Questão nº 3
Questão de Língua Portuguesa · FCC CLDF 2018 (nº 3)
É um pássaro? É um avião? Não, é uma borboleta
Há 30 anos, Brasília se tornava Patrimônio Cultural da Humanidade. Primeira (e ainda única) cidade moderna com tal honraria, a capital do país foi inscrita na lista de Patrimônio da Unesco em 7 de dezembro de 1987.
O Comitê do Patrimônio Mundial da Unesco reconheceu a capital obra-prima do gênio criativo humano e exemplo eminente de conjunto arquitetural que representava período significativo da história. Para o comitê, Brasília era um marco do movimento moderno. Mas, para ganhar o título de patrimônio mundial, precisava de leis para protegê-la de alterações e deturpações fatais. A cidade construída em 1.296 dias, a partir de 1956, não contava com essa cobertura. Não havia nada que a livrava dos males da especulação imobiliária e de outras ameaças.
Ao tomar conhecimento desse entrave, o então governador de Brasília, José Aparecido de Oliveira, publicou o decreto, em outubro de 1987, regulamentando a Lei nº 3.751, de 13 de abril de 1960, de preservação da concepção urbanística de Brasília. Em síntese, a lei manda respeitar as quatro escalas que definem os traços essenciais da capital, ou seja, as quatro dimensões dos quatro modos de viver na cidade.
Criadas por Lucio Costa para organizar o sítio urbano que havia apresentado no concurso público aberto pelo Governo Federal para escolher o projeto da nova capital brasileira, as escalas são definidas como monumental (a do poder), residencial (das superquadras), gregária (dos setores de serviços e diversão) e bucólica (das áreas verdes entremeadas nas demais, incluindo a vegetação nativa). Com elas, o urbanista deixou claras as funções de cada espaço da cidade, definindo os setores de trabalho, moradia, serviços e lazer, em harmonia com a natureza.
Era justamente esse conceito o grande trunfo de Brasília, que trazia um desenho único de cidade. Diferentemente do que muitos pensam, seria tombado o projeto urbanístico de Lucio Costa e não os prédios modernistas de Oscar Niemeyer. Esses viriam a ser protegidos por meio de outras leis. Mas as obras de Niemeyer contribuíram para a conquista do título da Unesco. Os representantes da organização ressaltaram que cada elemento − da arquitetura das áreas residenciais e administrativas à simetria dos edifícios − dos traços de Niemeyer estavam em harmonia com o desenho geral da cidade. Assim como o plano de Lucio, a Unesco considerou os prédios inovadores e criativos.
Para muitos, o Plano Piloto lembra um avião. Mas Lucio Costa o comparava a uma borboleta. O arquiteto Leon Pressouyre, o relator da candidatura de Brasília ao título de Patrimônio Cultural da Humanidade da Unesco, viu "um pássaro gigante voando em direção ao sudeste". O certo é que o tombamento protegeu uma ideia de liberdade.
(Adaptado de: ALVES, Renato. http://blogs.correiobraziliense.com.br)
Mas, para ganhar o título de patrimônio mundial, precisava de leis para protegê-la de alterações e deturpações fatais. A cidade construída em 1.296 dias, a partir de 1956, não contava com essa cobertura. (2º parágrafo)
Essa passagem está reescrita em conformidade com a norma-padrão e com o sentido preservado, em linhas gerais, em:
Mas, para ganhar o título de patrimônio mundial, precisava de leis para protegê-la de alterações e deturpações fatais,
- Ade que a cidade construída em 1.296 dias, a partir de 1956, não dispunha. (alternativa correta)
- Bde cujas a cidade construída em 1.296 dias, a partir de 1956, não tinha.
- Càs quais a cidade construída em 1.296 dias, a partir de 1956, não possuía.
- Da cujas a cidade construída em 1.296 dias, a partir de 1956, não usufruía.
- Ea que a cidade construída em 1.296 dias, a partir de 1956, não abrangia.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa A
O conceito-chave aqui é a regência verbal e o uso correto dos pronomes relativos. A regência define a preposição que um verbo ou nome exige. O pronome relativo (como "que", "quem", "onde", "cujo", "o qual") retoma um termo anterior (antecedente) e introduz uma oração subordinada, e a preposição que o antecede é determinada pela regência do verbo na oração subordinada.
- (A) Correta: A alternativa está correta porque o verbo "dispor" (do qual "dispunha" é uma forma) exige a preposição "de" ("dispor de algo"). O pronome relativo "que" retoma "leis" (implícito no "cobertura" do texto original), e a preposição "de" é corretamente colocada antes dele, formando "de que". A frase "a cidade não dispunha de leis" se transforma em "leis de que a cidade não dispunha".
- (B) Incorreta: O pronome relativo "cujas" é possessivo e deve concordar com o termo possuído, o que não ocorre aqui. Além disso, o verbo "ter" no sentido de "possuir" é transitivo direto e não exige a preposição "de" ("não tinha leis", e não "não tinha de leis").
- (C) Incorreta: O verbo "possuir" é transitivo direto e não exige a preposição "a" ("não possuía leis", e não "não possuía às leis"). O uso de "às quais" está incorreto pela regência do verbo.
- (D) Incorreta: O pronome "cujas" é usado incorretamente (ver explicação da alternativa B). Além disso, o verbo "usufruir" exige a preposição "de" ("usufruir de algo"), e não "a".
- (E) Incorreta: O verbo "abranger" é transitivo direto e não exige a preposição "a" ("não abrangia leis", e não "não abrangia a leis"). O uso de "a que" está incorreto pela regência do verbo.
Fonte: FCC CLDF 2018 Conhecimentos Comuns (T41-T43 CLDF 2018) (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.