Questão nº 51
Questão de Sociologia · INEP ENEM 2025 (nº 51)
Sinal fechado
Olá, como vai?
Eu vou indo e você, tudo bem?
Tudo bem, eu vou indo, correndo
Pegar meu lugar no futuro, e você?
Tudo bem, eu vou indo em busca
De um sono tranquilo, quem sabe?
Quanto tempo...
Pois é, quanto tempo...
Me perdoe a pressa
É a alma dos nossos negócios...
Oh, não tem de que
Eu também só ando a cem
Quando é que você telefona?
Precisamos nos ver por aí
Pra semana, prometo,
Talvez nos vejamos, quem sabe?
Quanto tempo...
Pois é, quanto tempo...
Tanta coisa que eu tinha a dizer
Mas eu sumi na poeira das ruas
Eu também tenho algo a dizer
Mas me foge a lembrança
Por favor, telefone, eu preciso beber
Alguma coisa rapidamente
Pra semana...
O sinal...
Eu procuro você...
Vai abrir! Vai abrir!
Prometo, não esqueço
Por favor, não esqueça
Não esqueço, não esqueço
Adeus...
A letra da canção apresenta a permanência de uma situação da vida cotidiana ao destacar a
- Adiminuição do comportamento competitivo.
- Bimportância da memória coletiva.
- Credução da mobilidade urbana.
- Defemeridade dos vínculos de afetividade. (alternativa correta)
- Eobsolescência dos meios de comunicação.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa D
Efemeridade dos vínculos afetivos significa que os laços entre as pessoas se tornam passageiros, rápidos e frágeis — como um encontro marcado "pra semana, quem sabe?" que nunca se concretiza. Na letra, os personagens até querem se ver, mas a pressa, a correria e a poeira das ruas engolem o afeto, e o reencontro fica sempre adiado.
- (A) Incorreta: a canção não fala de competição entre as pessoas, e sim da pressa que atravessa os encontros; nada indica diminuição de comportamento competitivo.
- (B) Incorreta: "memória coletiva" é o conjunto de lembranças compartilhadas por um grupo social; aqui o que aparece é o esquecimento individual ("me foge a lembrança"), não memória de um coletivo.
- (C) Incorreta: a mobilidade urbana não é reduzida na letra — ao contrário, os personagens estão "indo e correndo" pela cidade, em trânsito constante.
- (D) Correta: o eu lírico e o outro querem se ver, mas tudo fica no "talvez", no "quem sabe", no "prometo" — o sinal fecha, o tempo passa e o vínculo afetivo se dissolve na pressa cotidiana. Esse adiamento permanente é exatamente a efemeridade dos vínculos de afetividade.
- (E) Incorreta: o telefone aparece como meio de contato ainda válido ("por favor, telefone"); a questão não trata de comunicação obsoleta, mas da dificuldade de manter o laço afetivo.
Armadilha da banca (distrator mais tentador — letra C): o aluno lê "correndo", "poeira das ruas", "sinal fechado" e pensa automaticamente em trânsito/mobilidade urbana. A banca explora essa associação imediata para fisgar quem responde por palavra-chave solta. O detalhe que desmonta a pegadinha: o sinal fechado não impede o deslocamento — ele é só mais um obstáculo simbólico que reforça a ideia de que o encontro afetivo nunca acontece. O tema da canção não é o trânsito, é o afeto adiado até desaparecer. Sempre pergunte: "o que a letra está lamentando?" — e a resposta é a perda do vínculo, não o engarrafamento.
Fonte: INEP ENEM 2025 (Caderno Azul). Reproduzida para fins de estudo.