Questão nº 8
Questão de Língua Portuguesa · CESGRANRIO Transpetro PSP-RH-2016.1 (nº 8)
A função da arte
Diego não conhecia o mar. O pai, Santiago Kovadloff, levou-o para que descobrisse o mar. Viajaram para o Sul. Ele, o mar, estava do outro lado das dunas altas, esperando.
Quando o menino e o pai enfim alcançaram aquelas alturas de areia, depois de muito caminhar, o mar estava na frente de seus olhos. E foi tanta a imensidão do mar, e tanto o seu fulgor, que o menino ficou mudo de beleza.
E quando finalmente conseguiu falar, tremendo, gaguejando, pediu ao pai: — Me ajuda a olhar!
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No trecho do Texto II, a palavra destacada em “E foi tanta a imensidão do mar, e tanto o seu fulgor, que o menino ficou mudo de beleza.” (ℓ. 7-9), introduz uma oração com o sentido de consequência.
Na seguinte frase, a palavra em destaque cumpre o mesmo papel:
- AQue o homem permanecesse no mar era o que tanto queria.
- BTão misterioso era o mar, que o homem se inquietou. (alternativa correta)
- CNão desejava que o pai fosse embora dali.
- DO mar, que se fazia tão grandioso, admirou o menino.
- EO pai ensinou ao menino que o mar deve ser respeitado.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa B
Conceito-chave: A conjunção “que” pode introduzir vários tipos de oração. Para saber se ela indica consequência, procure uma palavra intensificadora antes (como “tão”, “tanto”, “tamanho”) que justifique o efeito produzido. Na dúvida, pergunte: “tão [algo] que aconteceu o quê?” — a resposta é a consequência.
- (A) Incorreta: Aqui, “que” inicia uma oração subjetiva (funciona como sujeito de “era”), e não há palavra intensificadora antes dela.
- (B) Correta: A estrutura “Tão misterioso era o mar, que...” repete o padrão do texto (“tanta... que”), em que “tão” intensifica o adjetivo e “que” introduz a consequência (o homem se inquietou).
- (C) Incorreta: O “que” é uma conjunção integrante, ligando o verbo “desejava” ao seu objeto direto (“que o pai fosse embora”), sem relação de causa e efeito.
- (D) Incorreta: O “que” é um pronome relativo, retomando “O mar” (equivale a “o qual”), e não há ideia de consequência.
- (E) Incorreta: O “que” é conjunção integrante, introduzindo o objeto direto de “ensinou” (o conteúdo ensinado), sem valor consecutivo.
Armadilha da banca: A alternativa (D) é a mais tentadora, pois “grandioso” lembra “imensidão” e “fulgor” do texto. Porém, lá o “que” é relativo (retoma “mar”), enquanto no texto original o “que” é consecutivo, pois vem depois de “tanta” e “tanto”. Não confunda semelhança de sentido com função sintática: a presença de “tão/tanto” antes é o sinal clássico de consequência.
Fonte: CESGRANRIO Transpetro PSP-RH-2016.1 Auditor(a) Júnior. Reproduzida para fins de estudo.