Questão nº 10

Questão de Língua Portuguesa · FCC CMFOR 2019 (nº 10)

FCC2019Consultor Técnico JurídicoLíngua Portuguesa
Gabarito: Ever comentário ↓

Atenção: Considere o texto abaixo para responder às questões de números 10 a 14.

A história do animal de estimação revela mudanças sociais ao longo do tempo. Na França, por exemplo, a corte de Luís XVI já rompera com o animal-máquina dos cartesianos. A afeição que Rousseau dedicou a seu cão fizera escola nos salões; deixara-se de considerar o animal como um boneco vivo para ver nele um indivíduo, digno de sentimento.

A época romântica fornece numerosos exemplos de atitudes de ternura para com o animal de companhia. O animal faz-se recurso contra os temores da solidão. Isolado em 1841 em Citavecchia, Stendhal afaga seus dois cachorros. Victor Hugo mostra-se muito apegado ao cão que o acompanha no exílio.

Em 1845, a Sociedade Protetora dos Animais instala-se em Paris. Desde então amplia-se a mania das exposições caninas; a fotografia do bicho junta-se à das crianças no álbum de família. O cão chega a colocar um problema para as companhias ferroviárias, que reservam um vagão para eles.

Durante o final do século XIX, o status do animal tende a modificar-se. A crescente influência dos livres-pensadores favorece o crescimento de uma nova fraternidade entre o homem e o bicho. Garantir seus direitos, assegurar sua felicidade é tentar romper com a nova solidão do gênero humano. O problema absolutamente não se coloca em termos ecológicos; trata-se de enaltecer simultaneamente o sentimento de humanidade e a utilidade social. A escola primária empenha-se em dar uma crescente atenção aos animais. A vulgarização das doutrinas evolucionistas, a expansão da medicina veterinária, os êxitos da zootecnia trabalham em favor desta nova fraternidade e avivam a inclinação ao antropomorfismo. Este alcança então o seu ápice.

Entretanto, igualmente neste domínio, as descobertas de Pasteur convidam a uma mudança de conduta. É certo que não parece que o cuidado com a assepsia, que levava a não se acariciar um animal sem usar luvas, tenha sobrevivido por muito tempo à moda inicial das novas teorias; o medo dos micróbios irá atuar pelo menos em favor do gato de apartamento, reputado como mais limpo que seu concorrente. O felino, até então limitado à alta sociedade e aos meios artísticos, expande-se entre o povo. Ao raiar do século XX, inaugura-se entre o homem e o animal uma inversão na relação afetiva de dependência; o último já se apresta a tornar-se o soberano e o senhor do espaço doméstico.


O autor

Este texto de apoio vale também pra questão nº 11, questão nº 12, questão nº 13, questão nº 14.

Resposta comentada

Gabarito Alternativa E

Para interpretar um texto, é essencial identificar a ideia central de cada parágrafo e como eles se conectam, buscando informações explícitas e inferências diretas do que foi lido.

  • (A) Incorreta: O texto não afirma que as classes mais altas abdicaram dos cuidados, mas sim que as descobertas de Pasteur levaram a uma mudança de conduta e favoreceram os gatos por serem considerados mais limpos.
  • (B) Incorreta: O autor descreve as atitudes da era romântica e a destinação de vagões para cães como fatos históricos, sem expressar crítica ou julgamento de "excesso".
  • (C) Incorreta: O quarto parágrafo explicitamente afirma que "O problema absolutamente não se coloca em termos ecológicos", contradizendo a alternativa.
  • (D) Incorreta: O quinto parágrafo esclarece que os felinos foram favorecidos ("em favor do gato de apartamento") devido ao medo dos micróbios e à sua reputação de limpeza, e não preteridos (deixados de lado) em relação aos cães. A armadilha aqui é a interpretação incorreta do termo "preteridos", que significa desprezados ou deixados de lado em favor de outro.
  • (E) Correta: O quarto parágrafo afirma que as mudanças sociais e científicas "avivam a inclinação ao antropomorfismo. Este alcança então o seu ápice", o que significa que a tendência de atribuir comportamentos e sentimentos humanos aos animais estava em seu auge.

Fonte: FCC CMFOR 2019 Consultor Técnico Jurídico (Caderno Tipo 001). Reproduzida para fins de estudo.

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