Questão nº 14
Questão de Língua Portuguesa · FCC CMFOR 2019 (nº 14)
Toda a estrutura de nossa sociedade colonial teve sua base fora dos meios urbanos. É preciso considerar esse fato para se compreenderem exatamente as condições que, por via direta ou indireta, nos governaram até mesmo depois de proclamada nossa independência política e cujos reflexos não se apagaram ainda hoje.
Se [...] não foi a rigor uma civilização agrícola o que os portugueses instauraram no Brasil, foi, sem dúvida, uma civilização de raízes rurais. É efetivamente nas propriedades rústicas que toda a vida da colônia se concentra durante os séculos iniciais da ocupação europeia: as cidades são virtualmente, se não de fato, simples dependências delas. Com pouco exagero pode dizer-se que tal situação não se modificou essencialmente até à Abolição. 1888 representa o marco divisório entre duas épocas; em nossa evolução nacional, essa data assume significado singular e incomparável.
Na Monarquia eram ainda os fazendeiros escravocratas e eram filhos de fazendeiros, educados nas profissões liberais, quem monopolizava a política, elegendo-se ou fazendo eleger seus candidatos, dominando os parlamentos, os ministérios, em geral todas as posições de mando, e fundando a estabilidade das instituições nesse incontestado domínio.
Tão incontestado, em realidade, que muitos representantes da classe dos antigos senhores puderam, com frequência, dar-se ao luxo de inclinações antitradicionalistas e mesmo empreender alguns dos mais importantes movimentos liberais que já operaram em nossa história. A eles, de certo modo, também se deve o bom êxito de progressos materiais que tenderiam a arruinar a situação tradicional, minando aos poucos o prestígio de sua classe e o principal esteio em que descansava esse prestígio, ou seja, o trabalho escravo.
(HOLANDA, Sérgio Buarque de. Raízes do Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 2014, p.85-86)
Em alguns dos mais importantes movimentos liberais que já operaram em nossa história (4º parágrafo), o termo sublinhado exerce a mesma função sintática do termo sublinhado em:
- AÉ efetivamente nas propriedades rústicas que toda a vida da colônia se concentra (2º parágrafo)
- Bprogressos materiais que tenderiam a arruinar a situação tradicional. (4º parágrafo)
- CToda a estrutura de nossa sociedade colonial teve sua base fora dos meios urbanos. (1º parágrafo) (alternativa correta)
- Deram ainda os fazendeiros escravocratas e eram filhos de fazendeiros, educados nas profissões liberais, quem monopolizava a política (3º parágrafo)
- Etal situação não se modificou essencialmente até à Abolição (2º parágrafo)
Resposta comentada
Gabarito Alternativa C
A função sintática do pronome relativo é o papel que ele desempenha dentro da oração subordinada adjetiva que ele introduz, substituindo o termo antecedente. Para identificá-la, substitua o pronome pelo seu antecedente na oração subordinada e analise a função sintática desse antecedente. No trecho "movimentos liberais que já operaram em nossa história", o "que" retoma "movimentos liberais". Reorganizando a oração subordinada, temos "Os movimentos liberais já operaram em nossa história", onde "Os movimentos liberais" é o sujeito do verbo "operaram". Portanto, o pronome relativo "que" exerce a função de sujeito.
- (A) Incorreta: O termo sublinhado "nas propriedades rústicas" é um adjunto adverbial de lugar. A armadilha aqui é a presença do "que" na frase, que, neste caso, é uma partícula de realce e não um pronome relativo, e o termo sublinhado não é o "que".
- (B) Incorreta: O termo sublinhado "a situação tradicional" é o objeto direto do verbo "arruinar".
- (C) Correta: O termo sublinhado "Toda a estrutura de nossa sociedade colonial" é o sujeito do verbo "teve", assim como o pronome relativo "que" na frase original.
- (D) Incorreta: O termo sublinhado "a política" é o objeto direto do verbo "monopolizava".
- (E) Incorreta: O termo sublinhado "até à Abolição" é um adjunto adverbial de tempo.
Fonte: FCC CMFOR 2019 Consultor Técnico Legislativo (Caderno Tipo 001). Reproduzida para fins de estudo.