Questão nº 1

Questão de Língua Portuguesa · FCC CLDF 2018 (nº 1)

FCC2018Comum T41-T43 CLDF 2018Língua Portuguesa
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É um pássaro? É um avião? Não, é uma borboleta

Há 30 anos, Brasília se tornava Patrimônio Cultural da Humanidade. Primeira (e ainda única) cidade moderna com tal honraria, a capital do país foi inscrita na lista de Patrimônio da Unesco em 7 de dezembro de 1987.

O Comitê do Patrimônio Mundial da Unesco reconheceu a capital obra-prima do gênio criativo humano e exemplo eminente de conjunto arquitetural que representava período significativo da história. Para o comitê, Brasília era um marco do movimento moderno. Mas, para ganhar o título de patrimônio mundial, precisava de leis para protegê-la de alterações e deturpações fatais. A cidade construída em 1.296 dias, a partir de 1956, não contava com essa cobertura. Não havia nada que a livrava dos males da especulação imobiliária e de outras ameaças.

Ao tomar conhecimento desse entrave, o então governador de Brasília, José Aparecido de Oliveira, publicou o decreto, em outubro de 1987, regulamentando a Lei nº 3.751, de 13 de abril de 1960, de preservação da concepção urbanística de Brasília. Em síntese, a lei manda respeitar as quatro escalas que definem os traços essenciais da capital, ou seja, as quatro dimensões dos quatro modos de viver na cidade.

Criadas por Lucio Costa para organizar o sítio urbano que havia apresentado no concurso público aberto pelo Governo Federal para escolher o projeto da nova capital brasileira, as escalas são definidas como monumental (a do poder), residencial (das superquadras), gregária (dos setores de serviços e diversão) e bucólica (das áreas verdes entremeadas nas demais, incluindo a vegetação nativa). Com elas, o urbanista deixou claras as funções de cada espaço da cidade, definindo os setores de trabalho, moradia, serviços e lazer, em harmonia com a natureza.

Era justamente esse conceito o grande trunfo de Brasília, que trazia um desenho único de cidade. Diferentemente do que muitos pensam, seria tombado o projeto urbanístico de Lucio Costa e não os prédios modernistas de Oscar Niemeyer. Esses viriam a ser protegidos por meio de outras leis. Mas as obras de Niemeyer contribuíram para a conquista do título da Unesco. Os representantes da organização ressaltaram que cada elemento − da arquitetura das áreas residenciais e administrativas à simetria dos edifícios − dos traços de Niemeyer estavam em harmonia com o desenho geral da cidade. Assim como o plano de Lucio, a Unesco considerou os prédios inovadores e criativos.

Para muitos, o Plano Piloto lembra um avião. Mas Lucio Costa o comparava a uma borboleta. O arquiteto Leon Pressouyre, o relator da candidatura de Brasília ao título de Patrimônio Cultural da Humanidade da Unesco, viu "um pássaro gigante voando em direção ao sudeste". O certo é que o tombamento protegeu uma ideia de liberdade.

(Adaptado de: ALVES, Renato. http://blogs.correiobraziliense.com.br)


O tombamento de Brasília deveu-se, principalmente,

Resposta comentada

Gabarito Alternativa A

O conceito-chave aqui é entender o que a UNESCO reconheceu como Patrimônio Cultural da Humanidade em Brasília. Não foram apenas os edifícios, mas sim a ideia original e o planejamento da cidade, que organizava o espaço de forma inovadora.

(A) Correta: O texto afirma claramente que "seria tombado o projeto urbanístico de Lucio Costa" e que ele "deixou claras as funções de cada espaço da cidade, definindo os setores de trabalho, moradia, serviços e lazer".
(B) Incorreta: José Aparecido de Oliveira foi fundamental para a viabilização legal do tombamento, ao regulamentar uma lei de proteção, mas o tombamento em si se deu pelo valor intrínseco do projeto urbanístico, não pelos seus esforços ou pela regularização de edifícios públicos. A armadilha aqui é confundir a condição para o tombamento (ter leis de proteção) com o motivo principal do tombamento (o valor do projeto).
(C) Incorreta: Leon Pressouyre foi o relator da candidatura, ou seja, apresentou o caso de Brasília, mas não criou um comitê próprio; a avaliação foi feita pelo Comitê do Patrimônio Mundial da Unesco.
(D) Incorreta: Oscar Niemeyer projetou os edifícios, não o plano urbanístico (que foi de Lucio Costa), e Leon Pressouyre foi o relator. Não houve parceria entre eles para desenhar a cidade, nem a meta principal era apenas privilegiar o lazer.
(E) Incorreta: Lucio Costa, de fato, integrou espaço urbano e natureza, mas não o fez "atendendo à orientação de José Aparecido de Oliveira". O plano de Lucio Costa é de 1956, e José Aparecido de Oliveira agiu em 1987 para proteger legalmente esse plano.

Fonte: FCC CLDF 2018 Conhecimentos Comuns (T41-T43 CLDF 2018) (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.

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