Questão nº 4
Questão de Língua Portuguesa · FCC CMFOR 2019 (nº 4)
Atenção: Considere o texto abaixo para responder às questões de números 1 a 9.
Falso mar, falso mundo
O mundo anda cada vez mais complicado, o que não é bom. O frágil corpo humano não foi feito para competir com a máquina, conviver com a máquina e explorá-la. A cada adiantamento técnico-científico, o conflito fica mais duro para o nosso lado.
Mas nesta semana vi na TV uma reportagem que me horrorizou como prova de que, a cada dia, mais renunciamos às nossas prerrogativas de seres vivos e nos tornamos robotizados. Foi a “praia artificial” no Japão (logo no Japão, arquipélago penetrado e cercado de mar por todos os lados!).
É um galpão imenso, maior que qualquer aeroporto, coberto por uma espécie de cúpula oblonga, de plástico. E filas à entrada, lá dentro um guichê, o pessoal paga a entrada, que é cara, e some. Deve entrar no vestiário, ou antes, no despiário, pois surgem já convenientemente seminus, como se faz na praia. Pois que debaixo daquele imenso teto de plástico está um mar, com a sua praia.
Mar que, na tela, aparece bem azul com ondas de verdade, coroadas de espuma branca; ondas tão fortes que chegam a derrubar as pessoas e sobre as quais jovens atletas surfam e rebolam. E um falso sol, de luz e calor graduáveis; e a praia é de areia composta por pedrinhas de mármore.
Não sei se pelo comportamento dos figurantes, a gente tinha a impressão absoluta de que assistia a uma cena de animação figurada em computador. A única presença viva, destacando-se no elenco de bonecos, era a repórter, apresentadora do espetáculo.
Já se viu! Se fosse uma honesta piscina de água morna, tudo bem. Mas fingir as ondas, falsificar um sol bronzeando, de trinta e cinco graus, e toda aquela gente se deitando com a simulação e depois voltando para a rua vestida nos seus casacos! Me deu pena, horror, sei lá. Aquilo não pode deixar de ser pecado. Falsificar com tanta impudência as criações da natureza, e pra quê!
a cada dia, mais renunciamos às nossas prerrogativas de seres vivos (2º parágrafo)
Sem prejuízo do sentido, o segmento sublinhado acima pode ser corretamente substituído por
Este texto de apoio vale também pra questão nº 1, questão nº 2, questão nº 3, questão nº 5, questão nº 6, questão nº 7, questão nº 8, questão nº 9.
- Aabandonamos às
- Brejeitam-se às
- Cabdicamos das (alternativa correta)
- Ddesdenham das
- Eabrimos mão as
Resposta comentada
Gabarito Alternativa C
Regência verbal é a relação de dependência entre um verbo e seus complementos, indicando se o verbo exige ou não uma preposição específica para introduzir seu complemento. Por exemplo, o verbo "renunciar", no sentido de abrir mão, exige a preposição "a" (renunciar a algo).
- A) Incorreta: "abandonamos às". O verbo "abandonar" é transitivo direto, ou seja, não exige preposição. O correto seria "abandonamos as nossas prerrogativas". A presença da preposição "a" (indicada pelo acento grave) torna a regência incorreta.
- B) Incorreta: "rejeitam-se às". O verbo "rejeitar" é transitivo direto, não exigindo preposição. O correto seria "rejeitam-se as nossas prerrogativas". Além disso, a construção "rejeitam-se" (voz passiva sintética) não se alinha com o sujeito implícito "nós" da frase original ("renunciamos").
- (C) Correta: "abdicamos das". O verbo "abdicar", no sentido de renunciar ou abrir mão, é transitivo indireto e exige a preposição "de". "Das" é a contração de "de" (preposição) + "as" (artigo que acompanha "nossas prerrogativas"). "Abdicar de" é sinônimo de "renunciar a", e a regência está correta.
- D) Incorreta: "desdenham das". Embora o verbo "desdenhar" possa ser transitivo indireto com a preposição "de" (desdenhar de algo), o sentido de "desdenhar" (menosprezar, desprezar) não é equivalente ao de "renunciar" (abrir mão).
- E) Incorreta: "abrimos mão as". A locução verbal "abrir mão" exige a preposição "de". O correto seria "abrimos mão das nossas prerrogativas". A ausência da preposição "de" torna a regência incorreta.
Fonte: FCC CMFOR 2019 Consultor Técnico Jurídico (Caderno Tipo 001). Reproduzida para fins de estudo.