Questão nº 5

Questão de Língua Portuguesa · FCC CMFOR 2019 (nº 5)

FCC2019Consultor Técnico JurídicoLíngua Portuguesa
Gabarito: Bver comentário ↓

Atenção: Considere o texto abaixo para responder às questões de números 1 a 9.

Falso mar, falso mundo

O mundo anda cada vez mais complicado, o que não é bom. O frágil corpo humano não foi feito para competir com a máquina, conviver com a máquina e explorá-la. A cada adiantamento técnico-científico, o conflito fica mais duro para o nosso lado.

Mas nesta semana vi na TV uma reportagem que me horrorizou como prova de que, a cada dia, mais renunciamos às nossas prerrogativas de seres vivos e nos tornamos robotizados. Foi a “praia artificial” no Japão (logo no Japão, arquipélago penetrado e cercado de mar por todos os lados!).

É um galpão imenso, maior que qualquer aeroporto, coberto por uma espécie de cúpula oblonga, de plástico. E filas à entrada, lá dentro um guichê, o pessoal paga a entrada, que é cara, e some. Deve entrar no vestiário, ou antes, no despiário, pois surgem já convenientemente seminus, como se faz na praia. Pois que debaixo daquele imenso teto de plástico está um mar, com a sua praia.

Mar que, na tela, aparece bem azul com ondas de verdade, coroadas de espuma branca; ondas tão fortes que chegam a derrubar as pessoas e sobre as quais jovens atletas surfam e rebolam. E um falso sol, de luz e calor graduáveis; e a praia é de areia composta por pedrinhas de mármore.

Não sei se pelo comportamento dos figurantes, a gente tinha a impressão absoluta de que assistia a uma cena de animação figurada em computador. A única presença viva, destacando-se no elenco de bonecos, era a repórter, apresentadora do espetáculo.

Já se viu! Se fosse uma honesta piscina de água morna, tudo bem. Mas fingir as ondas, falsificar um sol bronzeando, de trinta e cinco graus, e toda aquela gente se deitando com a simulação e depois voltando para a rua vestida nos seus casacos! Me deu pena, horror, sei lá. Aquilo não pode deixar de ser pecado. Falsificar com tanta impudência as criações da natureza, e pra quê!


vi na TV uma reportagem que me horrorizou (2º parágrafo)

O sentido do trecho acima está mantido, em discurso indireto, do seguinte modo:

A escritora

Este texto de apoio vale também pra questão nº 1, questão nº 2, questão nº 3, questão nº 4, questão nº 6, questão nº 7, questão nº 8, questão nº 9.

Resposta comentada

Gabarito Alternativa B

O discurso indireto é a forma de recontar a fala de alguém com as suas próprias palavras, sem usar aspas. Para isso, geralmente são necessárias mudanças nos pronomes, nos tempos verbais e nos advérbios em relação ao discurso direto (que reproduz a fala exatamente como foi dita).

  • (A) Incorreta: A mudança de "me horrorizou" para "lhe horrorizava" altera o sentido, pois "horrorizava" (pretérito imperfeito) indica uma ação contínua ou habitual, e não um evento pontual como "horrorizou" (pretérito perfeito). Além disso, "viram na TV" (eles viram) muda o sujeito da ação de "ver", que foi a escritora.
  • (B) Correta: Esta alternativa transforma corretamente o trecho para o discurso indireto. "Disse ter ficado horrorizada" expressa o sentimento da escritora de forma adequada. O verbo "vira" (pretérito mais-que-perfeito simples de "ver") é a forma correta de transpor "vi" (pretérito perfeito) para o discurso indireto quando o verbo principal (disse) está no passado, indicando uma ação anterior à fala.
  • (C) Incorreta: O verbo "afirma" (presente) e "a deixará horrorizada" (futuro) alteram completamente o tempo verbal e o sentido original, que se refere a um evento passado que já causou horror.
  • (D) Incorreta: "Veem" (eles veem) altera o sujeito da ação de "ver". Além disso, "lhe horrorizaria" (futuro do pretérito/condicional) expressa uma possibilidade ou uma ação futura no passado, não um fato ocorrido e concluído.
  • (E) Incorreta: "Afirma" (presente) está em desacordo com o tempo verbal original. "Onde teria visto" usa "onde" de forma inadequada (deveria ser "que" ou "a qual") e "teria visto" (condicional composto) expressa uma hipótese, não um fato. A colocação pronominal em "horrorizado-lhe" está incorreta e o pronome "lhe" não é o adequado para objeto direto de "horrorizar" neste contexto (seria "a tinha horrorizado").

Fonte: FCC CMFOR 2019 Consultor Técnico Jurídico (Caderno Tipo 001). Reproduzida para fins de estudo.

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