Questão nº 11
Questão de Língua Portuguesa · FCC CMFOR 2019 (nº 11)
Toda a estrutura de nossa sociedade colonial teve sua base fora dos meios urbanos. É preciso considerar esse fato para se compreenderem exatamente as condições que, por via direta ou indireta, nos governaram até mesmo depois de proclamada nossa independência política e cujos reflexos não se apagaram ainda hoje.
Se [...] não foi a rigor uma civilização agrícola o que os portugueses instauraram no Brasil, foi, sem dúvida, uma civilização de raízes rurais. É efetivamente nas propriedades rústicas que toda a vida da colônia se concentra durante os séculos iniciais da ocupação europeia: as cidades são virtualmente, se não de fato, simples dependências delas. Com pouco exagero pode dizer-se que tal situação não se modificou essencialmente até à Abolição. 1888 representa o marco divisório entre duas épocas; em nossa evolução nacional, essa data assume significado singular e incomparável.
Na Monarquia eram ainda os fazendeiros escravocratas e eram filhos de fazendeiros, educados nas profissões liberais, quem monopolizava a política, elegendo-se ou fazendo eleger seus candidatos, dominando os parlamentos, os ministérios, em geral todas as posições de mando, e fundando a estabilidade das instituições nesse incontestado domínio.
Tão incontestado, em realidade, que muitos representantes da classe dos antigos senhores puderam, com frequência, dar-se ao luxo de inclinações antitradicionalistas e mesmo empreender alguns dos mais importantes movimentos liberais que já operaram em nossa história. A eles, de certo modo, também se deve o bom êxito de progressos materiais que tenderiam a arruinar a situação tradicional, minando aos poucos o prestígio de sua classe e o principal esteio em que descansava esse prestígio, ou seja, o trabalho escravo.
(HOLANDA, Sérgio Buarque de. Raízes do Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 2014, p.85-86)
No texto, o autor
- Aconsidera que, frequentemente, a ganância dos fazendeiros escravocratas punha-os em conflito com seus próprios representantes.
- Bconsidera que, mesmo após a Abolição, a estrutura agrária da colônia manteve-se essencialmente inalterada.
- Cafirma categoricamente que os portugueses instauraram no Brasil uma civilização agrícola.
- Dafirma que, durante a Monarquia, representantes de fazendeiros escravocratas assumiam eventualmente posições liberais. (alternativa correta)
- Eexpressa dúvida em relação às raízes rurais da sociedade colonial brasileira.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa D
A compreensão textual é a capacidade de entender o que um texto diz, seja de forma explícita (diretamente escrita) ou implícita (sugerida pelo autor). Para acertar, você deve se ater apenas às informações presentes no texto, sem adicionar conhecimentos externos ou fazer inferências que não são suportadas.
- (A) Incorreta: O texto não menciona conflitos internos entre fazendeiros escravocratas e seus representantes devido à ganância; pelo contrário, ele descreve o domínio e a unidade dessa classe na política.
- (B) Incorreta: O texto afirma que "1888 representa o marco divisório entre duas épocas", indicando uma mudança significativa após a Abolição, e não que a estrutura se manteve inalterada.
- (C) Incorreta: O autor usa a expressão "Se [...] não foi a rigor uma civilização agrícola", o que significa que ele não afirma categoricamente que foi uma civilização agrícola, mas sim de "raízes rurais".
- (D) Correta: O texto afirma: "muitos representantes da classe dos antigos senhores puderam, com frequência, dar-se ao luxo de inclinações antitradicionalistas e mesmo empreender alguns dos mais importantes movimentos liberais". Isso confirma que eles assumiam posições liberais.
- (E) Incorreta: O autor afirma "foi, sem dúvida, uma civilização de raízes rurais", o que expressa certeza, e não dúvida, sobre as raízes rurais da sociedade colonial.
Fonte: FCC CMFOR 2019 Consultor Técnico Legislativo (Caderno Tipo 001). Reproduzida para fins de estudo.