Questão nº 12
Questão de Língua Portuguesa · FCC CMFOR 2019 (nº 12)
Toda a estrutura de nossa sociedade colonial teve sua base fora dos meios urbanos. É preciso considerar esse fato para se compreenderem exatamente as condições que, por via direta ou indireta, nos governaram até mesmo depois de proclamada nossa independência política e cujos reflexos não se apagaram ainda hoje.
Se [...] não foi a rigor uma civilização agrícola o que os portugueses instauraram no Brasil, foi, sem dúvida, uma civilização de raízes rurais. É efetivamente nas propriedades rústicas que toda a vida da colônia se concentra durante os séculos iniciais da ocupação europeia: as cidades são virtualmente, se não de fato, simples dependências delas. Com pouco exagero pode dizer-se que tal situação não se modificou essencialmente até à Abolição. 1888 representa o marco divisório entre duas épocas; em nossa evolução nacional, essa data assume significado singular e incomparável.
Na Monarquia eram ainda os fazendeiros escravocratas e eram filhos de fazendeiros, educados nas profissões liberais, quem monopolizava a política, elegendo-se ou fazendo eleger seus candidatos, dominando os parlamentos, os ministérios, em geral todas as posições de mando, e fundando a estabilidade das instituições nesse incontestado domínio.
Tão incontestado, em realidade, que muitos representantes da classe dos antigos senhores puderam, com frequência, dar-se ao luxo de inclinações antitradicionalistas e mesmo empreender alguns dos mais importantes movimentos liberais que já operaram em nossa história. A eles, de certo modo, também se deve o bom êxito de progressos materiais que tenderiam a arruinar a situação tradicional, minando aos poucos o prestígio de sua classe e o principal esteio em que descansava esse prestígio, ou seja, o trabalho escravo.
(HOLANDA, Sérgio Buarque de. Raízes do Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 2014, p.85-86)
A eles, de certo modo, também se deve o bom êxito de progressos materiais que tenderiam a arruinar a situação tradicional, minando aos poucos o prestígio de sua classe e o principal esteio em que descansava esse prestígio, ou seja, o trabalho escravo. (4º parágrafo)
Os termos sublinhados estão empregados, respectivamente, em sentido
- Aliteral, figurado e literal.
- Bfigurado, literal e literal.
- Cliteral, literal e figurado.
- Dfigurado, figurado e figurado.
- Eliteral, figurado e figurado. (alternativa correta)
Resposta comentada
Gabarito Alternativa E
Sentido literal é o significado direto e objetivo de uma palavra, como aparece no dicionário. Sentido figurado é o uso da palavra de forma simbólica ou metafórica, atribuindo-lhe um significado que vai além do seu sentido original, para expressar uma ideia de maneira mais vívida ou abstrata.
- (A) Incorreta: A palavra "descansava" está empregada em sentido figurado, pois o prestígio (um conceito abstrato) não pode repousar fisicamente.
- (B) Incorreta: A palavra "esteio" está empregada em sentido figurado, pois o trabalho escravo é o fundamento abstrato do prestígio, não um suporte físico.
- (C) Incorreta: A armadilha aqui é interpretar "esteio" como literal. Embora "esteio" possa significar um suporte físico, no contexto de "o principal esteio em que descansava esse prestígio", ele se refere ao trabalho escravo como a base ou fundamento abstrato do prestígio, não um objeto concreto. Portanto, "esteio" é figurado.
- (D) Incorreta: A palavra "êxito" está empregada em sentido literal, significando sucesso ou resultado favorável, sem uso simbólico.
- (E) Correta: "Êxito" é usado em seu sentido literal de sucesso. "Esteio" é figurado, referindo-se ao trabalho escravo como a base ou fundamento abstrato do prestígio. "Descansava" é figurado, indicando que o prestígio se apoiava ou era fundamentado no trabalho escravo, e não um repouso físico.
Fonte: FCC CMFOR 2019 Consultor Técnico Legislativo (Caderno Tipo 001). Reproduzida para fins de estudo.