Questão nº 54

Questão de Língua Portuguesa · FCC CMFOR 2019 (nº 54)

FCC2019RevisorLíngua Portuguesa
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No livro A velhice*, Simone de Beauvoir não apresenta muitas alternativas para construir um olhar positivo sobre a última fase da vida. Ela tem como propósito fundamental denunciar a conspiração do silêncio e revelar como a sociedade trata os velhos: eles costumam ser desprezados e estigmatizados. Apesar de ter consciência de que são inúmeros os problemas relacionados ao processo de envelhecimento, quero compreender se existe algum caminho para chegar à última fase da vida de uma maneira mais plena e mais feliz. Encontro na própria Simone de Beauvoir a resposta para esta questão. Ela sugere, nas entrelinhas de* A velhice*, um possível caminho para a construção de uma “bela velhice”: o projeto de vida.*

No Brasil temos vários exemplos de “belos velhos”: Caetano Veloso, Gilberto Gil, Ney Matogrosso, Chico Buarque, Marieta Severo, Rita Lee, entre outros. Duvido que alguém consiga enxergar neles, que já chegaram ou estão chegando aos 70 anos, um retrato negativo do envelhecimento. São típicos exemplos de pessoas chamadas “sem idade”.

Fazem parte de uma geração que não aceitará o imperativo “Seja um velho!” ou qualquer outro rótulo que sempre contestaram. São de uma geração que transformou comportamentos e valores de homens e mulheres, que inventou diferentes arranjos amorosos e que legitimou novas formas de família. Esses “belos velhos” inventaram um lugar especial no mundo e se reinventam permanentemente. Continuam cantando, dançando, criando, amando, brincando, trabalhando, transgredindo tabus. Não se aposentaram de si mesmos, recusaram as regras que os obrigariam a se comportar como velhos. Não se tornaram invisíveis, infelizes, deprimidos. Eles, como tantos outros “belos velhos”, rejeitam estereótipos e dão novos significados ao envelhecimento. Como diz a música de Arnaldo Antunes, “Somos o que somos: inclassificáveis”.

Desde muito cedo, somos livres para fazer escolhas. “A liberdade é o que você faz com o que a vida fez com você”. Esta máxima existencialista é fundamental para compreender a construção de um projeto de vida. O projeto de cada indivíduo pode ser traçado desde a infância, mas também pode ser construído ou modificado nas diferentes fases da vida, pois a ênfase existencialista se coloca no exercício permanente da liberdade de escolha e da responsabilidade individual na construção de um projeto de vida que dê significado às nossas existências até os últimos dias.

(Adaptado de: GOLDENBERG, Mirian. A bela velhice. Record. edição digital)


Considerado o contexto, afirma-se corretamente:

Resposta comentada

Gabarito Alternativa A

Conceito-chave: Orações subordinadas adverbiais funcionam como um "advérbio" da frase principal, indicando circunstâncias como tempo, causa, condição, conformidade, etc. A conformidade expressa "de acordo com", "conforme", "como". Já a finalidade expressa "para que", "a fim de que".

  • (A) Correta: A oração "Como diz a música de Arnaldo Antunes" expressa conformidade (de acordo com o que diz a música), pois o "como" equivale a "conforme" e introduz uma ideia de acordo ou concordância com uma referência externa.
  • (B) Incorreta: O conectivo "e" em "inventaram um lugar especial no mundo e se reinventam" tem valor aditivo (soma de ideias), não adversativo (que seria "mas", "porém", "contudo").
  • (C) Incorreta: Inserir vírgula após "geração" separaria o pronome relativo "que" do seu antecedente, quebrando a estrutura sintática da oração subordinada adjetiva restritiva e alterando o sentido (tornaria a informação não essencial, o que não é o caso).
  • (D) Incorreta: O segmento "como tantos outros 'belos velhos'" expressa comparação (ou conformidade, se lido como "tal qual"), mas nunca finalidade. A finalidade seria expressa por "para rejeitar", "a fim de rejeitar", etc.
  • (E) Incorreta: No segundo parágrafo, os dois-pontos em "um retrato negativo do envelhecimento: São típicos exemplos..." introduzem uma explicação/esclarecimento do que foi dito antes, mas o trecho citado na alternativa ("Duvido que alguém consiga enxergar neles...") não é introduzido por dois-pontos; a alternativa generaliza incorretamente.

Armadilha da banca (no distrator mais tentador, a letra E): A banca aposta que o aluno confunda "explicação" com "enumeração" ou "citação". No trecho, os dois-pontos aparecem após "trata os velhos:" e introduzem uma explicação do que seria esse tratamento ("eles costumam ser desprezados..."). Mas a alternativa E cita um trecho do segundo parágrafo que não contém dois-pontos, fazendo o aluno "achar" que viu o sinal onde ele não está. A pegadinha é testar se o aluno lê o trecho exato indicado na alternativa, não o parágrafo inteiro.

Fonte: FCC CMFOR 2019 Revisor (Caderno Tipo 001). Reproduzida para fins de estudo.

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