Questão nº 14
Questão de Língua Portuguesa · FCC CLDF 2018 (nº 14)
As cirurgias plásticas nunca estiveram tão presentes e ao alcance como agora.
A partir do barateamento dos recursos de reprodução de imagens em grande escala, ocorreu um fenômeno diferente, senão oposto, daquele proposto por Oswald de Andrade e pelo movimento antropofágico de 1928. Da antropofagia criativa, nós, consumidores, passamos para a "iconofagia", a devoração indiscriminada de padrões de uma cultura universal de imagens pasteurizadas e homogeneizadas.
A transformação do corpo em corpo-imagem é alardeada pelos mais diversos aparatos midiáticos como um avanço da medicina estética. Existem inúmeros veículos destinados a mostrar que nosso corpo não corresponde ao modelo imagético vigente e que cada um deve investir tempo e dinheiro para ficar "em forma".
O "corpo ideal" almejado por tantas mulheres (famosas ou não) faz parte de um ideal estético que Umberto Eco denominou "beleza da mídia". Uma beleza "de e para o consumo" (de coisas ou imagens). Portar uma "beleza midiática" não significa ser saudável, mas ter uma imagem moldada para ser exposta.
As diversas possibilidades de tornar o formato dos corpos reais o mais próximo possível da "beleza midiática" são artifícios de uma era iconofágica, de uma era de imagens que valem mais do que os corpos.
Quando milhares de mulheres veem na mídia atributos esculpidos digitalmente, ou encontram nas celebridades exemplos de formatos corporais a serem seguidos, essas imagens não fazem outra coisa senão devorá-las diariamente.
A "beleza midiática", ou seja, tornar-se uma imagem poderosa, arrebata a mulher de forma avassaladora. Se há uma propriedade inerente às imagens, é sua capacidade de condensar e carregar sentidos, emoções e sentimentos, histórias, anseios, sonhos e projetos. Daí emerge seu enorme poder de captura.
(Adaptado de: SANCHES, Rodrigo Daniel e BAITELLO Jr, Norval. Folha de São Paulo.)
Quando milhares de mulheres veem na mídia atributos esculpidos digitalmente...
Transpondo-se a frase acima para a voz passiva, a forma verbal resultante será:
- Asão vistos. (alternativa correta)
- Bé visto.
- Cviu-se.
- Dsão vistas.
- Eforam vistas.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa A
Para transformar uma frase da voz ativa (onde o sujeito pratica a ação) para a voz passiva (onde o sujeito sofre a ação), o objeto direto da voz ativa se torna o sujeito da voz passiva. O verbo principal da voz ativa é substituído por uma locução verbal, formada pelo verbo auxiliar ser (no mesmo tempo e modo do verbo ativo) e o particípio do verbo principal, que deve concordar em gênero e número com o novo sujeito.
A frase original é: "Quando milhares de mulheres veem na mídia atributos esculpidos digitalmente..."
- O sujeito da voz ativa é "milhares de mulheres".
- O verbo da voz ativa é "veem" (presente do indicativo, 3ª pessoa do plural).
- O objeto direto é "atributos esculpidos digitalmente" (masculino, plural).
Para a voz passiva:
- O novo sujeito será "atributos esculpidos digitalmente" (masculino, plural).
- O verbo auxiliar ser deve estar no presente do indicativo, 3ª pessoa do plural, concordando com o novo sujeito: "são".
- O particípio do verbo "ver" é "visto". Ele deve concordar em gênero e número com o novo sujeito ("atributos", masculino, plural): "vistos".
- A forma verbal resultante é "são vistos".
(A) Correta: A forma verbal "são vistos" está no presente do indicativo (mesmo tempo do verbo original "veem"), e o verbo auxiliar "são" e o particípio "vistos" concordam em número e gênero com o novo sujeito paciente "atributos" (plural e masculino).
(B) Incorreta: O verbo "é visto" está no singular, mas o sujeito paciente "atributos" é plural.
(C) Incorreta: A forma "viu-se" está no passado (pretérito perfeito), mas o verbo original "veem" está no presente. Além disso, "viu-se" é uma forma de voz passiva sintética, mas não corresponde ao tempo e número do original.
(D) Incorreta: O particípio "vistas" está no feminino, mas o sujeito paciente "atributos" é masculino. Esta é uma armadilha comum, pois o verbo auxiliar "são" está correto no plural, mas o particípio não concorda em gênero com o novo sujeito.
(E) Incorreta: A forma "foram vistas" está no passado (pretérito perfeito) e o particípio "vistas" está no feminino, ambos incorretos em relação ao verbo original no presente e ao gênero do sujeito paciente.
Fonte: FCC CLDF 2018 Conhecimentos Comuns (T41-T43 CLDF 2018) (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.