Questão nº 13
Questão de Língua Portuguesa · FCC CMFOR 2019 (nº 13)
Atenção: Considere o texto abaixo para responder às questões de números 10 a 14.
A história do animal de estimação revela mudanças sociais ao longo do tempo. Na França, por exemplo, a corte de Luís XVI já rompera com o animal-máquina dos cartesianos. A afeição que Rousseau dedicou a seu cão fizera escola nos salões; deixara-se de considerar o animal como um boneco vivo para ver nele um indivíduo, digno de sentimento.
A época romântica fornece numerosos exemplos de atitudes de ternura para com o animal de companhia. O animal faz-se recurso contra os temores da solidão. Isolado em 1841 em Citavecchia, Stendhal afaga seus dois cachorros. Victor Hugo mostra-se muito apegado ao cão que o acompanha no exílio.
Em 1845, a Sociedade Protetora dos Animais instala-se em Paris. Desde então amplia-se a mania das exposições caninas; a fotografia do bicho junta-se à das crianças no álbum de família. O cão chega a colocar um problema para as companhias ferroviárias, que reservam um vagão para eles.
Durante o final do século XIX, o status do animal tende a modificar-se. A crescente influência dos livres-pensadores favorece o crescimento de uma nova fraternidade entre o homem e o bicho. Garantir seus direitos, assegurar sua felicidade é tentar romper com a nova solidão do gênero humano. O problema absolutamente não se coloca em termos ecológicos; trata-se de enaltecer simultaneamente o sentimento de humanidade e a utilidade social. A escola primária empenha-se em dar uma crescente atenção aos animais. A vulgarização das doutrinas evolucionistas, a expansão da medicina veterinária, os êxitos da zootecnia trabalham em favor desta nova fraternidade e avivam a inclinação ao antropomorfismo. Este alcança então o seu ápice.
Entretanto, igualmente neste domínio, as descobertas de Pasteur convidam a uma mudança de conduta. É certo que não parece que o cuidado com a assepsia, que levava a não se acariciar um animal sem usar luvas, tenha sobrevivido por muito tempo à moda inicial das novas teorias; o medo dos micróbios irá atuar pelo menos em favor do gato de apartamento, reputado como mais limpo que seu concorrente. O felino, até então limitado à alta sociedade e aos meios artísticos, expande-se entre o povo. Ao raiar do século XX, inaugura-se entre o homem e o animal uma inversão na relação afetiva de dependência; o último já se apresta a tornar-se o soberano e o senhor do espaço doméstico.
A partir do texto, afirma-se corretamente:
Este texto de apoio vale também pra questão nº 10, questão nº 11, questão nº 12, questão nº 14.
- AA crase em tenha sobrevivido por muito tempo à moda inicial das novas teorias (5º parágrafo) é facultativa e pode ser suprimida.
- BA vírgula colocada imediatamente após “ferroviárias” pode ser suprimida, sem prejuízo do sentido em O cão chega a colocar um problema para as companhias ferroviárias, que reservam um vagão para eles. (3º parágrafo)
- CO elemento sublinhado em o último já se apresta a tornar-se o soberano e o senhor do espaço doméstico (5º parágrafo) refere-se a “felino”.
- DNo segmento a fotografia do bicho junta-se à das crianças no álbum de família (3º parágrafo) o emprego da crase indica a elipse da palavra “fotografia”. (alternativa correta)
- EO elemento sublinhado em Este alcança então o seu ápice (4º parágrafo) refere-se ao êxito da zootecnia.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa D
A crase é a fusão da preposição "a" com o artigo feminino "a" (ou "as") ou com o "a" inicial dos pronomes demonstrativos "aquele(s)", "aquela(s)", "aquilo". A elipse é a omissão de um termo que pode ser facilmente subentendido pelo contexto.
- (A) Incorreta: A crase é obrigatória, pois o verbo "sobreviver" (no sentido de "resistir/adaptar-se") exige a preposição "a", e "moda" é um substantivo feminino que aceita o artigo "a".
- (B) Incorreta: A vírgula não pode ser suprimida sem prejuízo do sentido, pois a oração "que reservam um vagão para eles" é adjetiva explicativa, adicionando uma informação extra sobre as companhias ferroviárias. Sua remoção a transformaria em restritiva, alterando a interpretação.
- (C) Incorreta: O pronome "o último" refere-se ao último elemento da sequência "o homem e o animal", ou seja, "o animal", e não especificamente ao "felino", que é um tipo de animal mencionado anteriormente. A armadilha é confundir o exemplo específico com o termo geral que é o antecedente direto.
- (D) Correta: A crase em "à das crianças" indica a fusão da preposição "a" (exigida por "juntar-se a") com o artigo "a" que precede a palavra "fotografia" (elíptica, subentendida), ou seja, "junta-se à [fotografia] das crianças".
- (E) Incorreta: O pronome demonstrativo "Este" refere-se à "inclinação ao antropomorfismo", que é a ideia principal que alcança seu ápice, e não apenas aos "êxitos da zootecnia", que são um dos fatores que avivam essa inclinação.
Fonte: FCC CMFOR 2019 Consultor Técnico Jurídico (Caderno Tipo 001). Reproduzida para fins de estudo.