanda — essa é a etapa inicial obrigatória do processo, que orienta todo o planejamento da avaliação.
- (B) Incorreta: o psicodiagnóstico não é apenas para nomear disfunção existente; ele também tem caráter preventivo, identificando recursos e vulnerabilidades antes do agravamento, e a solicitação pode ser para triagem, prognóstico ou orientação, não só para "rotular".
- (C) Incorreta: o plano de avaliação é sempre necessário, mesmo com hipóteses iniciais obscuras — justamente quando há obscuridade, o plano precisa ser mais flexível e estruturado para testar as hipóteses; a falta de clareza não dispensa o planejamento, exige-o.
- (D) Incorreta: no diagnóstico interventivo (ou psicodiagnóstico interventivo), a devolutiva é parte do processo terapêutico, com caráter de intervenção e manejo das reações do paciente, e não apenas um "informe de resultados" como no modelo tradicional — a armadilha aqui é confundir as duas modalidades.
- (E) Incorreta: a limitação temporal dos resultados existe, mas não invalida conclusões anteriores automaticamente; ela exige atualização e reavaliação quando necessário, mas o psicodiagnóstico bem feito tem validade contextual e não é descartado por "renovação de técnicas".
Pegadinha da banca: a alternativa (D) é a mais tentadora, pois mistura dois conceitos parecidos — no psicodiagnóstico tradicional, a devolutiva é informativa; no interventivo, ela é terapêutica. A banca inverteu as definições: quem não domina a diferença entre as modalidades acredita que "interventivo" é só um nome bonito para o mesmo processo, caindo na armadilha.
Fonte: FCC DPE-AM 2017 Analista Social de Defensoria - Especialidade Psicologia (Caderno Tipo 001). Reproduzida para fins de estudo.